Home Opinião R$ 500 mil por 20 anos | por Marcos Vieira

A delação do empresário Joesley Batista vai repercutir por muito tempo, mas com o distanciamento de alguns dias da sua divulgação já é possível analisar alguns pontos que impressionam e mostram que os agentes públicos do Brasil perderam a medida do dinheiro. Quem pede uma propina de R$ 500 mil mensais por 20 anos vive uma realidade diferente até mesmo dos ladrões comuns da República. Paulo Maluf não ousaria tanto.

O deputado federal Rodrigo Rocha Loures entrou no circuito de Joesley Batista depois da conversa do empresário com o presidente Michel Temer. Foi o peemedebista que pediu que Loures fosse acionado, pois se tratava de um homem de confiança, com aval do Palácio do Planalto, ao que parece, para fazer com que a Petrobras vendesse gás para uma usina termelétrica da JBS ao preço que o grupo desejava pagar.

Foi feita a conta e chegaram-se ao meio milhão de reais a cada 30 dias, por longas duas décadas. A conta foi feita pela imprensa: seriam pagos de propina R$ 480 milhões. Pode-se dizer que Joesley Batista só topou pagar porque já tinha combinado a delação e, obviamente, a coisa toda ficaria só na primeira parcela. Mas o problema aqui é outro. Espanta é o fato de um político fazer uma proposta desse porte.

Quem combina receber R$ 500 mil de dinheiro sujo por 20 anos já fez coisa pior. E que um sujeito como esse seja homem de confiança de um presidente da República, tenha mandato parlamentar e ocupou importantes cargos no centro do poder nos últimos meses… Bem, a lista é maior, mas do que adianta? Afinal, tudo o que veio à tona nessa última semana se refere a ‘ontem’. Ou seja, estamos falando dessa época de Lava Jato, de Polícia Federal nas ruas e de um governo que assumiu com a desculpa quase infantil de estancar a corrupção e colocar o país nos eixos.

Michel Temer comemorou quando a gravação feita por Joesley mostrou um diálogo inconclusivo quando se refere à ajuda a Eduardo Cunha. Mas e quando o empresário revela que infiltrou um procurador na investigação contra o grupo que tramita na Justiça federal? Por que o presidente não deu um murro na mesa e mostrou indignação?

E ainda tem o Aécio Neves. Como fala palavrão o senador. A cara de bom moço, de neto de um estadista, de quase presidente da República não aparece nos diálogos gravados para a delação premiada. O ex-presidente do PSDB esculacha colegas e deixa claro que os políticos precisavam agir e votar a anistia do caixa 2. Quer saber, seria preferível que ele mantivesse esse estilo desprezível em público. Ao menos seria autêntico. Cretino, sem escrúpulos e incompatível com o senador, mas menos falso do que aquela cara de inocente que Aécio faz nas propagandas do seu partido ou nas fotos postadas ao lado de Luciano Huck. Opa, essas não existem mais. Esse amigo virtual o senador não tem mais.

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