Marcos Vieira
Foi a partir de 1935, com a chegada dos trilhos da ferrovia, que Anápolis começou a viver uma nova era de desenvolvimento. Na época o município já controlava o comércio regional e o novo meio de transporte garantiu a expansão dessa influência.
Com os trilhos da estrada de ferro, o poder público foi obrigado a melhorar a infraestrutura da região central. A ferrovia também ajudou na chegada de diversos migrantes e imigrantes a Anápolis, que buscavam oportunidades de trabalho na cidade com uma economia em expansão.
Junto à estrada de ferro foram construídos depósitos, armazéns e indústrias de beneficiamento na área urbana, criando assim, o principal entreposto comercial do Estado de Goiás, uma vocação nunca mais abandonada por Anápolis. A dinâmica da cidade movimentava um grande número de produtos agrícolas, produzidos na própria região e nas regiões vizinhas, mas também consumidores. Esse progresso também alavancou a agricultura, antes apenas de subsistência.
A modernização das rodovias acabou favorecendo os comerciantes que negociam com as duas capitais próximas a Anápolis – Goiânia e Brasília – acabando por fazer com que a ferrovia perdesse a influência. Os trilhos foram retirados devido às reivindicações populares e o automóvel ganhou espaço na região central da cidade.
Atualmente, 75 anos depois da implantação da primeira ferrovia em Anápolis, a cidade aguarda ansiosa por um novo projeto do tipo que pode ajudar a mais uma vez mudar o seu perfil econômico. Em obras, a Ferrovia Norte-Sul promete ser um importante canal de escoamento de produtos do Daia, ajudando a dar mais ênfase ao perfil logístico da cidade que conta ainda com a Plataforma Multimodal.
A Ferrovia Norte-Sul é um projeto ferroviário que contempla a construção de uma ferrovia de aproximadamente 2.100 km atravessando as regiões Centro-Oeste e Norte do País, conectando-se ao norte com a Estrada de Ferro Carajás e ao sul com a Ferrovia Centro-Atlântica, buscando com isso reduzir o custo do frete para longas distâncias na região, assim como incentivar o desenvolvimento do cerrado brasileiro. O trecho goiano da Ferrovia Norte-Sul tem extensão de 570 km, desde o Porto Seco de Anápolis até a divisa com o Estado do Tocantins.
Quando estiver plenamente em operação, a Norte-Sul deverá transportar 12,4 milhões de toneladas/ano, com um custo médio de longo prazo equivalente a US$ 15 / 1000 t.km, menos da metade do frete rodoviário.
De acordo com os estudos mercadológicos, a ferrovia poderá absorver cerca de aproximadamente 30% do volume de carga transportada pelas principais rodovias, sendo a carga transportada composta de: commodities minerais e produtos agrícolas partindo do norte em direção ao sul e de combustíveis, fertilizantes e carga geral partindo do sul em direção ao norte. Além disso, como ela já está interligada com a Estrada de Ferro Carajás, da Companhia Vale do Rio Doce, que desemboca no Porto de Itaqui (MA), será o principal meio de escoamento da região, de toda a produção agrícola e mineral destinada ao mercado externo.