Marcos Vieira
A Associação Comercial e Industrial de Anápolis (Acia) retomou na última quarta-feira (3) suas reuniões semanais. O primeiro encontro do ano foi reservado à diretoria, para apreciação das contas do ano passado, já aprovadas pelo conselho fiscal. De acordo com o presidente da entidade, Ubiratan Lopes, a missão este ano é a continuidade de um trabalho de defesa dos empresários da cidade, sobretudo na cobrança do poder público para obras de infraestrutura que garantam condições para o desenvolvimento do setor. Um exemplo recente, destacado nesta entrevista, foi o anúncio feito pelo governador Alcides Rodrigues da licitação das obras do anel viário do Distrito Agroindustrial de Anápolis (Daia). A obra tinha sido solicitada pela Acia, através de Ubiratan Lopes, em uma visita de Alcides à cidade no ano passado. Neste ano também a Acia passa a encabeçar o Fórum Empresarial, que reúne as principais associações e sindicatos do município. Coordenador do Fórum, Ubiratan diz que a entidade se reunirá uma vez por mês e pretende tratar de assuntos macros. “Vamos nos pronunciar em relação a problemas graves”, destaca.
A Acia retomou as atividades nesta semana. A entidade tem alguma bandeira específica para este ano?
No dia 3 reiniciamos as nossas atividades. Em função do estatuto, fizemos uma reunião de diretoria, para aprovação das contas do ano anterior – contas que já foram aprovadas pelo conselho fiscal. O que pretendemos para este ano de 2010 é a manutenção deste trabalho que fazemos durante os últimos três anos, que é auxiliar a classe e defender os direitos do empresário anapolino, especialmente os nossos associados. Está é a nossa função estatutária. Além disso, vamos fazer aquilo que é expectativa do empresariado, que é colocar às autoridades aquilo que realmente a classe precisa. Como, por exemplo, o anel viário que tivemos a felicidade de no dia 7 de outubro de 2009 apresentar ao senhor governador e agora, na última visita a Anápolis, ele nos brindou com a autorização de licitação da obra. Neste caso o projeto está pronto – temos, inclusive, uma cópia aqui na Acia. Vamos ainda continuar trabalhando com outros projetos. Um deles, que foi apresentado no ano passado à diretoria, é o asfalto de Anápolis à Cristalina, passando por Leopoldo de Bulhões. Trata-se de um projeto que depende da diretoria, mas se ela aprovar a Acia estará viabilizando junto aos empresariados no sentido de bancar. Então temos muitos projetos este ano, mas sempre focado no desenvolvimento industrial de Anápolis – essa é nossa função e vamos continuar junto com o senhor prefeito, buscando um distrito municipal ou ampliação do Daia, que também é uma bandeira nossa.
A Plataforma Logística também seria uma bandeira?
Sim. É uma bandeira nossa fazer com que aqueles 122 alqueires, que estão parados, onde foram gastos em torno de R$ 20 milhões, tanto nas obras quanto na aquisição da área, sejam utilizados. Nós queremos acreditar que a Secretaria de Planejamento, que está vinculada àquela área, dê a ela uma destinação daquilo que Anápolis precisa, que é um entreposto da Zona Franca de Manaus e uma Plataforma Multimodal. Mas se isso não for possível, que ela seja destinada à industrialização, que é o que a gente precisa também. O que não se pode admitir é que temos uma área de 122 alqueires parada e estamos perdendo empresas para outros Estados e, principalmente, para outros municípios de Goiás.
Sabemos que a Acia cobra muito a viabilização de projetos de infraestrutura. Recentemente, e o senhor citou agora pouco, foi anunciada a obra do anel viário do Daia. Isso é uma prova que só com a classe sistematicamente pedindo providências do governo teremos melhorias?
Entendemos que em primeiro lugar é preciso fazer parcerias fortes, onde haja uma mão dupla. Temos procurado fazer isso durante os três anos que estamos à frente da administração da entidade. A viabilização de algumas obras especialmente pela reivindicação da Acia representa isso mesmo: trata-se de um alerta que fazemos às autoridades mostrando o que o empresariado precisa para se desenvolver. Sem essas orientações, sem essas parcerias ou mesmo sem os alertas, talvez a gente não tivesse conseguido – por exemplo – a revitalização do eixo principal do Daia com as duas saídas laterais. Essa obra foi um pedido da Acia e parece-me que as máquinas chegaram hoje [03/2] e em 15 dias serão reiniciados os trabalhos. Depois disso, a grande esperança nossa é que o viaduto do Daia seja construído no ano de 2010, conforme prometido pelo senhor deputado federal Rubens Otoni para todas as autoridades e para a imprensa. Também para este ano, conforme prometeu o governador, esperamos a construção do anel viário do distrito. Aí sim a parte de logística para o Daia estará definitivamente pronta.
