Home Opinião Um ponto positivo

A grande maioria daqueles que pretendem concorrer a um cargo eletivo neste ano não entendeu o que a Justiça Eleitoral propôs com a criação do período de pré-campanha. Receosos em serem multados ou impedidos de disputar mandato por uma eventual irregularidade, os políticos mantiveram comportamento igual ao de outros pleitos, antes da mini-reforma de 2015.

Uma pena. A pré-campanha talvez tenha sido o principal ganho no processo eleitoral brasileiro deste ano. Excetuando, obviamente, a proibição de doações de pessoas jurídicas aos candidatos. Do ponto de vista do debate, permitir que pré-candidatos se movimentassem com mais desenvoltura pela cidade, se apresentando à população e levantando propostas que no momento certo fariam parte de seu plano de governo, representa um avanço.

O pedido de voto antes do início da campanha segue como prática proibida. Mas aquilo que muita gente cobrava no passado, que é a oportunidade de se falar exaustivamente de projetos para a cidade, sem que isso fosse encarado como uma estratégia de angariar votos, acabou sendo amplamente aceita pelo TSE. Nesse caso, o que se priorizou não foi o poderio financeiro ou o fato de o possível postulante já ter cargo público. A vantagem foi daquele que tinha boas ideias e capacidade de articulação – e é justamente para isso que a eleição existe, para eleger esse tipo de gente.

E com uma campanha propriamente dita mais curta, o período que antecede o momento de se pedir o voto acabou chamando a atenção do eleitor de um modo geral, que passou a entender que as articulações que resultam na chapa que disputará o pleito também valem para avaliar o caráter do político que pleiteia um cargo. Você precisa saber com quem o seu candidato anda hoje, quem o apoia, já que essas pessoas farão parte da próxima gestão caso ele seja vitorioso nas urnas.

O período das convenções já teve início. Até dia 5 de agosto muita coisa acontecerá na cidade. Infelizmente, o peso dos partidos locais não é tão grande assim, já que muitas siglas só decidem algo depois de um aceno de cabeça do comando regional. A política é a arte da articulação, mas chega a ser deprimente ver que algumas siglas usam 2016 para negociar ganhos em 2018.

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