Home Cidades Inteligência e trabalho árduo para diminuir a criminalidade

Polícia Civil avalia que mesmo com sensação de medo, o combate ao crime tem tido efeito em Anápolis

LUANA CAVALCANTE

O titular da 3ª Delegacia Regional de Polícia Civil, delegado Fábio Vilela, avalia que mesmo com a sensação de insegurança da população anapolina, os dados mostram que crimes como latrocínio e assaltos a comércios e veículos diminuíram em relação ao ano passado. O delegado geral concedeu entrevista por telefone ao JE na última semana. Confira na íntegra.

Os crimes de latrocínio em Anápolis têm aumentado?
Não. Os números mantiveram e até caíram. Tanto roubo de veículos como a comércios registramos uma queda. Latrocínio não teve diferença e homicídio teve um leve aumento. Foram quatro no ano passado e em 2017 foram registrados dois.

Por que têm diminuído?
São fatores diferentes e comuns para esse resultado. Além do aumento do policiamento ostensivo nas ruas, e melhor distribuição das viaturas em locais previamente identificados com maior vulnerabilidade, passamos um ano de 2016 trabalhando e monitorando quais eram as áreas que tinham maiores registros de violência. Esse trabalho contribui com o trabalho da Polícia Militar para que eles pudessem definir o que fazer em 2017 e dar encaminhamento às suas abordagens, nas blitz, definindo dias e horários com maior incidência. Da mesma forma a Polícia Civil. As quadrilhas que praticaram crimes ano passado foram identificadas e presas. Isso evita que uma determinada quadrilha se aprimore e pratique crimes mais graves. Em relação aos roubos de veículos, a grande quantidade de veículos recuperados seja em virtude do policiamento ostensivo, ou em uma abordagem, acaba descobrindo outros crimes como clonagem de placas, a Polícia Civil identifica pontos de desmanche desses veículos. Outros fatores são a instalação de câmeras de segurança e o próprio cuidado da população. Essa sensação de insegurança, seja ela verdadeira ou falsa, faz com que o cidadão tenha mais cuidado ao trafegar com o seu veículo. Há dois anos teve um surto de roubo de veículos, então o motorista investe em dispositivos anti-furtos. Aqui em Anápolis de 2016 para 2017 o que houve foi realmente uma queda sensível desses crimes.

Quais são os dados desse comparativo entre 2016 e 2017?
Em 2016, de janeiro a setembro, foram 502 roubos de veículos. No mesmo período de 2017 foram 347. Assalto a comércio em 2016, de janeiro a setembro foram 602 e em 2017 221. De junho pra cá, depois que identificamos o grupo que estava aumentando esses índices começamos a monitorar e prendemos o grupo. Quando há a prisão, cai novamente. Agora homicídio são os números que ainda não conseguimos diminuir esse ano. Mas já temos uma ação de inteligência, de grande porte, que estamos com esperança que irá ajudar a diminuir esses índices em Anápolis.

Quais são os registros dos homicídios?
Em 2016, foram 121 homicídios e em 2017 foram 128. Quando traçamos o perfil da vítima nas investigações que são feitas, na maioria das vezes a vítima tem vinculação com o mundo do crime. Quase sempre tem. Ou ela já tem passagem pelo sistema criminal, que ainda não supre a demanda e também não recupera a pessoa. Então a pessoa entra para o crime, e a dívida que eles têm pagam com a própria vida. Quando não é com o mundo do crime, é com o consumo de drogas. A vítima já teve algum envolvimento com um traficante, não pagou e acabou morrendo. Agora aquela disputa pelo pequeno tráfico em uma determinada região, do bairro, já identificamos alguns homicídios ao longo dos últimos dois anos e conseguimos apurar que houve uma espécie de disputa nesse sentido.

E em relação aos assaltos a comércios?
Em comércios tivemos um surto no primeiro semestre de 2017 até o mês de abril mais ou menos, mas mesmo assim foi menor que em 2016. Tivemos cerca de 50 roubos a comércio, isso de fevereiro a abril. Um crescimento desproporcional de uma média de 20, chegou a 50 por mês. Mas identificamos que tínhamos alguns grupos que agiam isoladamente, podiam até se conhecer, mas não combinavam entre si. Agiam isoladamente para praticar roubos em comércios, principalmente em farmácias. De maio até junho fizemos uma operação grande onde focamos nisso. De maio para junho sentimos que tivemos uma diminuída, estabilizou, e os números passaram de 25 a 30 por mês. Em junho deste ano, dois grupos foram identificados e presos. De julho para cá só tivemos queda de roubos em comércio. É claro que não somos inocentes de desprezar o apoio da população para esse trabalho. Fizemos reuniões com a comunidade, com as associações desses comércios, a gente sabe que isso gerou uma rede de monitoramento junto com a sociedade civil. Eles fizeram grupos pela rede social Whatsapp para poder trocar informações. Assim conseguimos imagens, padrão de comportamento, descrição física e de veículos, conseguimos assim identificar os assaltantes. A instalação de dispositivos de segurança privada nos ajuda muito. Não foi exclusivo do trabalho da polícia, mas sim da polícia mais a sociedade civil, militar, e a compreensão do Poder Judiciário.

