Home Opinião A cidadania clama por seriedade | por João Aquino

JOÃO AQUINO

O recado das urnas não poderia ser mais claro: o povo já não aguenta mais ser iludido por falsas promessas e políticos que só pensam neles mesmos. O alto índice de votos brancos e nulos, somados à grande abstenção, põe a nossa democracia em xeque, alertando a classe política de que as reformas não apenas são necessárias, elas urgentes. A sociedade não quer mais a confusão que há entre mandatos eletivos e criminalidade de colarinho branco, que desvia recursos públicos como se estes fossem infinitos, tirando das pessoas o direito à educação, à saúde, à segurança pública e aos serviços essenciais que o poder institucionalizado tem a obrigação de oferecer em abundância e com qualidade.

Bastou a proibição de as empresas doarem para as campanhas eleitorais e muitos candidatos ficaram sem chão, pois, acostumados a negociar benesses aos seus financiadores, agora não sabiam como ganhar o voto com propostas. Quem tinha dinheiro próprio, gastou na esperança de recuperá-lo de alguma forma no futuro mandato. Quem não tinha, ficou inviabilizado e, quase sempre, foi derrotado pela nova dinâmica das eleições.

Outra mensagem que foi passada aos políticos é a de que a população, ao contrário do que se pensa, acompanha os fatos e sabe bem que os partidos envolvidos com falcatruas não podem continuar no poder e, se não se reinventarem, correm o sério risco de encolhimento e até de extinção.

Apesar de tudo, os cidadãos e cidadãs só exercem plenamente os seus direitos quando participam da construção dos destinos de nossas comunidades, portanto, o voto é a arma mais eficaz para optar entre os tantos projetos de governo que lhes são apresentados.

Votar é uma conquista da qual não podemos abrir mão, visto que se os problemas persistirem na administração de um governante eleito, quem não votou em ninguém, fica sem a legitimidade para reclamar de qualquer coisa ou de cobrar os compromissos de campanha.

A democracia não precisa da obrigatoriedade do voto. O que cada um de nós espera é que a eleição seja um passo para a resolução de problemas das cidades, do estado e do Brasil e não uma maneira de gente desonesta se apropriar do suado dinheiro dos eleitores/contribuintes.

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