Home Economia Anápolis tem baixa de 581 empresas em apenas um ano

Maioria dos negócios extintos na cidade tinha apenas dois anos de existência, ou seja, nasceram e morreram durante a crise que assola todo o País

LUIZ EDUARDO ROSA

A economia de Anápolis não conseguiu resistir ao ano de 2016, auge da crise que atinge todo o País. Dados do Sebrae (Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas) e da Juceg (Junta Comercial do Estado de Goiás), levantados pela reportagem do JE, mostram que 581 empresas foram extintas na cidade apenas no ano passado.

Esses números refletem diretamente no mercado de trabalho. Dados do Caged (Cadastro Geral de Empregados e Desempregados), do Ministério do Trabalho e Emprego, mostram o fechamento de 3226 postos de emprego formais em 2016. A recessão vem de 2015, quando foram extintas 1832 vagas. Dezembro costuma ser bom para contratações, já que o comércio busca trabalhadores temporários devido ao aumento das vendas, mas em 2016 a situação foi diferente em Anápolis: foram fechados 679 empregos com carteira assinada no último mês do ano.

O Sebrae atendeu 8 mil empresas na cidade ao longo do ano passado e com isso foi possível levantar dados de como a crise econômica atingiu o mercado anapolino. Cerca de 40% das 581 empresas extintas tinham apenas dois anos de existência, ou seja, nasceram na crise e não resistiram. Já 26% delas tinham entre três e cinco anos de fundação. “O que estes dados demonstraram é que em 2016 só se mantiveram abertas as empresas com amadurecimento maior”, aponta o gerente regional do Sebrae em Anápolis, Georges Gustavo Toledo. A unidade atende também 18 municípios vizinhos.

O portal da Juceg na internet apresenta o número de registros, que corresponde à abertura de empresas, e também os de extinção delas. Em 2016, Anápolis ficou em 3º lugar no número de registros de empresas com 946 novas pessoas jurídicas, ficando em 1º lugar Goiânia e em 2º, Aparecida de Goiânia. No mesmo ano, o número de baixas das empresas em Anápolis foi de 581 extinções. Em comparação com 2015, foram 939 registros e 337 extinções, ou seja, o volume no ano passado aumentou em relação ao anterior, porém a diferença entre aberturas e baixas de empresas diminuiu. Uma observação importante é que nos números da Juceg apresentados, não estão incluídas as Micro Empreendedor Individual (MEI), com critérios de faturamento de até R$ 60 mil anuais e com possibilidade de contratação de somente um empregado.

Além das maiores baixas entre as empresas com até dois anos de existência, outros perfis de empresa também tiveram impactos em sua dinâmica. “As empresas com maior número de empregados tiveram que demitir. Em muitos casos atendidos pelo Sebrae, chegaram na situação de o dono da empresa ir para o atendimento direto ao cliente, dispensando o empregado”, explica Georges. Como muita gente dona de negócio na cidade começou cumprindo diferentes tarefas na própria empresa, não houve prejuízo no atendimento ao cliente. “Dou como exemplo uma confeitaria cujo proprietário no início do empreendimento, ou de sua carreira, já foi o confeiteiro”, diz Georges.

“O desemprego foi um dos fatores que aumentaram o medo das pessoas investirem. Ou a pessoa perdeu o emprego, e com isso a capacidade de investir, ou ficou receosa simplesmente por ver amigos e tanta gente a sua volta sendo demitida”, analisa o gerente regional do Sebrae.

Como efeito cascata, quem tinha o plano de por em prática um sonho pessoal, como a aquisição da casa própria, acabou segurando o capital. “A instabilidade política e seus efeitos econômicos em 2016 acabaram adiando a tomada de decisões, o que manteve baixa a credibilidade do investidor e estagnação na circulação de capital”, aponta Georges.

Agricultura
A procura do Sebrae por produtores rurais teve destaque em 2016, principalmente na parceria com outras instituições do sistema “S” como o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar). Duas ações tiveram a participação do Sebrae para acompanhamento e formação, que são o Negócio Certo Rural (NCR) e o Programa Empreendedor Rural (PER). “Nestes dois programas a missão do Sebrae foi a consultoria aos produtores rurais para comercializar os seus produtos”, explica Georges, que destaca a atuação dos programas na zona rural de Anápolis.

As diferenças entre as duas ações são a duração e a metodologia de cada uma delas, por exemplo, o NCR com a quantidade de 46 horas e o PER em 136. Estas ações alternam entre formação do agricultor e a consultoria na propriedade do participante.

Expectativas
Uma das críticas que Georges pontua é quanto à postura do empreendedor, pois há uma expectativa de diferentes setores da economia das medidas tomadas pelo governo federal. “O empreendedor sairá mais rápido da crise se ele tiver conhecimento das reais dificuldades que ele tem em seu negócio e não ficar somente esperando que o governo faça alguma coisa”, alerta Georges. O ambiente macroeconômico passa a se tornar tão importante quanto a atitude do empresário frente as dificuldades que tem em sua operação. “Mais do que a expectativa de mudança da economia, que não se aprofunde a crise neste ano de 2017, temos esperança na tomada de consciência do empresariado brasileiro”, pontua o gerente regional do Sebrae.

Deixe um comentário