Home Opinião Segundo turno com pimenta | por Orisvaldo Pires

O conteúdo da campanha eleitoral em Anápolis no segundo turno provoca avaliações distintas de valores. Uma parte positiva, outra negativa. Para um grupo, a linha de pensamento adotada especialmente nos programas de rádio e televisão de João Gomes e Roberto Naves é “agressiva”, às portas de uma condição de baixo nível. Para outro grupo, o teor contido nas peças de divulgação é necessário, para que os eleitores conheçam a história de vida de cada um dos postulantes, numa condição mais próxima da realidade, sem os subterfúgios muitas vezes criados pelas mentes do marketing.

A composição das campanhas nessa nova etapa da caminhada rumo a eleição alterou a conformação das estratégias utilizadas no primeiro turno e inevitavelmente provocou efeitos colaterais. O grupo de Roberto Naves, ao identificar que a forte presença do ex-prefeito Antônio Gomide nas ações de campanha de João Gomes tornou-se um diferencial importante, tenta separar o que foi a gestão Gomide e o que é a gestão João Gomes. Enquanto que do outro lado a estratégia é mostrar que Gomide e João Gomes fazem parte de projeto comum, iniciado em 2009.

O desafio dos candidatos é utilizar parte do tempo para questionar os pontos fracos do adversário, sem deixar de dedicar espaço para a apresentação de propostas. Roberto Naves explora de forma mais incisiva o fato de seu oponente ser filiado ao PT, na tentativa de agregar o desgaste que a agremiação enfrenta no âmbito nacional. Esta estratégia, a propósito, foi utilizada por praticamente todos os adversários de João Gomes no primeiro turno. Esta semana inclusive, nos programas do rádio e da TV, esta questiúncula partidária foi abordada numa fala do ex-prefeito Antônio Gomide, imagina-se com intuito de tentar minimizar seus efeitos.

A campanha de João Gomes, além da busca de demonstrar o que acredita se configurar como contradição do discurso de novidade apresentado pelo adversário, explora de forma incisiva as figuras dos apoiadores que o cercam. Busca agregar supostos pontos fracos na história política de cada um daqueles que estavam separados no primeiro turno e que agora estão juntos no segundo turno.

Pelo visto, a reta final de campanha será mais apimentada do que era esperado no início. Embora esse tempero daqui pareça insosso, diante do que se vê por exemplo no “caldeirão” norte-americano, conhecida como a mais sólida democracia do planeta.

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