Marcos
Aurélio Silva
O Dia Nacional de
Combate à Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes, que será celebrado na
próxima sexta-feira (18), ainda é marcado por tristes estatísticas. Por mês,
uma média de 15 denúncias do crime chega ao Centro de Referência Especializada
de Assistência Social (Creas) de Anápolis.
A coordenadora do Creas,
Andréa Ferreira Lins, considera que os casos de violência sexual contra
crianças e adolescentes registrados em Anápolis, são altos devido à gravidade
do crime, mas que as ocorrências ainda estão na média de uma cidade do porte de
Anápolis. Para ela, o problema é crônico e infelizmente é uma realidade
mundial.
Por ser em grande parte
doméstica, a violência sexual contra crianças e adolescente é uma questão ainda
pouco visível e difícil de ser qualificada, o que dificulta a responsabilização
dos agressores. O mais frequente tipo de violência a que estão sujeitas
crianças e adolescentes é aquele denominado estrutural, em função da precária
situação socioeconômica das famílias das quais grande parte das crianças e
adolescentes vítimas se originam.
Por tal característica,
Andréa Lins relata que o maior número de denúncias contra o crime é feitas por
pessoas das camadas sociais menos privilegiadas economicamente. “É algo que
está presente em todas as classes. Mas como a violência sexual acontece
geralmente no seio da família, com pessoas que são do convívio da criança,
então as pessoas têm mais
dificuldades de denunciar pela questão da exposição”, pontua.
A coordenadora do Creas,
salienta que o trabalho de orientação e informação sobre a violência sexual
contra crianças e adolescentes é a melhor forma de prevenção. Ela salienta que
a ação tem inclusive resultados significativos em relação às denúncias. “Sempre
que fazemos alguma mobilização, sentimos que há o aumento no número de casos
denunciados. Isso demonstra a importância da informação”, comenta.
Denúncias
Qualquer cidadão que
saiba ou suspeite de algum caso de violência sexual deve procurar o conselho
tutelar ou telefonar para o Disque Direitos Humanos – Módulo Criança e
Adolescente, o Disque 100.
Trata-se de um serviço
de proteção de crianças e adolescentes com foco em violência sexual, vinculado
ao Programa Nacional de Enfrentamento da Violência Sexual contra Crianças e
Adolescentes.
A equipe do Disque
Direitos Humanos ouve, orienta e registra a denúncia, encaminhando-a para a
rede de proteção e responsabilização, além de monitorar as providências
adotadas para informar a pessoa denunciante sobre o que ocorreu com a denúncia.
A ligação é gratuita e a identidade do denunciante é mantida em sigilo.
O serviço funciona 24h
por dia, inclusive aos finais de semana e feriados. As denúncias recebidas são
analisadas e encaminhadas aos órgãos de proteção, defesa e responsabilização,
de acordo com a competência e as atribuições específicas, priorizando o
Conselho Tutelar como porta de entrada, no prazo de 24 horas.
Legislação
O Brasil tem avançado na
luta contra a exploração e o abuso sexual de crianças e adolescentes, mas os
desafios para acabar com o problema ainda são muitos. Só neste ano, o Disque
Denúncia da Secretaria Especial de Direitos Humanos vem recebendo uma média de
73 ligações por dia.
Na Câmara Federal
tramitam 21 propostas que pretendem aprimorar as leis que tratam do tema. A
metade torna hediondos esses crimes. A Lei 8072/90 define como tal o estupro e
o atentado violento ao pudor. A pena para um crime hediondo deve ser cumprida
integralmente em regime fechado. Além disso, ele é insuscetível de anistia,
graça, indulto e fiança.
Há ainda propostas que
preveem o aumento de pena para esses crimes, além da castração química dos
autores e orientação a professores para que identifiquem nos alunos os sinais
de abuso. A maioria delas, portanto, aposta em penas mais duras para coibir os
crimes de abuso e exploração.
Se a condenação for de
reclusão, a pena é cumprida em regime fechado, semiaberto ou aberto. Na
detenção, cumpre-se em regime semiaberto ou aberto, salvo a hipótese de
transferência excepcional para o regime fechado. Há ainda prisão simples,
prevista para as contravenções penais, e que pode ser cumprida nos regimes
semiaberto ou aberto. O crime prescreve em 20 anos. Se os crimes de violência
sexual se tornarem hediondos, serão inafiançáveis e os criminosos só poderão
obter regime facilitado se cumprirem pelo menos 40% da pena.
Mobilização
A 1º Concentração de
Apoio ao Combate do Abuso e Exploração Sexual de Crianças e Adolescentes será
próximo sábado, 19, a partir das 14 horas, na Praça Dom Emanuel. A iniciativa
vai promover uma tarde de orientação e informação para prevenção de casos de
abuso e exploração sexual de crianças e adolescentes. O evento ainda será
maçado pela defesa da liberdade de uma vida saudável e feliz para as crianças.
Para atrair a atenção do
público, haverá distribuição de pipoca, algodão doce, refrigerante e brindes,
além de materiais educativos e informativos. Serão realizadas também breves
palestras de autoridades e especialistas no assunto, shows, teatro, animação
com palhaços, grupo de dança, brinquedos infláveis e muito mais. O evento conta
com o apoio da Polícia Civil, Juizado da Infância e Juventude e Centro de
Referência em Assistência Social.