Home Cidades “Chego a Anápolis com muita vontade de fazer a diferença”, afirma coronel...

Novo comandante do 3º CRPM, coronel Freitas, diz que atacando o tráfico de drogas será possível reduzir índice de homicídios

FERNANDA MORAIS

O novo responsável pelo 3º Comando Regional da Polícia Militar (3º CRPM), sediado em Anápolis, o coronel João Batista de Freitas Lemes, garantiu que vai trabalhar para diminuir os índices de criminalidade do município. Segundo ele, nesse período de férias irá colocar em prática o projeto ‘Operação Bairro Seguro’ atuando nas chamadas zonas quentes da cidade. Outra preocupação do comandante é reduzir o número de homicídios que tem incomodado a população anapolina. Para fazer uma gestão mais próxima da comunidade, o coronel afirmou que vai trabalhar em parceria com o Executivo, Legislativo, sindicatos e sociedade organizada, além da Polícia Civil, Corpo de Bombeiros e Polícia Técnico-Científica. Segundo Freitas, o apoio da população é fundamental para que a Polícia Militar consiga atender as demandas de segurança púbica da cidade. Confira a entrevista concedida ao JE.

O senhor veio do Comando de Policiamento Ambiental, em Goiânia. Por que aceitou assumir o comando da PM em Anápolis?
Primeiro eu gostaria de frisar que o Comando de Policiamento Ambiental em Goiânia é um policiamento especializado. Sempre fui comandante de área, ou seja, sempre atuei com trabalho operacional da Polícia Militar. Estava emprestado para o Comando Ambiental onde permaneci por dois anos. Essa movimentação que existe na corporação, principalmente em Comandos Regionais, como em Anápolis, é corriqueira. Você exerce por um determinado período um trabalho e, de repente, você é acionado para prestar serviços em outras comunidades. E eu recebi e aceitei esse convite do Comando Geral da Polícia Militar para vim para Anápolis. Tivemos um resultado positivo no Comando Ambiental e eu creio que isso pode ter motivado o comandante geral, o coronel Divino Alves, a me destacar para Anápolis no sentido de colaborar com segurança pública da comunidade.

O senhor já colocou em prática alguma ação do seu plano de trabalho para Anápolis?
Às vezes a gente observa uma preocupação muito grande da comunidade local a cerca dos índices de criminalidade, mas eu posso dizer que Anápolis não é tão complexa como se apresenta em algumas situações. Nós já temos sim um planejamento de ações para a cidade. Na última quarta-feira [5/7] desencadeamos uma operação que faz parte desse período de férias. Trata-se da “Operação Bairro Seguro” que vai atender uma demanda operacional nos pontos das chamadas zonas quentes, onde tem maior índice de criminalidade. Isso acontecerá com apoio das unidades especializadas do comando que é sediado em Goiânia. Vamos trazer isso para somar com as nossas forças policiais, para dar o diferencial do trabalho, que deverá, com certeza, ser percebido pela comunidade.

O senhor tem um diagnóstico da realidade de Anápolis?
Temos um raio-x previamente analisado. Temos um Observatório de Segurança Pública em Goiânia que está municiando o comando da cidade de informações. Já temos pontos que precisam de atenção especial e, com certeza, vamos atacá-los para minimizar as questões de segurança pública desses locais.

Foram feitas mudanças no comando dos batalhões da cidade?
Houve uma mudança, já na minha gestão, no comando do 4º Batalhão. Deixou o posto o tenente-coronel Marco Túlio Pereira e assumiu o tenente-coronel Dakson Lima, um oficial de referência. Nas demais unidades, nada mudou, continuam os mesmos comandantes. Vamos imprimir ainda um ritmo de trabalho. Cada comandante tem a prerrogativa de mudar a forma de agir para melhorar a área de segurança do seu batalhão. Nós temos o nosso ritmo que, de forma paulatina, vamos imprimi-lo, mas nada de forma que venha a causar transtorno com os comandantes dos batalhões. O trabalho será feito em conjunto, em parceria, comandante e comandados fazendo o melhor para Anápolis e região.

A comunidade anapolina é participativa?
Comunidade e entidades no geral. E isso é um ponto positivo. Assim que cheguei já fui acionado pelos sindicatos locais como o Rural e a Associação Comercial, por exemplo. Na terça-feira [4/7] desta semana, pela manhã fizemos um café da manhã, um bate papo com representantes do Executivo e do Legislativo que representam o povo e conhecem as suas demandas. A ideia é também entender a sistemática da cidade na visão dos setores distintos. Uma coisa que a gente observa é que a comunidade, a sociedade organizada e os políticos eleitos têm sim interesse em firmar parcerias com a Polícia Militar para ajudar a resolver o problema da segurança pública.

