Home Opinião Crime em alta, por Orisvaldo Pires

Orisvaldo Pires

O delegado geral da Polícia Civil de Goiás, Dr Álvaro Cássio, disse nesta sexta-feira (01) durante entrevista à Rádio Manchester de Anápolis, que um número considerável dos 101 homicídios dolosos (em sua grande parte execuções) registradas no município no primeiro semestre de 2016, é fruto de ordens que partem de dentro da Cadeia Pública local.

Na verdade, há anos que as pessoas sabem sobre isso. Mas a confirmação feita pela maior autoridade da Polícia Civil de Goiás traz um choque de realidade, que aumenta a preocupação da sociedade e expõe uma situação de descontrole que amedronta ainda mais a população.

O ano de 2016 caminha para bater todos os recordes de criminalidade na história de Anápolis. Tem a mesma face de 2013, quando em doze meses foram registrados 187 homicídios. Se a média do primeiro semestre for mantida, o ano em curso pode fechar com mais de 200 assassinatos. O pior é que, via de regra, o segundo semestre é sempre mais sangrento que o primeiro.

A sociedade tem gritado muito nos últimos tempos, tem pedido socorro, demonstrando sua angústia pelos índices crescentes de violência. E, se algo foi feito neste período, não foi eficaz. As estratégias não atenderam as expectativas da população.

Todos sabem que entre as principais motivações para os crimes de homicídio registrados em Anápolis – assim como ocorre em praticamente todas as médias e grandes cidades do país – é o tráfico de drogas. No entanto, parece, as autoridades não conseguem adotar medidas eficazes para pelo menos reduzir esta influência.

É necessário mudar as estratégias. Assegurar a estrutura necessária para que as forças repressivas tenham uma mínima chance de enfrentar o crime organizado. É preciso colocar policiais nas ruas. O número hoje existente é pífio. Sem a presença do policial nas ruas, o criminoso se sente à vontade para agir. Muitos o fazem à luz do dia, sem temor. Cada dia mais aumenta a ousadia e em algumas situações parece que ironizam e desafiam as forças de segurança.

Ainda me lembro, num passado não muito distante, quando andávamos pelas ruas e a cada esquina esbarrávamos com a dupla de policiais conhecida como ‘Cosme e Damião’, o tempo em que as entradas e saídas da cidade eram monitoradas por postos policiais, tempo em que crimes motivados por drogas a gente via pela televisão. Nos dias atuais as pessoas têm medo de sair de casa, andam desconfiadas pelas ruas, vivem à mercê de criminosos que agem abertamente à luz do dia. O que fazer? Lembro Raul Seixas: “eu que não me sento no trono de um apartamento, com a boca escancarada, cheia de dentes, esperando a morte chegar”.

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