Home Opinião Do orgulho à humildade

IRON JUNQUEIRA

Após o divino encontro com Jesus às portas de Damasco, Saulo de Tarso levantou-se do areal, onde se mantinha prostrado, e manifestou a sua repentina transformação para o Bem.

Demandava Damasco para deter todos os adeptos do Cristo, inclusive o velho Ananias, que era o mentor espiritual de todos aqueles que perceberam no Cristo o Messias que haveria de vir.

Saulo, diante do seu séquito, confessou a sua nova posição religiosa. Passaria a servir o Crucificado, mesmo sabendo que a sua decisão lhe representaria tormentos pelo resto da vida, em razão de os fariseus de então não se conformarem com a sua atividade, voltando-se contra ele.

Abandonado pela sua milícia, o Doutor da Lei foi conduzido cego para Damasco, em companhia de Sadoc, velho miliciano e ali, após sofrer a primeira humilhação, ao procurar, na sinagoga, um seu colega sacerdote, hospedou-se em modesta pensão, onde permaneceu por três dias, abandonado, sozinho e meditativo.

Nas trevas da cegueira, Saulo se encontrava no seu quarto, na humilde hospedaria, quando, ao final do terceiro dia, alguém de porte venerável, penetra-lhe a alcova e, com voz bondosa, fala-lhe:

—Jesus mandou-me procurar-te, Saulo, para te apontar o roteiro e restituir-te a visão.

Saulo não conteve a sua alegria. O Cristo, a quem passara a aceitar como Guia e Mestre, não o abandonara. Enviou-lhe um mensageiro para lhe iluminar a consciência fustigada pelo remorso. E o ex-rabino perguntou ao visitante:

— Quem és tu, que vens em nome do Cristo?

— Ananias.

— Como? Surpreendeu-se Saulo, caminhando em direção à voz, buscando tocar o servo do Sublime Carpinteiro — “Eu vinha a Damasco com outorga do Templo para te sacrificar, e tu vens a mim, com outorga de Jesus, para me salvar?”

— A Lei de Jesus é o Amor, disse Ananias, complacente e alegre.

*        *         *

Orientado convenientemente por Ananias, no que competia fazer daquele momento em diante, Saulo de Tarso experimentou varias facetas, nas quais não lhe faltaram os apupos e bastonadas de seus colegas sacerdotes que, intransigentes nos princípios de Moisés, não se conformavam, de maneira nenhuma, com a radical transformação do ex-Doutor da Lei, ao qual passaram a chamar de herege, traidor e louco.

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Acolhido pelos seguidores do Cristo, Saulo de Tarso, aceitando orientação dos mais experientes, buscou a calmaria do deserto, onde, em companhia de bondoso casal, passou a exercer a humilde profissão de sua infância, a de tecelão, ao mesmo tempo em que meditava continuamente, sobre as realezas de Jesus.

Saulo de Tarso abandonou todas as glorias terrenas, todos os títulos humanos, toda a sua autoridade como Doutor da Lei, e afastou-se das pompas e dos tesouros, renunciou ao poder máximo na terra para trilhar o “caminho apertado que conduz a Deus, servindo ao Cristo com amor e esperança, após transportar-se DO ORGULHO À HUMILDADE.”

 

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