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[ 31 07 2010 ]

Cidade das tradições cristãs

Anápolis de Santana, das tradições cristãs e do discipulado missionário

Orisvaldo Pires

 

A historiadora Haydée Jayme Ferreira, em sua obra ‘Anápolis, sua vida, seu povo’, editada em 1981, revela as primeiras referências sobre a devoção católica na região de Anápolis, na virada do século XVII para o século XVIII. As minas de Nossa Senhora do Rosário de Meia Ponte atraíam aventureiros de várias capitanias brasileiras. Surgia a lendária cidade de Meia Ponte, arraial que em 1832 foi elevado à categoria de vila, cujo território abrangia os arraiais do Córrego do Jaraguá, Corumbá e Santana do Rio do Peixe.

 

As minas exauriram-se e a economia local passou a depender da agricultura, pecuária e comércio. O vai-e-vem dos caixeiros viajantes que partiam de Meia Ponte deu início a um lugarejo, formado de palhoças, ponto de parada dos tropeiros, às margens do ‘rego grande’, mais tarde denominado de Ribeirão das Antas. Em 1870 chegou Gomes de Sousa Ramos, vindo de Bonfim, nascido em Jaraguá, filho de Gomes Pereira Ramos e Ana das Dores de Almeida.

 

Em abril de 1870, os fazendeiros Joaquim Rodrigues dos Santos, Inácio José de Sousa, Manuel Roiz dos Santos, Camilo Mendes de Moraes e Pedro Roiz dos Santos, motivados por Gomes de Sousa Ramos, doaram alguns alqueires de terra para a Senhora Santana. Em 1871 a capela começou a ser construída. O primeiro capelão foi padre Francisco Inácio da Luz. A capela inicialmente pertencia à Paróquia de Pirenópolis, depois, em agosto de 1873, foi criada a Paróquia de Santana.

 

Depois de 83 anos da criação da primeira paróquia da então freguesia de Santana das Antas, foi criada a Diocese de Anápolis, pela Bula Pontifícia do Papa Paulo VI ‘De animarum utilitate’, de 28 de outubro de 1966, instalada em 10 de dezembro daquele ano. O primeiro bispo foi Dom Epaminondas José de Araújo, falecido recentemente. Ficou de 1966 a 1978. O segundo bispo foi Dom Manoel Pestana Filho (1979-2004). No dia 14 de agosto de 2004 iniciou seu ministério em Anápolis Dom João Wilk, OFMConv.

 

A Diocese de Anápolis é constituída de 19 municípios. Ao todo são 46 paróquias, contando as capelanias. A Cúria Diocesana divulga, através de seu catálogo anual, que na Diocese atuam 52 sacerdotes residentes incardinados, 8 residentes não incardinados, 17 residentes no estrangeiro, 5 residentes fora da Diocese e 2 sem exercer o ministério. São 34 os sacerdotes religiosos. Ao todo 86 sacerdotes atuam na Diocese. Também atuam 15 diáconos permanentes e 6 temporários. E ainda estão instalados na Diocese institutos, comunidades, ordens e congregações religiosas. A Diocese de Anápolis vai celebrar, em 2016, seu jubileu de ouro. Este será o marco conclusivo do Projeto das Santas Missões Populares, projeto iniciado a partir das motivações da V Conferência Episcopal Latino-Americana, realizada em 2007 em Aparecida (SP).

 

O bispo diocesano, Dom João Wilk, desde sua posse em 2004, já ordenou 28 sacerdotes e criou 11 novas paróquias, uma capelania e uma quase-paróquia. Uma das prioridades pastorais na Diocese é a Pastoral Vocacional. O Seminário Maior Diocesano, que em 2010 comemorou seus 30 anos de fundação, é referência da Igreja Católica no Brasil na formação presbiteral. A formação é coordenada por padres diocesanos, com o apoio do Mosteiro da Santa Cruz. Todos os anos o seminário conta com pelo menos 60 estudantes, nos diversos graus: Menor, Propedêutico, Filosofia e Teologia.

 

Uma das características importantes da atuação da Diocese de Anápolis é a integração entre as tradições culturais e as manifestações de fé do povo. A Diocese é constituída por cidades históricas como Pirenópolis, Corumbá de Goiás, Posse D’Abadia e Jaraguá, onde são fortes as manifestações especialmente dedicadas ao Divino Pai Eterno, como as cavalhadas, folias e procissões de carro de boi. Para amparar e zelar por esta história de cultura e fé, Dom João Wilk anuncia a criação do Instituto Museu de Arte Sacra da Diocese. Para marcar o jubileu de ouro será confeccionado um álbum comemorativo. O processo de coleta de material já foi iniciado.

 

O olhar pastoral da Diocese de Anápolis está voltado para prioridades como formação vocacional, família, catequese e juventude. Dom João Wilk mostra-se satisfeito com o aumento de sacerdotes, o que segundo ele permite dar equilíbrio às necessidades pastorais. A cidade cresce a cada dia, novas paróquias precisam ser criadas, e os novos padres suprem as necessidades pastorais da Diocese. É necessário destacar ainda a atuação da Faculdade Católica de Anápolis como instrumento importante no processo de formação.

 

Nos últimos anos Dom João Wilk realizou visitas pastorais em todas as paróquias da Diocese. Foram realizadas três assembléias diocesanas em torno do tema ‘discípulos missionários’, com a proposta do projeto pastoral Diocese em Missão.  Em 2010 foram realizados dois módulos da Escola Diocesana de Missionários. Neste mês de julho foi realizado o 4º Módulo da Escola Catequética, que fecha a formação de três turmas de catequistas para a atuação nas paróquias. Na Vila Nossa Senhora D’Abadia está em andamento a obra de construção de um Centro Pastoral, onde funcionará a nova Cúria Diocesana.

 

No momento em que Anápolis celebra 103 anos em franco processo de desenvolvimento, a Diocese de Anápolis também experimenta amadurecimento pastoral, em unidade com a Igreja Universal, da América Latina e do Brasil, no rastro das orientações do Concílio Vaticano II. Os diálogos ecumênico e inter-religioso são exercitados com serenidade e respeito mútuo, assim como o entendimento com os representantes da sociedade civil e autoridades. Em todos os projetos e ações, a Igreja Católica reforça a condição de seus membros como discípulos missionários de Jesus Cristo.


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