Home Opinião Convença-me!, por Orisvaldo Pires

ORISVALDO PIRES

O programa eleitoral no rádio e TV, que começou no dia 26 de agosto, é a grande esperança dos candidatos ‘de primeira viagem’ a prefeito, para que sejam conhecidos pelo eleitor. Numa campanha em que o postulante tem nada menos que seis concorrentes, é essencial para quem é novo na disputa abrir todos os espaços possíveis para divulgar seu nome. As primeiras pesquisas revelam que alguns desses candidatos são desconhecidos de mais de 80% dos eleitores consultados. É o maior desafio. Até então a maior vitrine utilizada por eles são as redes sociais que, ao contrário do que muitos pregam, não vai decidir a eleição.

Do outro lado da tela da TV, do smartphone ou do computador, está o eleitor. Indignado com a prática política atual, descrente com a atuação dos partidos, sem ânimo de entrar de cabeça na ciranda eleitoral. E, exatamente por isso, se torna o centro de todas as atenções, seja como ativo – detentor da pedra preciosa garimpada pelos candidatos: o voto; seja como passivo – como quem precisa estar atento às qualidades e defeitos dos políticos, para evitar que se eleja a pessoa errada. E, segundo os números, mais de 40% dos eleitores ainda estão indecisos sobre em quem votar. Mas a pergunta certa é: por quê todas essas pessoas ainda não decidiram quem apoiar?

Ninguém tem a resposta preparada para esta indagação. Os fatores são tantos, que torna-se difícil apresentar uma receita pronta, definida, milagrosa. Então, vamos divagar. Os dados das pesquisas até então divulgados revelam que a tendência da parcela do eleitorado que resolveu apontar um nome, pelo menos de início, foi indicar os mais conhecidos, com alguma estrada política. Os neófitos na disputa eleitoral iniciaram a disputa pelo voto nas posições derradeiras. O que pode ser encarado como normal. Porque o desafio dos ‘novos’ é se tornar conhecidos e, principalmente, convencer o eleitor a confiar em suas intenções.

Neste contexto, entra em cena uma condição importante que, na atual conjuntura da desgastada política brasileira, pode ser o diferencial como fator de decisão do eleitor que ainda não sabe em quem votar: o espírito crítico. Muitos apostam que estamos próximos a atingir o tempo em que o eleitor deixa de se comover com propostas fantasiosas ou inexequíveis, e também abandonar a prática de vender seu voto. O eleitor não aposta em alguém apenas porque é novo. Essa novidade precisa ter conteúdo. As pessoas precisam ser tocadas a ponto de confiar naquele ou naquela que promete fazer tudo diferente e resolver todos os problemas.

Os programas de rádio e TV, as redes sociais, as caminhadas pelas ruas da cidade, os debates na mídia e em outros ambientes particulares, cada atitude terá sua consequência. Mas é preciso se atentar para um aspecto interessante: nem tudo o que o eleitor quer, é aquilo que ele precisa. Por isso às vezes é preciso fugir daqueles que querem fazer todas as vontades. O espírito crítico pode nos revelar o caminho certo a seguir. Quero, como cidadão e como eleitor, me sentir desafiado. Que o candidato me convença que aquilo que preciso, não é aquilo que quero.

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