Home Política Partidos pulverizam disputa e Anápolis já tem 18 candidatos

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Semana foi de apresentação de novos nomes dispostos a concorrer ao cargo de prefeito

 MARCOS VIEIRA

A expectativa é que quando se chegasse à segunda quinzena de abril, já existisse um afunilamento de candidaturas a prefeito, mas o cenário eleitoral de Anápolis se mostra cada vez mais imprevisível. Políticos que já tinham desistido da chapa majoritária recolocaram seus nomes na mesa de negociações. Com isso, são 18 pré-candidaturas oficializadas, com tendência de surgirem novas postulações nos próximos dias.

O prefeito João Gomes é o nome do PT desde o ano passado. Dificilmente o partido repetirá a aliança de 2012, com 12 siglas, mas as negociações estão bem adiantadas com pelo menos quatro agremiações: PMN, PR, PRP e PDT. A cena nacional, com a possibilidade de afastamento da presidente Dilma Rousseff já neste domingo (17), certamente mudará as negociações locais. Será preciso analisar em que grau o impeachment influenciará o eleitor.

O PSDB, partido com maior número de filiados na cidade (3.066), cogitado para protagonizar com o PT a principal polarização do processo eleitoral, tem como pré-candidato o deputado estadual Carlos Antonio. Partiu dele a movimentação mais considerável no período de janela para o troca-troca partidário: Carlos deixou o SD, partido que ajudou a implantar na cidade, para o ninho tucano.

A política anapolina também ganhou uma nova aliança nesta última semana. DEM e PMDB anunciaram que caminharão juntos para a disputa de prefeito (ver reportagem nesta página). Com isso, são mais dois pré-candidatos no processo: Pedro Canedo – que deixou o PP para se filiar ao partido do senador Ronaldo Caiado – e o vereador Eli Rosa, que comanda o diretório peemedebista em Anápolis.

O ex-deputado José de Lima tem sua candidatura praticamente acertada no PV. Ele, inclusive, se filiou ao Partido Verde para obter palanque, pois o PDT dificilmente se afastará do projeto petista. Outro nome certo para a disputa majoritária é de Elismar Veiga, do PHS. A sigla faz parte do chamado G-4, onde todos colocaram candidaturas para apreciação: o ex-vereador André Almeida, pelo PPS; João Vaz, pelo PEN; e Olegário Vidal, pelo PSD.

O PROS também dificilmente recuará da candidatura de Odilon Oliveira. O mesmo deve acontecer com o PSC, cujo provável cabeça de chapa é o ex-secretário municipal Valeriano Abreu. Presente na lista de pré-candidaturas desde o início das discussões, o ex-prefeito Ernani de Paula (PSDC) quer voltar a comandar a cidade. Outro veterano que quer tentar a disputa majoritária é o vereador Frei Valdair, do PSB.

Em uma semana cheia de novidades, outro destaque foi o anúncio de que o PTB terá candidato a prefeito. O presidente municipal do partido, Roberto Naves, é o principal pré-candidato. Ele estava até o dia 6 no governo Dilma Rousseff, na diretoria administrativa, financeira e de fiscalização da Companhia Nacional de Abastecimento (Conab). Com o deputado federal Jovair Arantes, presidente do PTB goiano e padrinho político de Naves na relatoria do processo de impeachment da presidente, o político anapolino acabou exonerado.

O empresário Vander Lúcio Barbosa, recém-filiado ao PTN, também voltou a colocar sua pré-candidatura a prefeito. Ele tinha desistido da disputa majoritária ao migrar do PSD para o partido do deputado federal Alexandre Baldy, inclusive assumindo o comando da sigla na cidade. O PPL também desistiu de apoiar Carlos Antonio e relançou o nome de Daniane Marinho como cabeça de chapa.

A REDE terá candidato na cidade e o nome anunciado é do médico Geraldo Espíndola, que presidiu a Câmara Municipal no início da década de 1990. O PSOL também promete disputar a vaga de prefeito. Segundo o presidente do partido na cidade, Elber Sampaio, o nome cotado é da psicóloga Carmem Caetano.

 

“Na verdade, tudo é especulação”

O historiador Juscelino Polonial, autor de livros sobre a política anapolina, considera normal o grande número de pré-candidaturas a prefeito neste momento. Para ele, o cenário nacional vai influenciar o processo eleitoral local. Polonial falou com o JE por e-mail.

Anápolis conta com 18 pré-candidatos a prefeito. A atual situação política brasileira favorece o surgimento de mais pretensos candidatos?

Não vejo problemas nessa quantidade de candidatos. Esse é um processo normal dentro da política, principalmente quando o quadro partidário é composto por tantos partidos. Na verdade, tudo isso é especulação. No final não teremos esse número todo. As composições ou coligações vão, com certeza, mudar e diminuir esse quadro.

Até que ponto a política nacional contaminará o processo sucessório municipal?