Como o Poder Judiciário pode ajudar?
A Vara de Execução Criminal registrou a quantidade de presos que aumentou aqui em Anápolis. Quando se trata de violência e roubo é muito difícil um ladrão sair em uma audiência de custódia. O trabalho de inteligência da polícia conseguiu identificar quadrilhas especializadas de roubos. Com essa união, a gente tem conseguido diminuir os roubos de cargas também, nesse comparativo entre 2016 e 2017. A gente trouxe o grupo de repressão a crimes praticados contra o patrimônio dentro da repressão contra narcóticos, isso foi uma estratégia fundamental porque sentimos que essas quadrilhas especializadas atuam em assaltos e também no narcotráfico. Elas misturam esses crimes que estão relacionados aos homicídios. A polícia está cada vez mais trabalhando em conjunto para identificar as principais quadrilhas, que atuam nessas áreas e acabam repercutindo essas ações em homicídio.

Como essa união tem ajudado no combate à violência?
Às vezes a pessoa não vai presa por tudo que ela faz, mas alguma coisa a gente acaba pegando e vinculando a algum grupo, quadrilha que faz com que ele fique mais tempo recluso no sistema. Essas ações que trazem o resultado de diminuir os números de crimes. Hoje temos um sistema integrado de informação. As informações transitam entre polícias Civil e Militar, grupos especializados e a Polícia Rodoviária Federal. No caso do médico veterinário [João Paulo Alarcão] que foi morto durante um assalto que aconteceu no sábado, 07, assim que a Polícia Civil teve contato com as vítimas que sobreviveram – no caso os pais do jovem que estavam no veículo – fizemos todo o trabalho dos relatos. As características físicas dos principais suspeitos, os veículos que usaram, a forma, e o caminho que eles percorreram até abordar a vítima. A CPE com essas informações conseguiu abordar uma dupla de suspeito, que foram parados em um veículo roubado, e os relatos identificaram que eles iam buscar outra arma para cometer outro crime. Como eles estavam em um carro roubado, foram encaminhados para a Central de Flagrantes. Ele não foi preso, ainda, pelo crime de latrocínio, mas por outro, ele fica fora do convívio com a sociedade provisoriamente. Enquanto isso corremos atrás das provas necessárias para o crime do último sábado. O pai da vítima já reconheceu como sendo um dos autores. As investigações continuam para identificar os outros parceiros, veículos e tudo relacionado ao crime. É um trabalho feito com a união de todas as polícias. Toda essa integração tem contribuído para essa diminuição.

Então pelos dados, a criminalidade está sendo combatida?
Combatida. Mas temos uma cifra negra de crimes que não chegam até a polícia por diversos motivos. Não sabemos o motivo que leva uma determinada pessoa a não comunicar algum crime. É complexo. Mas dentro dos números que temos e dentro da incidência criminal que a gente consegue monitorar e ainda trabalhando com número limitado de policiais, sim está sendo combatido. O que acontece é que Anápolis, dentro da Polícia Civil, temos perdido cada vez mais policiais. Muitos estão aposentando, alguns mudando de carreira porque passaram em outros concursos que deixam mais perto da família, ou tem maior retorno financeiro mais desejado. Isso tem feito com que a gente se desdobre com um quantitativo cada vez menor. Nossa esperança é que com a chegada de novos concursados vamos conseguir dar mais um suspiro. Vamos conseguir diminuir esses índices.

Tem previsão de quando eles começam a trabalhar?
Eles já estão no curso de formação e qualquer momento eles começam. Eles serão lotados nas regionais. Ainda não sei o quantitativo que virá para Anápolis. Chegando, eles continuam fazendo cursos de aperfeiçoamento. Eles chegarão com o mínimo necessário para atuar, e ao longo dos dois primeiros anos, que é o estágio probatório, eles vão continuar a sua especialidade.

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