Home Polícia Mulher é assassinada dois dias após sofrer ameaças

Cenas gravadas por circuito de segurança mostram que a vítima levou 11 facadas, sem qualquer chance de reação; Morta aos 30 anos, Gerlândia deixa 2 filhas gêmeas de 7 anos

 MARCOS AURÉLIO SILVA

O suspeito de matar a facadas a ex-namorada na última terça-feira (18), em Anápolis, se entrou à Polícia Civil no início da noite da última quinta-feira (20). Roberto Brasil Costa Junior, 29, apresentou-se, acompanhado do advogado, sem saber que havia um mandado de prisão contra ele. O suspeito acreditava que iria prestar depoimento e seria liberado por não estar mais dentro do período de flagrante, mas acabou detido e encaminhado para o Presídio de Anápolis.

Em depoimento aos delegados do Grupo de Investigação a Homicídios de Anápolis (GIH), Roberto Brasil disse que matou a ex-namorada Gerlândia Maria da Silva, 29, durante um ataque de fúria. Ele confessou que deu 11 facadas na mulher, conforme foi confirmado pela Polícia Civil por meio de imagens de câmeras de um circuito de segurança em um imóvel próximo ao local do crime.

No entanto, o suspeito do homicídio alegou que o crime não foi premeditado. Aos delegados ele disse que não planejou nada e que portava sempre uma faca em sua motocicleta. No entanto, os policiais que investigam o caso dizem não acreditar nessa versão.

A delegada titular do GIH, Marisleide Santos, disse que o suspeito estava esperando a vítima sair de casa para abordá-la. Essa informação contradiz o que Roberto Brasil declarou.  “Ele ficou na esquina da casa dela, ficou vigiando, emparelhou a moto em que ele estava na dela, tentou abordá-la, ela saiu correndo, mas ele a alcançou”, contou a delegada.

Ainda segundo Marisleide Santos, o suspeito declarou que desconfiava que a ex-namorada estava em um novo relacionamento, o que lhe causou muito ciúmes. “Ele disse que foi para conversar, mas ficou irritado, estava desconfiado que ela o estivesse traindo. Ele se sentiu traído e acabou esfaqueando-a. Mas é tudo mentira, tudo falso, foi confirmado que ele não aceitava o fim do relacionamento e passou a persegui-la, ameaçá-la”, informou a delegada.

Ao se entregar, Roberto Brasil não sabia que a Justiça havia expedido, horas antes, um mandado de prisão temporária contra ele. Por isso, após prestar depoimento, ele foi encaminhado ao Presídio de Anápolis, onde deve ficar detido por, pelo menos, 30 dias. Se for condenado pelo crime de feminicídio, mais agravantes, Roberto pode pegar de 12 a 30 anos de prisão.

O crime

Gerlândia Maria da Silva foi atacada pelo ex-namorado na terça-feira (18) quando ia buscar as filhas gêmeas de sete anos de idade na escola. Câmeras de segurança registraram o momento em que o suspeito está em uma motocicleta e fecha a motocicleta da vítima. Em seguida ele desce e ataca a mulher com 11 facadas.

De acordo com a polícia, Gerlândia e o suspeito namoraram por oito meses. No entanto, Roberto Brasil nunca aceitou o rompimento. Tanto que ela chegou a registrar um Boletim de Ocorrência, no último domingo (16), contra o ex-namorado por ameaças. “Ele disse que era para ela se despedir das filhas delas”, afirmou a delegada Marisleide.

Depois de ter procurado a polícia, Gerlândia chegou a postar em uma rede social uma mensagem de agradecimento. “Fui à delegacia, registrei ocorrência, pois fui ameaçada até de morte”, disse a vítima.

Além disso, a Polícia Civil revelou que há cerca de dois anos, o suspeito também havia feito ameaças contra um ex-chefe. Na ocasião, o fato também foi registrado na delegacia.

“Estou a ponto de fazer uma besteira”, disse o acusado a um amigo

Em seu depoimento, Roberto Brasil Costa Junior disse que ao saber que Gerlândia Maria da Silva estaria mantendo um relacionamento amoroso com um colega de trabalho, ligou para ela e fez a seguinte ameaça: “Sai fora de sua casa, deixa suas filhas com as pessoas aí, pois eu vou te matar”. O acusado conta, inclusive, que sua mãe até lhe telefonou em seguida, a pedido de Gerlândia, dando conselhos sobre a situação.

Roberto também disse que esteve na delegacia no dia 16 para registrar queixa contra Gerlândia, pois ela o teria ameaçado, dizendo que colocaria irmãos e o ex-marido “na cola” do ex-namorado. O acusado informou que não conseguiu fazer o Boletim de Ocorrência, pois foi orientado que o registro deveria ser feito em dia útil, na delegacia da região da sua casa.

Roberto falou que no dia seguinte, na segunda-feira (17), recebeu mensagens de Gerlândia que dizia que o iria processar. Aconselhado por familiares, o acusado disse no depoimento à Polícia Civil que pediu perdão à ex-namorada. Gerlândia então teria dito que lhe perdoava, desde que ele fizesse uma postagem no Facebook, desmentindo o que tinha dito em textos anteriores.

Roberto disse que não conseguiu dormir direito e ao ir ao trabalho de um amigo, na terça-feira (18), teve uma “sensação interior que lhe fez ficar transtornado, imaginando todas as traições da vítima”. Ao se dirigir à casa de Gerlândia, o homem chegou a ligar para um amigo, afirmando que estava a ponto de “fazer uma besteira”, pois estava “fora de si”. O assassinato ocorreu logo em seguida.

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