A estrutura e o efetivo disponíveis são problemas?
Eu costumo dizer que eu gosto de trabalhar com o que tenho. E isso não quer dizer que não vou buscar mais apoio no Comando Geral. Vou e já estou fazendo isso, acionando os comandos especializados de Goiânia para auxiliar aqui em Anápolis. Mas nós temos o nosso efetivo e vamos trabalhar com o que está disponível, sempre dinamizando as ações, buscando atacar pontos estratégicos com ações direcionadas para minimizar os números que se apresentam em Anápolis.

Homicídios e tráfico: esses são os pontos críticos da PM em Anápolis?
Hoje nós podemos observar uma preocupação muito grande nas questões ligadas a homicídios. Mas frisando, a grande maioria de homicídios ocorridos está ligada a grupos de risco. São grupos ligados a tráfico de drogas, existe um mínimo percentual ligado a crimes passionais, por exemplo, e tem as mortes pontuais, por brigas de bares ou de vizinhos, outro exemplo. Latrocínios também costumam ser influenciados pela questão do tráfico. Então o que temos que atacar? As questões ligadas a bocas de fumo, ao tráfico, e assim que vamos conseguir minimizar os índices de homicídios. É um ponto que vamos observar com cuidado. Queremos ações em conjunto, nunca agiremos sozinhos, isolados. Vamos estar sempre em contato com Polícia Civil, Corpo de Bombeiros, Polícia Técnico-Científica, para dar respostas à comunidade nesse sentido.

Como foi a receptividade dos comandados?
Excelente. Temos uma ótima tropa. Estamos também com tropa em formação, temos um curso de patrulhamento tático que terminou na sexta-feira, e temos também novos praças que estarão se formando no início do segundo semestre, que vão dinamizar nossas ações no município. Estamos preparando, no 4º Batalhão, as salas de aulas para receber 240 alunos do curso de formação de praças. Após a parte preparatória desse curso, vamos utilizar o pessoal na parte operacional como estagiários e isso vai colaborar com o policiamento, vai ser importante para cidade e região.

Como está o trabalho da PM de Anápolis em relação à permanência dos presos de Aparecida de Goiânia na cidade?
Nós já temos o compromisso do secretário [de Segurança Pública, Ricardo Balestreri], que o prazo de 120 dias de retorno desses presos, a partir da data de chegada em Anápolis, será cumprido. Fomos acionados pela Associação Comercial para uma reunião, e o representante do secretário Balestreri manteve essa informação. Vamos continuar acompanhado essa questão, lembrando que o prazo termina em agosto.

O que a comunidade anapolina pode esperar do coronel Freitas?
Muito trabalho. Não gosto de ficar apenas na sede administrativa do Comando Regional. Andamos muito pela cidade. O contato comigo também é simples, estou sempre com o celular disponível. E, com certeza, chego com vontade de trabalhar para fazer a diferença, contando com apoio da comunidade, dos segmentos organizados e da minha tropa disponível, vamos conseguir bons resultados.

Comando entrega cinco viaturas para a cidade

A Polícia Militar de Goiás fez a entrega, na quarta-feira (5), de cinco viaturas para o 3º CRPM, em Anápolis. No evento, o comandante geral da PMGO, coronel Divino Alves de Oliveira, anunciou o início da ‘Operação Bairro Seguro’.

“Resgatamos o compromisso feito pela Secretaria de Segurança Pública e Administração Penitenciária”, disse o coronel Alves. Ele também fez o compromisso de substituir as viaturas da Companhia de Policiamento Especializado (CPE).

A ‘Operação Bairro Seguro’, que conta com a participação das tropas do Comando de Missões Especiais (Graer, Choque, Cavalaria, Giro e Bope) se estenderá até o dia 12 de julho, objetivando trabalhar em áreas de Anápolis com maior incidência criminal.

De acordo com o comandante geral, os índices de criminalidade em Anápolis veem diminuindo. “Se compararmos junho de 2016 com junho de 2017, houve uma queda de quase 70%, caindo de 19 homicídios para seis”, disse o coronel Alves. Ele ainda afirmou que o auxílio da população é fundamental no combate à criminalidade.

Durante a solenidade, o comandante geral lembrou ainda dos dois concursos que estão em andamento e que, juntos, somam mais de 3 mil novos policiais militares. Segundo ele, boa parte deles será destinada ao combate a criminalidade no município de Anápolis.

 

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