Fala-se muito que a entrada de Antônio Gomide na prefeitura representou uma mudança de comportamento do poder público. Os empresários também sentem isso?
Sim. Nós já tínhamos um relacionamento com o senhor prefeito ainda na época em que ele era vereador. Desde a época de Câmara Municipal, o relacionamento com Antônio Roberto Gomide sempre foi de confiança. Com a eleição dele, demos continuidade a essa parceria. Ele tem nos ouvido e isso é importante porque antes não acontecia. Hoje a classe empresarial, a Acia, sempre é chamada para discutir os problemas de ordem comercial, industrial e de serviços. Isso é muito bom porque temos a certeza de que podemos colaborar com a administração municipal. O que queremos é que Anápolis esteja pronta para receber os investimentos que temos certeza que virão nos próximos anos. É importante saber que a cidade foi descoberta nos setores industrial, de logística e comercial. Temos um comércio pujante conhecido nacionalmente. Temos um potencial industrial que infelizmente tem sido barrado ultimamente exclusivamente por falta de área no Daia, mas temos certeza que as autoridades – de todas as esferas – estão trabalhando nisso. Temos certeza também que a cidade ficará bem melhor com as obras de infraestrutura que tanto reivindicamos no passado. Assim poderemos abraçar novos empresários, dar mais condições para os que já estão aqui e com isso criar um setor produtivo bastante forte – é essa a tradição de Anápolis.
De acordo com o comportamento dos políticos atualmente, dá para ser otimista quanto à complementação da infraestrutura que a cidade precisa?
Essa é a nossa visão: os projetos estão sendo colocados de acordo com aquilo que nós imaginávamos. E temos certeza que outros virão, como a expansão da rede de água, recentemente fruto de um convênio. Já estão sendo feitas obras preliminares, como viadutos e a conclusão do anel viário da BR-153 e da BR-060. O reinício das obras da Ferrovia Norte-Sul é muito importante, vindo complementar esse projeto de desenvolvimento de Anápolis. Os projetos estão surgindo de todas as esferas de poder, mas eles precisam ser concluídos – isso que é importante.
A Acia assumiu o Fórum Empresarial, que passa a ser coordenado pelo senhor. O que isso representa?
Tivemos a felicidade de passar agora a coordenar o Fórum Empresarial. Já foi feita uma reunião de apresentação e coloquei para todos os presidentes de sindicatos e associações a necessidade de se reunir pelo menos uma vez por mês. Com isso, ficou reservada a última quarta-feira de cada mês para as reuniões, que vão acontecer às 17 horas aqui na Acia. Nestes encontros vamos analisar aquilo que é importante e aquilo que as entidades classistas podem defender e podem alertar as autoridades. Então é muito importante que temos agora um calendário definido, uma programação definida e os problemas também já temos de montão. O importante é que o Fórum Empresarial entrará em assuntos extremamente graves. Nós não vamos discutir assuntos corriqueiros da cidade – é muito importante que deixemos isso bem claro. O Fórum vai se reunir, mas vai se pronunciar em problemas que acreditamos que sejam graves. Nestas questões soltaremos notas à imprensa.
Neste ano eleitoral, a Acia desenvolve o tradicional encontro com os candidatos para firmar compromissos?
Na época certa faremos reuniões com os candidatos de todos os partidos. Como fizemos em 2008, na disputa municipal, também faremos agora, na disputa para o governo estadual. Portanto, devemos apresentar uma programação para os postulantes quando se efetivarem as candidaturas. Será oferecida uma agenda para receber os candidatos na entidade, quando ouviremos a plataforma de trabalho de cada um. Queremos firmar compromissos para Anápolis, principalmente daquilo que será explanado na associação. Vamos continuar alertando as autoridades, inclusive os candidatos, que a Acia vai continuar defendendo com unhas e dentes a manutenção da Secretaria de Indústria e Comércio para Anápolis, como é tradição. Isso queremos ouvir dos postulantes. Com certeza a Acia continuará fazendo o seu papel.