Home Opinião O presidente derreteu | por Marcos Vieira

Nova pesquisa Datafolha publicada na terça-feira (17.abr) mostra que 70% dos brasileiros rejeitam o presidente Michel Temer. É um percentual que não muda. O emedebista governa sem praticamente qualquer apoio popular. O que lhe resta – e parece ser suficiente no presidencialismo de coalizão – é o apoio de parlamentares no Congresso Nacional.

Em um país normal, um presidente que possui uma rejeição tão alta nem cogitaria tentar um novo mandato. Não é o que acontece no Brasil. Semanalmente chegam notícias de Brasília dando conta de que Temer tem vontade de tentar a reeleição. É fácil entender essa disposição, mesmo com números tão ruins.

Temer sabe muito bem que a campanha eleitoral no Brasil está descolada do governo. Normalmente, um governante ruim ainda consegue chegar ao 2º turno porque tem a máquina a seu favor e consegue ter marqueteiros do primeiro time, que vendem propostas de gestão como se fosse sabão em pó. Na política brasileira, candidato a reeleição que não chega ao menos no 2º turno passa vergonha. Mas até mesmo o Temer, que já se configura em uma vergonha no dia a dia?

O presidente não alcança nem dois dígitos de aprovação, mas terá influência no processo eleitoral. Prova disso é que seu ministro da Fazenda, Henrique Meirelles, deixou o cargo porque sonha em concorrer ao Palácio do Planalto. O ex-banqueiro, nascido em Anápolis, mas que nunca viveu aqui, tem essa ambição desde quando voltou de Boston e fez uma campanha milionária para deputado federal. Ganhou, mas acabou renunciando para presidir o Banco Central no primeiro mandato de Luiz Inácio Lula da Silva.

Não é que Temer tenha influência nos atos de Meirelles, mas o presidente pode entender que seu ex-ministro defenderá o seu legado na campanha, portanto pode ser alguém que valha apenas oferecer o seu consórcio de partidos nanicos, umbilicalmente ligados ao governo da vez e que só entram na eleição para angariar cargos no futuro.

Mas Michel Temer tem legado? Não, mas ele acha que sim. O presidente não quer apanhar, primeiramente, embora acredite que as reformas que fez podem ser exploradas positivamente na campanha, embora todas elas sejam impopulares.

Temer é ruim, mas ficará no cargo até 31 de dezembro porque fez alianças no Congresso Nacional. Qualquer pedra no caminho do presidente só será colocada por deputados federais, que por enquanto estão satisfeitos com que ganharam no toma-lá-da-cá. Daqui alguns dias o apetite será maior, pois vossas excelências vão precisar cuidar de suas reeleições. O presidente já derreteu.

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