Home Opinião Jubileu da Diocese: juntas, história e fé | por Orisvaldo Pires

Celebrar os cinquenta anos da Diocese de Anápolis é, além de reverência e respeito à importância da Igreja Católica no processo de crescimento espiritual, social e humano da sociedade, é também uma atitude reconhecimento à participação essencial desta instituição na formação da história e da cultura do povo da terra de Sant’Ana das Antas.

Ao falar sobre o Jubileu ao Jornal Estado de Goiás, esta semana, o bispo da diocese de Anápolis, Dom João Wilk, adiantou sobre uma das pérolas que traz o livro-álbum comemorativo a ser lançado nesta ocasião. Segundo ele, os pesquisadores descobriram que, quando de sua histórica passagem pela região do Antas, a fazendeira Ana das Dores, devota de Sant’Ana, profetizara que, nestas terras, haveria de nascer uma grande cidade.

De Ana das Dores veio Gomes de Souza Ramos, seu filho, que cumprira a promessa da mãe de erigir uma capela em devoção a Sant’Ana. De Ana das Dores e seus tropeiros começaram a surgir as primeiras palhoças às margens do Antas, no largo que ao longo dos tempos se tornara o ponto central histórico de Anápolis.

Aquela era a época em que líderes políticos não se embebedavam no pecado mortal da vaidade, sem se proclamavam senhores e donos do progresso. Foi assim que Gomes de Souza Ramos e José da Silva Batista, o Zeca Batista, de forma pacífica e sem antagonismo político, fincaram nesta terra a pedra fundamental daquela que, anos mais tarde, seria a Manchester de Goiás.

A primeira figura eclesiástica a surgir em Anápolis, contam os historiadores, veio de Pirenópolis, padre Francisco Inácio da Luz, em 1871. De lá até 1943, vários outros seguiram o mesmo caminho, entre eles o marcante padre João Olímpio Pitaluga. A primeira paróquia, Sant’Ana, ganhou a companhia da Bom Jesus, em 1935. Em seguida chegaram os frades franciscanos, no início da década de 1940. Alguns deles chegaram a ser párocos de Bom Jesus. Depois os frades assumiram Sant’Ana.

Até que, em 1966, o Papa Paulo VI criou e instalou a Diocese de Anápolis. A instalação foi em 10 de dezembro. Talvez num dia como este sábado, 10 de dezembro de 2016. Nestes cinquenta anos, cada um dos três bispos que guiaram a Igreja Católica na região deixou sua marca registrada. Dom Epaminondas José de Araújo (1966-1979) teve a responsabilidade de implantar a diocese, instituir sua identidade. Dom Manoel Pestana Filho (1979-2004) priorizou a formação, criou o Seminário Maior. E Dom João Cassimiro Wilk (2004 aos dias atuais), missionário polaco, fez da diocese sua missão e a estruturou sob o aspecto pastoral, inserindo-a na realidade do mundo moderno.

A origem da palavra Jubileu é o hebraico: yovel. Tinha várias interpretações. Reportava-se ao carneiro cujo chifre foi usado para anunciar o ano festivo. Também se supunha que significava ‘trazer de volta’, algo ligado à libertação de escravos. Ocorre a cada cinquenta anos. “Santificareis o quinquagésimo ano, proclamando na vossa terra a liberdade de todos os que a habitam. Este ano será para vós Jubileu: cada um de vós voltará à sua propriedade e à sua família” (Levítico 25, 10).

O mais recente Jubileu foi celebrado no ano 2.000, convocado pelo Papa João Paulo II, para celebrar os dois milênios do nascimento de Jesus Cristo. Trata-se de um tempo de graças e de bençãos. Talvez um período propício para nos confrontar com nossa própria história, com a história do nosso povo. Assim, nos envolvemos de tal forma que, como num estalo, começamos a compreender que uma coisa está ligada à outra. Não há apenas a fé. Não há somente a história. Ambas estão contidas na caminhada destes cinquenta anos da Diocese de Anápolis. Uma pedra preciosa, esculpida pelas mãos de homens e mulheres, que viveram e morreram para nos assegurar a chance de viver este momento, e enfrentar os desafios que se apresentam, com espírito de fraternidade, na condição de discípulos e missionários.

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