Está claro que a crise nacional vai afetar a política local. O número de candidatos tem relação com isso. Tem gente que vai ser candidato apenas para criticar o governo municipal. É uma situação lamentável, mas estou convencido que teremos esse quadro.

A população sairá desse processo mais politizada ou com ojeriza dos políticos?

Todo debate tende a formar politicamente as pessoas. Então, a tendência é que elas, aos poucos, vão entendendo a importância da política. Mas temos um risco e ele já acontece, a manipulação da mídia, ou ainda pior, a partidarização dela.

 

DEM e PMDB vão caminhar juntos

MARCOS AURÉLIO SILVA

A aliança entre Democratas e PMDB, anunciada pelos vereadores Eli Rosa e Miguel Marrula, no início da semana, tende a refletir efetivamente no cenário político de Anápolis. A manifestação de aliança já tem como principal ponto o maior de tempo nas propagandas de TV e rádio.

Nas últimas eleições municipais o PMDB foi um grande aliado do PT. Do outro lado, o DEM se aliou ao PSDB, e foi fundamental para o resultado que elegeu dois vereadores tucanos para Câmara Municipal. Agora, os dois partidos se unem, desfalcando as duas principais forças políticas da cidade.

A decisão de caminharem juntos em Anápolis é reflexo da aliança firmada entre as duas siglas em 2014, quando a chapa conseguiu eleger Ronaldo Caiado para o Senado. As lideranças estaduais dos dois partidos avaliam que todos os acordos realizados há dois anos foram cumpridos e que por isso é interessante a manutenção da aliança, que deve ser reeditada para as disputas municipais.

O presidente do DEM, Carlos Cesar Toledo (Cacai), explica que procurou o líder do PMDB, Eli Rosa, para confirmar aquilo que já vinha sendo tratado em nível regional. “Além de apresentar um fato novo e relevante na política da cidade, veja que já saímos à frente de outros partidos quando se trata de tempo de TV e rádio. Juntos, PMDB e DEM têm um tempo maior do que do PSDB e do PT. Então é uma aliança para valer e ganhar a disputa pela prefeitura”, avalia.

Compartilhar um projeto com o PMDB parece algo confortável para Cacai. Ele declara que Eli Rosa tem feito um trabalho na Câmara compatível com a ideologia do DEM e que o senador Ronaldo Caiado é entusiasta da aliança em Anápolis. “Caiado nos relatou que em mais de 50 municípios essa aliança já está fechada. Então vamos caminhar nesse mesmo rumo”, diz.

O líder peemedebista na cidade também se mostra satisfeito com a confirmação da aliança com o DEM. Segundo Eli Rosa, a união deve tornar mais forte o projeto político já encampado pelo PMDB. “O DEM vem para as fileiras do PMDB, fortalecer o projeto. Acredito que juntos vamos fazer o chamamento para participar desse projeto em busca de um caminho melhor para nossa cidade”, declara.

O recém-filiado ao DEM, Pedro Canedo, e o peemedebista Eli Rosa, são os nomes que devem buscar a consolidação para encabeçar a aliança. Segundo o presidente do DEM, a definição se dará por meio de pesquisas que devem apontar quem melhor se posiciona frente aos adversários e tem maior aceitação do eleitorado. No entanto, Cacai acredita que as negociações que contemplam outras cidades goianas devem influenciar na escolha do candidato em Anápolis.

“O DEM já entendeu que quem vai encabeçar algumas chapas em outras cidades goianas é o PMDB, e esperamos uma contrapartida do partido aqui em Anápolis. Esse é um acordo para definição que acontece fora de Anápolis também”, revela.

Ainda segundo Cacai, o vereador Eli Rosa se mostrou muito “maduro para tomar a decisão melhor para o grupo”. O líder democrata ainda aponta que estão na mesa de negociação a vaga de vice-prefeito e os apoios para a campanha de 2018. “Chegaremos na eleição com uma definição a contento e de consenso”, diz.

Filiação

O DEM anapolino aposta no nome do ex-deputado federal Pedro Canedo. Ele deixou o PP e se filiou ao Democratas com o intuito de ganhar espaço para disputar a Prefeitura de Anápolis.

A intenção do DEM é apresentar Pedro Canedo como alternativa ao PT de João Gomes e ao PSDB de Carlos Antonio. “Entendemos que hoje existe um espaço enorme para que seja trabalhada uma alternativa que não seja nem PT nem PSDB, na cidade. Então fizemos filiações de candidatos com consistência, como é o caso do Pedro Canedo”, aponta Cacai.

Atualmente Pedro Canedo tem um impedimento na Justiça que pode inviabilizar a sua candidatura. O processo que ele enfrenta é por conta de contratos que assinou quando foi presidente da Iquego, na gestão do ex-governador Alcides Rodrigues. No entanto, Cacai acredita que tudo será resolvido e ele possa disputar a eleição. “Esse processo é simples de ser resolvido. Já foram tomadas as providências para solução. Não se trata de nada que possa denegrir a imagem dele na política. Nos próximos dias será resolvido”, declara o líder do DEM.

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