Home Política “Municipalização da água é irreversível”, frisa prefeito Roberto Naves

Roberto Naves fala que o que se discute atualmente na cidade qual será o melhor momento para isso: se no final do contrato com a Saneago ou antes disso

MARCOS VIEIRA

O prefeito Roberto Naves (PTB) disse que a municipalização da água em Anápolis é “irreversível” e o que se discute atualmente é qual será o melhor momento para que isso aconteça – se no final do contrato com a Saneago, em 2023, ou antes disso. “É óbvio que um município como Anápolis não pode abrir mão de R$ 11 milhões de receita, que é o que a Saneago arrecada aqui”, falou Roberto, em entrevista coletiva, antes de participar da abertura do 1º Encontro de Prefeitos e Gestores Municipais com o Saneamento Básico, realizado na cidade na quinta e sexta-feira (9 e 10 de novembro).

Em discurso na abertura do evento, o prefeito de Anápolis também incluiu Goiânia na lista de cidades que tem como projeto a municipalização da água. Diante do presidente da Saneago, Jalles Fontoura, Roberto comentou o que será feito de cidades menores que dependem do dinheiro que a empresa arrecada em Anápolis para terem seus sistemas, que são deficitários, funcionando. Essa é uma crítica recorrente dos anapolinos: grande parte do lucro da Saneago com os anapolinos acaba pagando o funcionamento de outras localidades.

Ao falar do encontro, Roberto Naves ressaltou que se tratava de um momento importante para cobrar mais uma vez da Saneago os investimentos necessários para a cidade. “Entendemos que as obras já começaram, mas vamos continuar cobrando, pois em janeiro a gente não acreditava que passaríamos por uma crise [de falta de água], mas passamos. É fato que foi menor que do ano passado, mas aconteceu”, disse.

O prefeito também afirmou que a comunidade anapolina não aguenta mais a falta de água. “Por isso vamos continuar cobrando para que no próximo período de seca, no ano que vem, a gente realmente possa comemorar a primeira estiagem da história da cidade sem crise hídrica”.

Ao ser questionado sobre essa promessa do presidente Jalles Fontoura, de que Anápolis não terá problemas com o abastecimento de água no ano que vem, Roberto falou que o presidente da Saneago é um grande amigo, que ele acredita na conclusão da obra de transposição do Capivari para o Piancó, mas que não acreditava em “nenhuma palavra de membro da Saneago vindo de Goiânia”. “Porque a população acreditou durante vários e vários anos e estamos ficando sem água todo esse tempo. O que acredito é na força da nossa população e da nossa cobrança”, completou.

Saneago
Presente em um evento cuja entidade organizadora defende a gestão da água feita pelos municípios, o presidente da Saneago, Jalles Fontoura, falou da expertise da estatal em oferecer água de qualidade à população e também da capitalização de R$ 195 milhões através da Caixa Econômica Federal para investimentos em obras.

Questionado em entrevista sobre a falta de água em Anápolis, Jalles disse que considerando a pior seca que Goiás teve em 80 anos, “as falhas na cidade foram relativamente menores do que em outros anos”. Segundo ele, o desabastecimento não acontecerá no ano que vem, mesmo que a seca seja severa, pois a transposição do Capivari para o Piancó estará concluída. Jalles informou que 90% da obra está pronta, faltando duas passagens pela BR-414, que já estão contratadas.

O presidente também falou que foram feitos poços artesianos de grande vazão na cidade e que será aberta uma licitação para dobrar a capacidade da Estação de Tratamento de Água (ETA) do Jardim das Américas. “Temos esse projeto já em licitação e dará uma folga por muitos anos em relação à água, que hoje estamos com ela [a ETA] no limite”. Jalles disse ainda que estão sendo feitos investimentos de R$ 92 milhões em redes de esgoto. “Temos três empresas trabalhando para concluir os 100% para Anápolis”.

Sobre a comissão criada pelo prefeito Roberto Naves para levantar a viabilidade da municipalização da água, Jalles disse que se trata de algo oportuno para que o debate sobre o tema seja aprofundado. “Tem que ver todas as condições. O Certo é que a Saneago continuará investindo. São cerca de R$ 200 milhões que estão sendo investidos nesse ano para completar o esgoto e fazer com que a água não falte em Anápolis. No ano que vem estamos prevendo a maturação desse projeto, que vai garantir água para a cidade”, comentou o presidente da estatal.

Comissão
A comissão para elaboração de estudo de viabilidade técnica da municipalização dos serviços de fornecimento de água e tratamento de esgoto de Anápolis foi criada por decreto pelo prefeito Roberto Naves no dia 6 de outubro.

O grupo de trabalho é presidido pelo secretário de Gestão, Planejamento e Tecnologia, Igo Santos Nascimentos. São membros os seguintes servidores da administração: Antônio Heli de Oliveira (procurador-geral do Município), Geraldo Lino (secretário da Fazenda), Eva Maria Cordeiro (diretora de Indústria, Comércio e Serviço da Secretaria de Desenvolvimento Econômico e Agricultura), Vinicius Alves (secretário de Obras e Serviços Urbanos) e Antônio Barbosa El Zayek (diretor de Limpeza Urbana da Secretaria de Meio Ambiente, Habitação e Planejamento Urbano).

A comissão terá que avaliar benefícios e eventuais prejuízos da municipalização da água e esgoto, seja pela exploração “direta, indireta ou por empreita”. Além disso, terá que avaliar os recursos hídricos disponíveis em Anápolis, traçando paralelo com a necessidade dos cidadãos, empresas e indústrias do município, aferindo a possibilidade de atendimento a contento, principalmente no que tange à qualidade, quantidade e intermitência dos serviços.

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