Home Cidades Série e jogo online despertam a atenção para suicídio juvenil

ANA CLARA ITAGIBA

Nas últimas semanas a série “13 Reasons Why” (13 Razões Porque), do Netflix, e o jogo da Baleia Azul levantaram o debate sobre o suicídio entre crianças e adolescentes no mundo todo. A série conta a história de uma jovem, Hannah Baker (Katherine Langford) que tira a própria vida após sofrer bullying na escola e ao procurar ajuda é ignorada. O jogo da Baleia Azul é online e propõe ao participante que execute 50 desafios em segredo e o último seria cometer suicídio.

O percurso de cada um é bastante diferente, mas o ponto chave é o mesmo, o suicídio. A série aborda o lado depressivo de uma adolescente que não recebeu o apoio que precisava. Muitas pessoas não entendem o que de fato é a depressão, e acham que é “fase” da adolescência. Já o jogo induz pessoas a fazerem coisas ruins, desafiando os seus próprios medos. Mas em ambos os casos é importante estar em alerta, pois muitas situações acontecem sem que ninguém desconfie, por simples falta de observação.

A reportagem do JE conversou com a psicóloga Yasminne Takeda para tentar entender quais sinais não verbais podem mostrar que uma pessoa, independentemente da idade, pode estar propensa ao suicídio. “Não existe um perfil definido. Mas hoje com jogos e o acesso fácil à internet muitas crianças e adolescentes tem sido os mais atingidos. Mas idosos e adultos também estão nessas estatísticas. Temos uma média de 32 suicídios por dia no Brasil, esse número é muito alto”, revela Yasminne.

A psicóloga diz que lê muitas coisas dizendo que quem comete suicídio é fraco, é rico e quer chamar a atenção. “Não tem nada a ver. Hoje nós temos dados que mostram que as pessoas que tem depressão ou cometem suicídio são de classes mais baixas. A sociedade inverte as coisas”, considera.

A série mostra como existem muitos profissionais que não dão o suporte necessário a quem precisa. “Foi um conjunto de fatores que a personagem Hannah a cometer esse ato. Estupro, invasão de privacidade, bullying e outras coisas. O último caso foi quando ela foi ao conselheiro da escola buscar algum apoio e ele só disse que ela devia seguir em frente e esquecer. Ou seja, na vida real mesmo existem muitos profissionais que não estão preparados para receber esses casos”, aponta Yasminne.

SINAIS
Os pais também tem um papel fundamental nesse processo de diagnóstico e solução do problema. Yasminne explica que os responsáveis devem ficar atentos a alguns comportamentos como dificuldade na escola, insônia, apatia, falta de apetite e indiferença com o próximo. “Alguns jovens falam coisas do tipo ‘queria dormir e acordar nunca mais’, e isso pode ser um sinal. Os pais e os adultos mais próximos precisam investigar mais afundo os motivos. Tem que ter um diálogo dentro de casa”.

A psicóloga explica que deve ser imposto limites ao invés de dar liberdade deixando o jovem entrar na internet deliberadamente, dar celular quando a criança é muito nova e não bloquear nenhum site, com o argumento de que o filho tem que aprender a ter responsabilidade. “Os filhos precisam de regras. Eles podem ter acesso a tudo isso desde que seja bem supervisionado. Não tem como eu chegar a uma criança e dizer ‘olha, você não pode fazer isso’, pois com a curiosidade ele vai lá e vai fazer”, explica.

O QUE FAZER?
Para Yasminne Takeda, é necessário acolher quem sofre, entrando no mundo do paciente para poder resgatá-lo. Há pessoas que sofrem coisas como estupro e não contam para ninguém, outras não tem o suporte para lidar com o fim de um namoro e começam a pensar em se matar, porque acham que só assim vão parar de sofrer. “Nós sempre temos que estar próximos e nunca julgar uma pessoa e sim ajuda-la”, afirma a psicóloga.

Alguns acham que é frescura, mas é uma doença que precisa ser tratada. Hoje os psicólogos têm campanhas em prol da saúde emocional e mental. O profissional ajuda o indivíduo e a família a entender o que está acontecendo. “Às vezes a família toda está doente. Então ajudamos todos os lados a compreender melhor a doença”, relata.

DISCUSSÃO
Depois que a série “13 Reasons Why” foi lança, psicólogos e psiquiatras começaram a dizer que a veiculação e dramatização deste tipo de conteúdo influenciam pessoas a tirar a própria vida. Yasminne acredita que apesar de alguns indivíduos serem mais influenciáveis, a maioria não é. “Não é só uma série que vai levar uma pessoa a tirar a própria vida”, opina.

DEPRESSÃO?
Para quem não sabe, depressão é um distúrbio que atinge a autoestima do ser humano, provocando sentimentos de inferioridade, tristeza e pessimismo. O problema pode aparecer em qualquer pessoa, sem definição de idade e por diversos motivos. Diferente do que muitos pensam a depressão está associada a um desequilíbrio químico no cérebro causado por baixa quantidade de neurotransmissores com a noradrenalina e a serotonina. A serotonina é responsável por deixar o nosso cérebro em alerta, enquanto a noradrenalina influencia no humor, ansiedade e alimentação.

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