Home Opinião The Robe | por Iron Junqueira

Eu já estava farto da rotina maçônica. De forma que, quando eu cheguei, o rito era aquele: com a mão direita no pescoço em forma de corar e, rappppp! Demonstrando o respeito e a compreensão sobre o que fazia. Só que não permaneci no gesto simbólico. Resolvi “morrer” mesmo e caí ao chão. Os irmãos presentes emudeceram-se cada qual quieto em seu lugar. A voz do Venerável se fez ouvir:

— O quehá sentinela? Olhe o que houve com o mano veio! O colega abaixou-se para auferir meu pulso e eu fiz verbalmente, de forma discreta, o pulsar do bronze – paralatimbum-plá! – e o aprendiz deu o alarme geral: “Irmão Venerável, o coração dele acabou de anunciar as últimas badaladas”, e o presidente: –Explique-se direito ô infeliz, o que aconteceu ao nosso caro irmão?

— Acabou de desfilhar-se da irmandade, Mestre. Todos suspiraram triste e profundamente – ohhhhhhhhh“Rsssssssss” (sempre existe um gaiato) – desprendeu-se! Escapou! Desapegou-se! Se foi, chefe! De ouvido ao chão e o outro atento, percebi que o silêncio era sério e ninguém sabia o que falar: o templo continuava imóvel sem um respiro nem uma fala. “Êeeeeeee! Pensei -acho que levei a coisa muito longe e, se demorar mais, eles começarão a cantar louvor gospel. Sei que muitos crentes cristãos não se simpatizam com maçons. São irmãos de todos os matizes culturais e religiosos.Eles são preparados, cultos e respeitáveis. Porém, não custa aparecer um mano entusiasmado e: — HALELUIA, HALELUIA! ALELUIIIIIIIIA!

E não é que aconteceu, sô! Um irmão esotérico respondeu:

— Aleluia não! Marimbondo!M-a-r-i-m-b-o-n-d-o! ”A boiada estourou, já na hora da partida” A debandada foi geral. O bebum havia jogado um caco de telha na caixa e os insetos: zummmmmmmmmmmzummmmzummmmm! Portal onde passariam doispassaram onze. Um deles foi encontrado paquerando a cunhado dentro do carro do irmão e foi expulso da irmandade, dias depois.

Vendo toda aquela lambança, eu não “GUENTEI”. Tive que tirar uma pausa para rir, discretamente. E a turma, uns olhando para os outros, começou a andar em minha direção. “—Tirando sarro com a nossa cara hein, mano?” Os companheiros enraivecidos andavam em minha direção. E eu tive uma inspiração altamente esportiva. Gritei: — Pernas pra que vos quero?” Voltei VOANDO pra casa! Cheguei lá até com os braços doendo!

Sumi do mapa! Puxei a baqueara! Sequer olhei para eles. Fiquei com medo de ganhar uma dispensa. Se arrependimento matasse, eu já estaria com São Pedro vendo as silhuetas das anjas pelos vestidos de véus, Pedroca balançando negativamente a cabeça. Com aquele “non, non” labial. Garanto.

Um dia compareci à sessão da Loja com a cara mais lambida da paróquia, olhar fixo no chão, aguardando a primeira pancada verbal.

— Irmão… – até que enfim. Era a voz do Venerável mais sério e perfeccionista queo reino maçônico já ouviu falar. Pelo menos é o que diz a lenda.

— Sim, “majestade?” No que eu disse esse termo, o Venerável abaixou a cabeça e tapou o rosto com o rubro manto da mesa para rir escondido. (Decerto pensou: eu, majestade? Quando? Onde?)O pessoal presente imitou o presidente da Casa, também de cabeça baixa, esboçando riso discreto. E ele concluiu com cara de quem está rindo, mas tinha que se mostrar que é cara sério:

— O que tem a se explicar?

Tomei a palavra:

— Amigos, irmãos… Reencarnei!

Esperando uma bronca ampliada em palanque de roqueiro no Maracanã, recebi umas BOAS VINDAS, com uma faixa de trinta metros: “Com você somos completos”. Não é uma gente supre legal? Minhas parentes,avós, pais, tios – sempre o são. Me voy.

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