Fernanda Morais
Os números são altos. De acordo com estatísticas da Secretaria Municipal de Saúde, durante os primeiros dois meses do ano foram registrados 576 casos de dengue em Anápolis. Os índices são crescentes. Em janeiro, por exemplo, foram 242 casos confirmados. Já em fevereiro foram 334 novos pacientes com dengue. O assessor técnico da Secretaria de Saúde, o médico infectologista Marcelo Daher, disse que a cidade acompanha a onda de epidemia de dengue, doença que é transmitida apenas pela picada do mosquito Aedes aegypti.
O número de pacientes que contraíram dengue nos dois primeiros meses do ano pode ser ainda maior. Os dados da Secretaria de Saúde mostram ainda que existem pelo menos 408 notificações em andamento. De janeiro até o final de fevereiro, 1084 pessoas procuraram os hospitais da cidade com suspeita de ter contraído a doença. Apenas 100 casos foram descartados. Nenhum óbito foi registrado até o momento na cidade.
Segundo Marcelo Daher, a possibilidade de avanço da doença teria sido anunciada anteriormente ao período chuvoso, época que é comum o avanço nos casos de dengue. Os constantes alertas feitos à população, solicitando que toda comunidade colaborasse para evitar a proliferação do mosquito transmissor da doença, não foram suficientes para despertar os riscos de uma epidemia na cidade. “Sem a colaboração de todos, infelizmente não foi possível evitar o crescimento dos casos”, lamentou.
Diante dos fatos, o assessor técnico elogiou a iniciativa do vereador João Feitosa (PP), que elaborou um pré-projeto de lei que tem como objetivo a aplicação de multa para aqueles que não colaborarem com a limpeza de suas casas ou terrenos particulares. De acordo com Daher, é necessário acrescentar alguns tópicos, como valor da multa inicial, e o que deve ser cobrado em caso de reincidência para que, com redação completa, o projeto seja apresentado para votação na Câmara Municipal. “A ideia é colaborar na elaboração de uma lei que seja completa, para que ela realmente tenha mecanismos para se fazer a cobrança”, disse.
O médico ressaltou que o avanço da dengue em Anápolis está atribuído, entre outros fatores, aos hábitos da população que não está evitando eliminar os criatórios do mosquito. “É o lixo jogado na rua, é o lote que fica fechado anos com acúmulo de entulhos e mato. Esse desrespeito é o responsável pelo crescimento de casos da doença que pode levar à morte. E as pessoas sabem disso, principalmente aquelas que já foram vítimas da dengue”, alertou.
Caos
Marcelo Daher disse que a epidemia de dengue tem levado as unidades de saúde do município ao colapso. O médico informou que a demanda de pacientes é crescente. “Todos os dias a procura aumenta, o que proporciona lentidão para conseguir atendimento”, destacou. De acordo com assessor técnico da Secretaria de Saúde, o Hospital Municipal é o campeão de atendimentos.
A situação é agravada quando o número de médicos e quantidade de leitos disponíveis nas unidades de saúde são inferiores à demanda de pacientes. Segundo Marcelo Daher, a Secretaria de Saúde tem encontrado dificuldades na contratação de médicos plantonistas. O motivo é a baixa remuneração. ”Os médicos estão dando preferência às vagas oferecidas fora da cidade. Em época de epidemia, o atendimento e prestação de serviço apresentam grande disparidade” explicou.
Para tentar melhorar a situação e desafogar o número de pacientes que procuram o Hospital Municipal, o assessor técnico disse que é importante oferecer reforço no atendimento e estrutura nos cais do município. “Existe vontade e esforço da administração em colaborar para melhorar o atendimento ao paciente, mas Saúde é um setor complicado que ficou muito tempo sem grandes avanços em Anápolis”.
O médico ainda faz uma alerta: “Se não houver colaboração de toda população, os números de casos não vão parar de aumentar”. Marcelo Daher completou que após o período de incidência de dengue, já começa a preocupação dos procedimentos que devem ser evitados contra a gripe, principalmente devido à quantidade de óbitos registrados em 2009. “Acredito que esse ano não vai ser o mesmo tumulto do ano passado. E mais uma vez é preciso despertar o interesse da população em colaborar para diminuição dos riscos de epidemia”, concluiu.
Vacinação contra gripe A começa dia 8
A Secretaria Municipal de Saúde informou que terá início na segunda-feira, dia 8 de março, a vacinação contra a Influenza A (H1N1). Ao todo 106.936 pessoas devem ser imunizadas na cidade até o dia 21 de maio, quando se encerra a campanha.
A vacinação será realizada em quatro etapas, de acordo com grupos prioritários definidos pelo Ministério da Saúde. A primeira fase da vacinação, de 8 a 19 de março, imunizará os trabalhadores da rede de atenção à saúde e profissionais envolvidos na resposta à pandemia. Entre os trabalhadores, estão médicos, enfermeiros, recepcionistas, pessoal de limpeza e segurança, motoristas de ambulância, equipes de laboratório e profissionais que atuam na investigação epidemiológica.
A imunização dos profissionais de saúde é para garantir que médicos, enfermeiros, técnicos de enfermagem e demais profissionais estejam protegidos contra o vírus H1N1 e se mantenham sadios para tratar de possíveis pacientes acometidos pela doença. Ainda nesta fase serão vacinados os povos indígenas.
A segunda etapa, entre 22 de março e 2 de abril, abrangerá grávidas em qualquer período de gestação, pessoas com problemas crônicos (exceto idosos, que serão chamados posteriormente) e crianças de seis meses a dois anos. Na lista, entram doenças do coração, pulmão, fígado, rins e sangue; diabéticos, pessoas com debilitação do sistema imunológico e obesos (Grau 3), os antigos obesos mórbidos.
As grávidas começam a ser imunizadas nesse período e poderão tomar a vacina em qualquer outra etapa. As crianças de seis meses a dois anos devem receber meia dose (0,25ml) da vacina e, depois de 30 dias, poderão tomar a outra meia dose.
Adultos de 20 a 29 anos são o público-alvo da terceira fase, que vai de 5 a 23 de abril. A quarta etapa, de 24 de abril a 7 de maio, coincide com a campanha anual de vacinação contra a gripe comum. Nesse período, os idosos serão imunizados para a influenza sazonal, como todos os anos. Se tiverem doenças crônicas, receberão também a vacina contra a gripe pandêmica. A estratégia foi elaborada de forma que a população dessa faixa etária se dirija aos locais de vacinação apenas uma vez. Já as pessoas com idade entre 30 e 39 anos serão vacinadas na última fase, que vai de 10 a 21 de maio.
Locais
Nesta primeira etapa, a vacina estará disponível no Setor de Imunização (Vigilância em Saúde), localizada na Avenida Minas Gerais nº 370, e na Unidade de Saúde Dr. Ilion Fleury, ambas no Bairro Jundiaí; no Hospital Municipal Jamel Cecílio, na Avenida Miguel João, Vila Jussara; no Cais do Jardim Progresso; e no Mini Cais Abadia Lopes da Fonseca, no Bairro São Joaquim.
De acordo com a Secretaria Municipal de Saúde, as pessoas que serão imunizadas deverão levar documento de identificação e o cartão de vacinação para que a dose seja registrada. A medicação é contra-indicada àqueles que possuem antecedentes de reação anafilática a qualquer dos componentes da vacina ou a proteína do ovo.