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10 02 2008
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Bairro vira ‘habitat natural’ de ratos, escorpiões e caramujos
Moradores do Dom Pedro II afirmam que 50% dos lotes do setor estão abandonados, as ruas precisam de tapa-buracos e o córrego agoniza
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Letícia Jury
O ditato popular "tamanho não é documento" se aplica perfeitamente ao bairro Dom Pedro II, que embora seja pequeno, os problemas são grandes. O morador Carlos Augusto Dias enumera: "50% dos lotes estão abandonados o que resulta em criatório de caramujo africano, rato e escorpião; a rua da Glória está intrafegável; o tapa buraco se faz necessário nas demais ruas; e o córrego agoniza".
E os moradores não estão passivos diante da situação, eles fizeram um relatório dos problemas do bairro, anexaram um abaixo-assinado com mais de 300 assinaturas e encaminharam ao Ministério Público, à prefeitura municipal e a Câmara dos Vereadores. De acordo com Carlos Dias, o departamento de Vigilância e Saúde esteve no local e apenas em um dia recolheu dois sacos cheios de caramujo africano.
Quanto aos demais problemas, a resposta que obteve da prefeitura é que nos próximos dias, pelo menos a limpeza urbana será promovida, o mato alto será cortado e os lotes baldios seriam limpos para evitar o contágio de doenças, dentre elas a dengue. Quanto ao tapa buraco, a informação é de que é necessário cessar o período chuvoso.
Com relação às erosões, o secretário Fábio Maurício em entrevista anterior ao Jornal do Estado, enfatizou a dificuldade que a prefeitura encontra em adquirir verba para conter os processos erosivos. Ele chegou inclusive a mostrar ofícios encaminhados ao governo federal, que solicita apoio para resolver os problemas, e que até o momento não obteve resposta.
Reclamações
Gersoni Brasil Fernandes se mudou para a Rua da Glória quando tinha dez anos de idade. Hoje com 65 anos lamenta a situação em que se encontra o local. Assim que a reportagem chegou à sua residência, ele fez questão de mostrar os 20 caramujos africanos que havia em seu quintal. "Matei todos com sal, agora vou colocá-los em um saco e jogar no lixo", informou.
O problema é que esse procedimento já virou rotina para Brasil Fernandes, há anos ele convive com a invasão de caramujos africanos em sua residência. Isso se deve, de acordo com ele, em decorrência da falta de limpeza de um lote baldio à frente da sua casa. "Há décadas este matagal está aí e ninguém toma providências", lamenta.
Alguns metros à frente outro morador reclama da falta de limpeza urbana. Marcelo Silva, que há cinco anos mora no local informa que foi ele quem fez a última limpeza da área, pois o mato tomou conta da rua e impediu a passagem dos carros. Ele aponta para o córrego Catingueiro e detalha que na época das chuvas, a água sobe e invade as residências, inclusive a sua.
Marcelo Silva lamenta ainda a quantidade de mosquito da dengue que invade a sua casa, e fala também das aranhas e dos ratos. Outra preocupação do morador é quanto à segurança das crianças que ficam o dia todo na creche, em frente a um lote baldio e infestado de bichos peçonhentos. "É preciso uma ação urgente, pois é uma questão de saúde pública", cobra providências.
Prefeitura realiza limpeza
O diretor de Meio Ambiente da Prefeitura Municipal de Anápolis, Luiz Henrique Fonseca, informou na quarta-feira, 6, que determinou que uma equipe da sua pasta pudesse acompanhar os trabalhos da Vigilância e Saúde. "Disponibilizamos três tratores e roçadeiras para que os lotes possam ser limpos. Paralelamente a isso, estamos fazendo a limpeza em outros bairros como o Santo André", afirmou.
De acordo com o diretor de Vigilância e Saúde, José Luiz Ribeiro, uma equipe foi ao local na sexta-feira, 1º, para fazer o levantamento das reais condições de infestação. E informou que nos próximos dias, após essa análise inicial do que realmente ocorre no bairro, é que serão traçadas as estratégias de ação.
José Luiz Ribeiro tranqüiliza os moradores e informa que as providências serão tomadas. "Vamos tomar conhecimento do problema, visitar o bairro, conversar com a diretoria de Meio Ambiente para pensar nas ações", informa. Ele confirma que recebeu o abaixo-assinado dos moradores e que está ciente do que deve ser realizado no local.
Mutirão
A Prefeitura de Anápolis, por meio das secretarias municipais de Saúde e de Desenvolvimento Urbano Sustentável, iniciou no último dia 28, um mutirão de limpeza em alguns bairros com o objetivo de eliminar focos do Aedes Aegypti, transmissor da dengue e da febre amarela.
A ação começou no Jardim Arco Verde, Setor Sul e Bairro Bom Clima e seguirá para os setores que apresentam maior índice de infestação. Durante os trabalhos os agentes fazem manejos e visitas domiciliares, enquanto as equipes da Diretoria de Meio Ambiente promovem a limpeza dos lotes baldios. Há também a participação da Diretoria de Obras, com o serviço de tapa-buracos.
Com o período chuvoso há um aumento na proliferação do mosquito, por isso, a necessidade de combater o Aedes aegypti. A Secretaria de Saúde ressalta que nenhuma ação será possível se não houver a colaboração da comunidade com alguns cuidados fundamentais para evitar a proliferação do inseto, como, por exemplo, a eliminação dos focos de água parada.
Risco de doenças graves
Os moradores do bairro Dom Pedro II temem a presença do caramujo africano, que pode transmitir duas doenças, a ‘Angiostrongilíase meningoencefálica humana’, que causa dores de cabeça forte e constante, rigidez na nuca e distúrbios do sistema nervoso, e a ‘Angiostrongilíase abdominal’, que causa perfuração intestinal e hemorragia abdominal (cujos sintomas são: dor abdominal, febre prolongada, anorexia e vômitos).
Outra preocupação é quanto a presença de ratos, ratazanas e camundongos que adaptaram-se muito à maneira de viver do homem e tornou-se uma praga. Segundo os estudos, um casal de ratos na idade de seis à sete meses, já produziu uma média de quarenta novos indivíduos, levando-se em consideração fatores limitantes como alimento disponível.
Os ratos e suas pulgas espalham diversas doenças como tifo, febre da mordida, leptospirose, hantavírus, triquinose, salmonelose. O hantavírus (vírus letal transmitido pelos ratos) pode ser propagado, simplesmente pelo caminhar do indivíduo sobre superfície de poeira, através da inalação desta. A febre hemorrágica é o pior tipo da doença causada pelo vírus, provoca hemorragia pelos poros, olhos e liquefaz os órgãos internos com altíssimo grau de mortalidade.
A presença do escorpião também assusta, pois sabe-se que a sua picada leva a dor no local, de início imediato e intensidade variável, com boa evolução na maioria dos casos, porém crianças podem apresentar manifestações graves, como náuseas e vômitos. |
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