Home Política Anápolis volta a ter força com prefeito na articulação política

Roberto Naves toma para si tarefa de devolver protagonismo da cidade nas diferentes esferas de poder; principal conquista é nomeação de anapolino para supersecretaria do governo estadual

MARCOS VIEIRA

A nomeação do empresário Francisco Gonzaga Pontes para a SED, uma das principais pastas do governo goiano, cuja abrangência aparece na sua nomenclatura completa (Secretaria de Desenvolvimento Econômico, Científico, Tecnológico e de Agricultura, Pecuária e Irrigação de Goiás), não só recoloca a cidade no primeiro escalão do Estado, mas revela a capacidade de articulação política do prefeito Roberto Naves (PTB).

Roberto conquistou nas urnas o cargo de chefe do Executivo anapolino – não há dúvida quanto a isso – mas só depois da posse, através do seu desempenho no cargo, seria possível avaliar se o prefeito também tomaria para si a tarefa de liderar politicamente a cidade. Nesta semana, com Francisco na SED e outras articulações positivas para a cidade, ficou provado que Roberto também quer cumprir esse papel, de falar em Brasília e Goiânia sobre as necessidades de Anápolis e, mais importante, exigir soluções.

Porque um prefeito politicamente forte não representa apenas autoestima para a cidade – essa seria, aliás, apenas a consequência de algo muito mais importante. O que Roberto Naves tem dito, desde sua primeira ida ao Palácio das Esmeraldas, ainda na fase de transição, é que quer transformar o bom relacionamento com o governador Marconi Perillo (PSDB) em benfeitorias para a cidade.

Na segunda-feira (20), o prefeito esteve com o vice José Eliton (PSDB), que anunciou a liberação de R$ 10 milhões para Anápolis, que entre outras obras servirá para a implantação do centro pediátrico 24 horas, uma promessa de campanha de Roberto. Ainda nesta semana, o projeto de lei do Passe Livre foi aprovado para Anápolis, o que vai beneficiar 15 mil estudantes – essa última, uma demanda antiga, reivindicada há muito tempo por entidades que representam os jovens na cidade.

O prefeito tem mostrado através de suas declarações que sua defesa de Anápolis segue a linha de nomes do passado – como o ex-deputado Fernando Cunha, sem dúvida o grande articulador político que a cidade teve –, sem papas na língua, claramente colocando os interesses locais do anapolino em primeiro lugar, independentemente do que poderia pensar ou deixar de pensar outras cidades.

Em relação à SED, a disputa era com Aparecida de Goiânia, que claramente avançou mais do ponto de vista econômico nos últimos anos, o que fez Anápolis perder importantes oportunidades de geração de emprego e renda. Roberto disse por diversas vezes que a falta de voz e poder de articulação estava relegando o setor produtivo de Anápolis a um segundo plano e que esse resgate recolocaria as coisas no eixo.

O prefeito acabou agindo silenciosamente, como convés uma articulação dessa envergadura. Depois da posse de Francisco Pontes é que veio à tona alguns detalhes do trabalho político. Assegurada a SED para Anápolis, coube a Roberto Naves apresentar uma lista com três nomes para o governador. A escolha recaiu, então, no empresário do ramo da metalurgia, que acabou sendo referendado pela Associação Comercial e Industrial de Anápolis (Acia). Francisco é diretor da entidade.

O prefeito de Anápolis tem a seu favor a parceira do deputado federal Jovair Arantes, presidente do PTB de Goiás, nome de peso na política nacional e que sabe da importância de Roberto para os quadros do partido. Forte em Goiânia e extremamente articulado em Brasília, Jovair ajuda a abrir portas e, obviamente, tarimba o prefeito para se tornar um nome regional.

O horizonte se abre para Anápolis no momento em que o governador anuncia a destinação dos recursos com a privatização da Celg. As necessidades de Anápolis não são poucas e o prefeito falou muito sobre isso durante a campanha. O trio de obras paralisadas – centro de convenções, aeroporto de cargas e anel viário do Daia – aparece na relação de Marconi Perillo, publicada no Diário Oficial do Estado na sexta-feira (24), o que é um sinal extremamente positivo.

O prefeito também tem marcado posição em relação à Saneago. Roberto tem pessoalmente conversado com técnicos da empresa sobre os investimentos em Anápolis e já deixou claro que a boa relação com o governador não significa uma cobrança menos incisiva deste entrave histórico para os anapolinos. Essa atitude é, inclusive, algo da nova política: o bom relacionamento não neutraliza a reivindicação de benefícios para a população.

Local
Do ponto de vista local, Roberto Naves conseguiu costurar bem um leque de apoios na Câmara Municipal, atraindo para sua bancada, políticos de partidos que estavam na chapa adversária durante a campanha. O prefeito tem conversado de maneira frequente com vereadores e aberto o jogo quanto à situação da administração municipal.

A presença das siglas que lhe deram apoio no primeiro escalão da prefeitura foi vista pelos líderes de partido que o prefeito é bom cumpridor de acordos, algo raro na política. O viés político das nomeações não impede Roberto de cobrar publicamente de seus auxiliares resultados para a cidade.

Nesta semana, com a nomeação do empresário Vander Lúcio Barbosa para a Secretaria Municipal de Desenvolvimento Social, Agricultura e Turismo, Roberto consolidou a aliança com o PTN e trouxe para seu governo um importante aliado do deputado federal Alexandre Baldy, o que abre portas em Brasília.

Recentemente, o prefeito também recebeu em seu gabinete o deputado federal Rubens Otoni (PT), que expôs emendas conseguidas por ele em Brasília e recebeu de Roberto a demonstração clara de que os recursos interessam à sua gestão, pois resultam em obras, e que qualquer diferença partidária não cabe em um relacionamento institucional.

Cacife
Roberto Naves não era neófito na política quando decidiu se candidatar. Como presidente do PTB municipal, ele já tinha participado de diferentes articulações nos últimos anos e colocado a sigla como uma das mais importantes da cidade. Prova disso foram as votações para o Legislativo conquistadas nos últimos pleitos.

Mas há uma diferença muito grande entre uma articulação de apoio eleitoral de um partido, por exemplo, e aquela que deve ser feita por um prefeito que comanda a segunda maior cidade de Goiás. É preciso ser incisivo, mas sem avançar o que se convencionou chamar de comportamento republicano. Nestes primeiros meses, Roberto fez bem isso. Cobrou, sem ofender. Exigiu espaço, mas mostrou o porquê da cidade merecer isso.

Esse protagonismo político coloca o prefeito de Anápolis, obviamente, como a principal força motriz do processo eleitoral de 2018, que também terá importância significativa na tão sonhada busca de representatividade da cidade. Pesa a favor de Roberto a capacidade de diálogo com diferentes siglas, sem qualquer ranço de que apenas o seu partido deve encabeçar as disputas.

Esse horizonte que se abre para Anápolis tem diferenças importantes do que se viu nos últimos anos. A cidade viveu com Pedro Sahium uma proximidade com o Palácio das Esmeraldas, mas sem qualquer articulação mais elaborada para buscar benefícios para a cidade. Com Antônio Gomide e João Gomes havia um antagonismo partidário forte – PT x PSDB – e a certeza de que o primeiro se tornaria um adversário eleitoral, o que ocorreu, quando o ex-prefeito disputou o governo, em 2014. Agora, há um ambiente favorável para que os avanços sejam consolidados e os clamores populares sejam ouvidos.

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