Home Polícia Comércio sofre com a ação quase diária dos criminosos

 

Av. Cruzeiro do Sul- Jardim  Alvorada  (7)

Comparando o mês de janeiro de 2015 com este ano, foram 44 ocorrências de roubo a estabelecimento comercial no ano passado e 61 em 2016. Os furtos também cresceram

LUIZ EDUARDO ROSA

Os moradores e comerciantes do Jardim Alvorada relatam a tensão constante pelo medo de ser a próxima vítima – ou simplesmente ser alvo novamente dos bandidos. Eles reclamam da falta de rondas da Polícia Militar na região e da dificuldade nos trâmites de registro de boletim de ocorrência para denunciar os suspeitos já conhecidos pelas vítimas. Os números em Anápolis de roubos ao comércio aumentaram tanto na relação dos anos anteriores, quanto na comparação do início deste ano com 2015. Um dos fatores levantados pela Polícia Civil pelo aumento de roubos maior do que o furto é a situação econômica do País.

Os moradores do Jardim Alvorada estão sob tensão e ameaças de bandidos que realizam diversos crimes na região, entre estes os roubos aos estabelecimentos comerciais. “Após um roubo em meu estabelecimento durante a manhã, no período da tarde o autor estava em frente da loja comendo espetinho de churrasco”, conta um comerciante que como outros nesta reportagem não quiseram se identificar, devido as constantes ameaças e vigia dos criminosos. Eles atestam que a frequência dos roubos está de tal maneira, que a exceção é um dia em que não haja nenhum delito dessa natureza.

“Não há regularidade no atendimento por parte da viatura da área; algumas ocorrências atendem na hora, em outras chegam 40 minutos depois, quando não necessitam deslocar equipe de outro setor”, relata uma comerciante. As rondas da viatura são poucas com uma ou no máximo duas por dia, principalmente em uma das vias de maior movimentação comercial no setor que é a Avenida Cruzeiro do Sul. O primeiro equipamento de segurança adotado por uma parte substancial dos comerciantes é a grade de ferro, no qual em momentos em que há pouco movimento são fechadas e alguns proprietários preferem manter durante todo o horário de funcionamento. “A grade diminui a liberdade do cliente de ver os produtos prejudicando as compras e também simboliza para nós que estamos presos e os bandidos soltos”, lamenta um comerciante.

Os moradores afirmam que os bandidos não são desconhecidos, sendo identificados como moradores do setor e de bairros vizinhos. Os horários do dia em que os delitos acontecem são a qualquer momento, sem haver uma frequência maior em determinado período. Tanto os comerciantes, como também o subcomandante do 38º Batalhão da Polícia Militar (38º BPM), capitão Joceli Machado, apontam que a principal finalidade dos roubos ao comércio é para se comprar drogas. Capitão Joceli ainda reforça o fato de que o que é observado na região é o porte de armas de fogo com parte destes criminosos.

O subcomandante do 38º BPM levanta que somente uma viatura atua na ronda em um quadrante em que está o Jardim Alvorada e outros bairros vizinhos. “O que temos neste setor é o que encontramos atualmente em todo o país, um alto nível de reincidência nos crimes, apesar de realizarmos a prisão eles são colocados em liberdade pela Justiça”, explica capitão Joceli. A reportagem entrou em contato com o 3º Distrito da Polícia Civil, responsável pelo setor, porém até o fechamento desta edição não houve retorno.

Balanço

Ao levantar os dados fornecidos pela 3ª Delegacia Regional da Polícia Civil (3ª DRPC) em Anápolis, os roubos ao comércio aumentaram na comparação de 2014 com o ano passado. Em 2014, foram 408 ocorrências e em 2015 esse número subiu para 589. Comparando o mês de janeiro de 2015 com este ano, foram 44 ocorrências no ano passado e 61 em 2016. Os furtos tiveram aumento, porém em menores proporções, sendo 304 ocorrências no total em 2014 e em 2015 esse número subiu para 307. Avaliando o início do ano, em janeiro de 2015 foram 36 ocorrências e em 2016 esse número diminuiu para 31.

“Um dos fatores do aumento do roubo em detrimento do furto é a situação da economia nacional, com desemprego maior e alto custo de vida”, explica o titular da 3ª DRPC, Álvaro Cássio [dois dias após essa entrevista, Álvaro Cássio foi nomeado diretor geral da Polícia Civil em Goiás]. Na recuperação de bens roubados um dos grupos que vem trabalhando desde outubro do ano passado é o Grupo de Repressão a Crimes Patrimoniais (Gepatri), cujo um dos campos de trabalho é a repressão à receptação, principalmente em relação aos produtos de maior valor ou em maior quantidade nos roubos ao comércio.

Uma das principais aliadas no reconhecimento dos bandidos no comércio vem sendo a câmera de vídeomonitoramento dentro do estabelecimento. Neste caso, Álvaro Cássio alerta para dar preferência às câmeras de alta definição, pois algumas de qualidade inferior não apresentam uma boa nitidez que dão força para o inquérito policial. Um dos tipos de estabelecimentos mais visados nos roubos a comércio são as joalherias, que atualmente vem arcando com um gasto em segurança particular e câmeras. Uma iniciativa dos comerciantes agregada à Polícia Civil são grupos restritos de redes sociais (WhatsApp) na qual os proprietários compartilham informações sobre suspeitas e no caso de acontecer o roubo.

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