Home Cidades Primórdios do Conjunto Filostro Machado

LUIZ EDUARDO ROSA

O Conjunto Filostro Machado Carneiro surgiu a partir de um programa habitacional existente em Goiás ainda na década de 1990. O sistema de mutirão implantado pelo então governador Iris Rezende também chegou a Anápolis, dando origem a um dos setores mais emblemáticos da cidade nos dias atuais. Filostro Machado, inclusive, é o nome do já falecido pai de Iris Rezende.

O funcionário público Joverci Dias Tavares, de 50 anos, escolheu o Filostro para morar dentro de sua possibilidade na época e através dos anos uniu-se à reivindicação dos moradores no setor. Uma das principais preocupações dele atualmente é a superação do estigma da região quanto aos problemas de segurança pública, que se fazem presente em toda a cidade.

O Conjunto Filostro Machado surgiu para Joverci como possibilidade para a casa própria, tendo em vista que ele era funcionário do Município e a folha de pagamento estava em constante atraso naquela época. Joverci é natural da cidade goiana de Alexânia e chegou à cidade em 1985, morou no Bairro de Lourdes, onde teve contato com as atividades da Associação dos Moradores do Bairro de Lourdes e Chácaras Americanas.

Foram doadas 1034 casas às famílias em Anápolis em uma primeira etapa, em 1994, e a segunda leva foi distribuída em 1998, com a doação de 234 imóveis. “Quando chegamos ao Filostro, deparamos com a falta de asfalto, raros horários de transporte coletivo e o isolamento do Centro”, descreve Joverci, se referindo ao ano de 1996. A prefeitura, sob a gestão de Wolney Martins, deu uma estrutura inicial ao setor, porém a parte substancial de infraestrutura, como o asfalto, vem sendo conquistada à custa das reivindicações dos moradores. A Escola Municipal Maria Elizabeth de Lisboa Camelo já estava em atividade na época que Joverci chegou à região.

Os contemplados pelo programa já recebiam a casa construída, sendo ela pequena, na avaliação de Joverci. Era uma sala conjugada com a cozinha, um banheiro e um quarto dentro de uma superfície construída no terreno de 25 m2. Um termo inicial de ocupação do imóvel era dado aos contemplados, no qual até cinco anos não se poderia vender a outro proprietário. “Dessa forma, sentíamos que aquele bem não era nosso de fato e não podíamos sequer comprovar moradia fixa para outros benefícios”, conta Joverci.

A Associação Pró-Melhoramento do Conjunto Filostro Machado foi fundada em 1995 e a partir das reivindicações, realizaram ações para demandar principalmente o asfalto. Atualmente Joverci desempenha a segunda gestão na presidência da entidade. Um dos destaques nessa relação do setor com o poder público feito por Joverci é o programa “Lavoura Comunitária” iniciada no início dos anos 2000. Segundo Joverci, aderiram inicialmente 100 moradores do setor, eram realizados plantios de arroz em área pública cedida pelo Município, com as primeiras colheitas chegando a 1,8 mil sacas de arroz. A realização do programa permanece no Município na atualidade e desde o início em parceria do Município e o Estado.

Estigma
Ao longo de mais de três décadas de existência do setor, o mesmo processo de estigmatização que atacou a imagem de outros setores da cidade, distantes do centro, tiveram consequências também para a vida dos moradores do Filostro Machado. “A associação do setor com a criminalidade é tão grande, que até hoje sabemos de jovens que omitem ou falseiam o bairro onde moram para conseguir emprego”, explica Joverci. Apesar de não descartar o problema com a segurança pública no bairro, ele percebe que esta estigmatização não representa o ritmo que o setor vem tomando quanto ao crescimento do comércio local, de novos serviços que se instalaram na região e da dinâmica da vida dos moradores.

De maneira particularizada, todos os bairros anapolinos passam por algum problema de segurança pública; seja por testemunhar casos reais frequentes, como também pelo temor da população quanto aos riscos de crimes contra o patrimônio e a vida, ao ter contato pela imprensa e conversas no cotidiano. Ao menos para o Filostro, Joverci entende que a maior ação é com a população infantil do setor, pois há cada vez mais uma dificuldade maior de recuperação dos jovens que já ingressaram no mundo de crimes, mais particularmente com o uso e tráfico de drogas. “Foram muitos jovens que acompanhamos desde a sua infância e que tiveram a vida ceifada, então percebo que é desde a infância que se deve incentivar melhores caminhos a partir do esporte, da educação de qualidade e outros apoios”, declara Joverci.

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