Home Cidades Livro-álbum registra a história dos 50 anos de instalação da Diocese de...

LUIZ EDUARDO ROSA

As comemorações do Jubileu de Ouro da Diocese nesta última semana contarão com o lançamento de um livro sobre a sua história, na manhã deste sábado (10). Todo um percurso que antecipa a fundação da Diocese, soma aos 50 anos da Diocese, mais de 200 anos da presença da Igreja Católica em Goiás. Um dos membros da comissão do Jubileu de Ouro e da equipe de elaboração do livro pontua os pontos altos que agregam relevância para o estabelecimento da Diocese na cidade de Anápolis.

As comemorações do Jubileu de Ouro da Diocese de Anápolis, além de realizar a programação religiosa e social, marcam o momento o livro “50 anos da Diocese de Anápolis” que levanta das origens da presença da Igreja Católica em Goiás à criação da Diocese de Anápolis, com seus pontos de destaque ao longo dos 50 anos. “É um trabalho que produz um primeiro levantamento histórico da Diocese, para ficar para a posteridade e que mais estudiosos avancem nas pesquisas”, aponta o historiador e pesquisador da comissão do Jubileu de Ouro, Daniel Araújo Alves. Os trabalhos de coleta de dados e apreciação de outros trabalhos historiográficos remontam no livro das origens da presença da Igreja Católica em Goiás à fundação da Diocese de Anápolis.

Na escassez do ouro na Província de Goiás no século 19 já contava com algumas Paróquias em cidades que integravam o ciclo aurífero, como Meia Ponte (Pirenópolis), Corumbá, Vila de Nossa Senhora da Penha de Jaraguá (atual Jaraguá) e Povoado de Santa Luzia (atual Luziânia). Daniel encontrou em um dos documentos uma certidão de óbito do século 19, onde aponta que provavelmente um senhor que faleceu na Cabeceira do Rio das Antas, onde atualmente está o Centro de Convenções de Anápolis (em construção), teve que ser levado até a cidade de Corumbá para ser sepultado. As quatro paróquias foram estabelecidas no regime de “Padroado”, no qual o Estado tinha a administração e organização da Igreja Católica.

“A criação da Paróquia de Sant’Ana em Anápolis, demarca um novo ciclo econômico e político entre as paróquias existentes”, explica Daniel. A escassez da atividade mineradora, principalmente do ouro, e o foco do ciclo econômico voltando-se para a agropecuária era uma das mudanças em curso. Outra era a decadência da prerrogativa do padroado pelo Brasil Império, sendo Sant’Ana, a primeira paróquia estabelecida pela Igreja e não mais pelo Estado. Em 1870, oito fazendeiros realizam a doação de terra na Vila de Sant’Ana das Antas para a construção da Paróquia, sob a liderança de Gomes de Souza Ramos.

Em meados do século 20, já é apresentado pela Arquidiocese de Goiás, sob o bispado de Dom Emanuel Gomes de Oliveira, o interesse em reorganizar o extenso território eclesial, que compreendia os territórios de Goiás, o Triangulo Mineiro e Tocantins. Para abrigar o território goiano é criada a Província de Eclesiástica de Goiânia. Porém somente com o Concílio Vaticano II (1962-1965), são realizadas as conferências pelo Bispo Dom Fernando Gomes de Souza e o bispo auxiliar Dom Antônio Ribeiro de Oliveira para a organização das dioceses de Anápolis, Ipameri e Itumbiara e mais duas prelazias, sendo Rubiataba e Miracema (atualmente Tocantins).

Para se concretizar a implantação das novas Dioceses, foram necessários esforços para além dos meramente burocráticos. “Para a implantação da Diocese em Anápolis era necessário preparar os movimentos da Igreja, os fiéis e associações religiosas”, explica Daniel. A tarefa compreendia na preparação sacramental, espiritual e material, pois orientava a construção de um seminário, uma catedral e a casa episcopal. Uma campanha mobilizou os anapolinos e fieis de outras cidades que fariam parte da Diocese, sob o slogan “A Igreja precisa da Diocese, A Diocese depende de Você”. Na praça da Igreja Sant’Ana, em 30 de julho de 1965, contou com uma concentração de 5 mil pessoas, de Anápolis e caravanas das cidades que comporiam a Diocese. A bula papal “De Animarum Utilitate” de 11 de outubro de 1966 cria a Diocese de Anápolis, porém a instalação oficial é realizada em 10 de dezembro de 1966.

Livro
Os trabalhos de pesquisa para o Jubileu de Ouro e a elaboração do livro, tiveram duração de dois anos de atividades. Foram realizadas coletas de materiais em cidades como Corumbá, Pirenópolis e na Biblioteca Nacional, na cidade do Rio de Janeiro. Inicialmente contou com a equipe dos historiadores Daniel Alves, Jairo Leite, Pe. Fábio Carlos, Pe. Thiago Hérick e os jornalistas, Marcos Vieira e Orisvaldo Pires. Na finalização estiveram envolvidos Pe. Danilo Malta, Onésimo Neto, Pe. João Paulo e o seminarista jornalista Paulo Henrique de Almeida. Os trabalhos foram sob a coordenação do Pe. Francisco Soares. O livro se divide em duas partes, Pré-Diocese e Diocese; na primeira parte vão de levantamentos históricos da Igreja em Goiás até a campanha pró-Diocese, na segunda parte vai da fundação da Diocese à atualidade.

Solenidade
Na abertura do Ano Jubilar, na Catedral do Bom Jesus, neste sábado, às 9h, acontece um momento cívico, que contará com a presença confirmada de autoridades civis como o governador, Marconi Perillo (PSDB), o prefeito atual de Anápolis, João Gomes (PT), o prefeito eleito de Anápolis, Roberto Naves (PTB), e autoridades eclesiásticas como o Cardeal Sergio da Rocha, Arcebispo de Brasília, Dom Washington Cruz, Arcebispo Metropolitano de Goiânia, Dom João Wilk, bispo de Anápolis, dentre outros bispos, sacerdotes e religiosos.

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