Home Opinião A eleição que vai dividir mais o País | por Marcos Vieira

O resultado da eleição presidencial deste ano será um desastre para o futuro do Brasil e é possível afirmar isso antes mesmo da definição dos candidatos. Isso porque não há político capaz de unificar o país dividido após o pleito de 2014. O que se vê são extremistas dispostos a ter seguidores preparados para execrar quem pensa ao contrário. Essa deve ser a tônica dessa campanha: desconstrução do adversário através principalmente – e Deus nos proteja – das fake news.

A discussão política no Brasil se equipara ao que já acontece há muito tempo nas torcidas organizadas do futebol. Quem está do outro lado virou inimigo a ser massacrado, literalmente. A quantidade de argumentos estúpidos proferidos por todos os lados deixa qualquer um pessimista.

Não há qualquer discussão sobre programas de governo. Nem candidatos e nem grande parte do eleitorado estão colocando isso em pauta atualmente. Em outros tempos havia a concordância de que a busca de todos os brasileiros era por um presidente capaz de resolver mazelas históricas, como pobreza e falta de saúde e educação. Essas bandeiras foram deixadas de lado pela pregação única do combate à corrupção.

É inegável que a Operação Lava Jato deu um passo gigantesco no desnudamento das tramóias aprontadas por políticos de todos os partidos, empreiteiros e outros empresários corruptos, mas ela não pode pautar o processo eleitoral. Tem muito candidato usando como slogan de uma possível campanha o fato de ser honesto e, sinceramente, se isso virou algo decisivo para alguém escolher o voto, chegamos bem próximos do desastre.

Honestidade é ponto de partida na escolha de um candidato. A falta dela seria a nossa nota de corte. Político suspeito de corrupção ou que simplesmente tenha corruptos ao seu lado devem ser sumariamente riscados da lista de possíveis preferências do eleitor. O passo seguinte é a análise das propostas de governo do postulante à presidência. Essa sim, decisiva para o futuro.

Não podemos correr o risco de eleger alguém só porque é honesto. É empobrecer demais a democracia. Precisamos eleger o honesto com boas ideias para o país. Precisamos eleger o honesto que não pregue a divisão da sociedade, que tenha convicções bem marcadas sobre temas polêmicos, mas que respeite o grupo que pensa ao contrário.

É essencial que também não utilizemos nesse debate eleitoral alguns termos que envergonhem os nossos professores de história. A não ser que o PCO ou outra sigla de extrema esquerda consiga mais do que o 1% recorrente de votos, não há comunistas com chances de vitória no Brasil. Chamar alguns de “vermelhos” deveria ser proibido, a não ser que você tenha vindo direto dos anos 1980 em um Delorean.

A campanha de 2018 pede serenidade. Só assim será possível decidir quem tem boas ideias, viáveis e que não dividem o Brasil. É possível buscar um presidente que pense o país de maneira integral e convença os mais ricos que as políticas de inserção de renda são importantes na mesma intensidade que a reforma tributária. Não se trata de imaginar um mundo que não existe. É só um exercício simples de entendimento que todos podem ganhar com a atuação do poder público.

Que todos fujam dos extremos, de direita ou esquerda. Conservadorismo é tão desnecessário quanto o liberalismo. Sejamos, enfim, sensatos. É a última grande chance que essa geração tem de retomar aquilo que se desejou quando os generais foram para casa: uma democracia com oportunidade para todos.

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