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[ 24 03 2007 ]

Considerações acerca de um reles farsante

Cartão vermelho não a ele, Celso. Mas à sua completa falta de importância no cenário político e administrativo de Anápolis

Aos 29 anos ainda não descobri uma série de coisas sobre a minha própria existência. Das mais complexas às mais simples e ululantes, sempre há dúvidas. Em situações em que me sento para escrever como o faço agora, sempre fico na cantilena duvidosa se sou corajoso demais ou se sou simplesmente um imbecil. Os dois extremos se unem quando reflito sobre a minha incapacidade de me esconder por detrás das palavras. Eu não sei escrever por linhas e linhas sem dizer a que vim, ou sobre quem escrevo. Acho, ainda, que todo exercício de grande coragem não passa de uma sublimação da imbecilidade. Mas aos 29 anos já aprendi que entender os próprios defeitos e limites é fundamental.

E este artigo é sobre um advogado e atual secretário particular (?) do prefeito de Anápolis. É sobre um homem chamado Afonso Celso Teixeira Rabelo: um arremedo de cidadão, um farsante.

Posto isto desde já, vamos às explicações.

Em artigo assinado e publicado em um jornal da cidade, denominado Contexto, o advogado discorreu sem citar nomes sobre um "certo cartão vermelho" em um "certo canal de televisão da cidade", um canal "comunitário". Se sobrou covardia ao autor para citar nomes e situações, faltou em inteligência porque o caminho que ele não quis apontar foi apontado claramente. Afonso Celso conectou palavras e pequenos ensaios de uma agressividade de jardim de infância, na defesa de uma coisa inexistente e – sobretudo – partiu ao ataque contra o que considera "jornalismo de oposição".

Cabe aqui explicar do que ele tentou falar. No programa Câmera Aberta, no qual eu participo ao lado dos jornalistas Flávio Mobaroli e Marcos Vieira, que vai ao ar às quartas e sábados na TV Anápolis – emissora comunitária – temos por costume distribuir cartões, seguindo a lógica das cores verde, amarela e vermelha. Em um dos programas, este trio selecionou dar cartão vermelho e "mandar ao chuveiro" o Concema – Conselho Consultivo do Executivo do Executivo Municipal de Anápolis.

Tudo por conta de uma carta aberta publicada pelo referido conselho em que o grupo decidira dar um puxão de orelha nos políticos de Anápolis e demais lideranças que deveriam ajudar Anápolis e não o fazem. No texto, parece que a cidade mantém iridescente a sua capacidade gestora. Tudo é muito belo. A única dificuldade está na falta de apoio de quem está fora do Executivo. Uma miopia tão grande que merece até uma releitura, diante do absurdo que se trata. O material foi veiculado no mesmo jornal que Celso usou para fantasiar-se de paladino.

Na Câmara Municipal de Anápolis, vereadores como Sírio Miguel e Amilton Batista criticaram abertamente o conteúdo da mesma carta aberta. Como disse: tamanho o absurdo das considerações. Um vereador é de oposição, outro, ex-líder do prefeito, o que dá o tom da imparcialidade e gravidade da situação.

Dado o cartão vermelho, Afonso Celso tomou-se de incrível motivação para fazer alguma coisa. A mesma motivação que talvez lhe falte para trabalhar pela cidade de Anápolis. Ele não o faz. Ele apenas cumpre seu papel de pajear ao prefeito, seu amigo de longa data. Todas as vezes em que Celso aparece na mídia é para fazer defesas intransigentes e quase sempre atabalhoadas da administração municipal. E quase sempre o que ele vaticina não dá certo.

Entre as clássicas de Afonso Celso está a crítica feita através de veículos de comunicação dando conta de que "a Justiça errou". Isto deve prejudicá-lo não somente como cidadão cuja sanidade mental aparentemente está em ordem e passa a ser questionada livremente, quanto na sua profissão de advogado, que insistia em dizer que "promotor, juiz e desembargadores (isto mesmo, no plural)" estavam todos errados. Celso se coloca pateticamente quixotesco, querendo lutar contra os mais impossíveis fatos e provas. Fica em suspeição seu futuro profissional. Ele não parece ter muito que fazer enquanto militante do Direito, tendo em vista que vai ser difícil depois desta exposição como um adivinho às avessas dos pensamentos jurídicos, que alguém lhe entregue uma ação. Ficou claro que em se tratando de Justiça, o que ele entende mesmo é de bajular o chefe.

Mas foi este tipo de indivíduo que resolveu, portanto, defender o Concema. O Concema é formado por médicos e empresários de renome na cidade. Algo como uma estante-cristaleira da vovó, em que lá existem peças antigas, até cobiçadas, mas tão inatingíveis no dia-a-dia que fica até difícil saber em determinado momento para quê que elas servem efetivamente. Alguns destes nomes que compõem o Concema foram os mesmos que ajudaram política e financeiramente a eleger o atual prefeito, Pedro Sahium. Portanto é responsabilidade (culpa) deles que Sahium seja hoje o grande líder político da cidade. Por conseguinte, em sendo assim, nada mais justo que todos se unam na tarefa hercúlea de salvar o prefeito. E nada mais injusto que colocar a culpa dele nos ombros dos outros. Mais uma vez: por esta atitude, cartão vermelho.

Mas Afonso Celso não se conformou.

Chateadíssimo e com tempo de sobra (mais de uma fonte garante que o horário de "trabalho" do secretário, com salário superior a R$ 6 mil, se resume em tomar um café, ler os jornais e conversar com o prefeito. Tudo isso quase sempre pela manhã, bem entendido), Celso decidiu lançar-se à escrita e à ameaça. Ele inicia seu arrazoado defendendo o que considera um manifesto de amor à cidade. Não seria amor próprio? Porque o que fica claro é que os "concemas" não fazem mais do que tirar o alvo do peito do prefeito e colocar no peito dos outros. Em sendo alguns deles responsáveis pela ascensão de Sahium ao cargo de prefeito, eles nada mais fazem que defender a própria pele. "Quem pariu Mateus, que o embale".

Depois, Celso exalta o sobrenome dos ilustres e deslinda os nomes pomposos, como se isto valesse mais no mundo da cidadania que certamente ele não vive. Os sobrenomes importantes e os grandes arrecadadores, pelo menos na prática do bom jornalismo, valem em peso, medida, cheiro e aspecto o mesmo que o cidadão que nada tem a oferecer de vultuosidade financeira, mas arca corretamente com suas competências e compromissos. Afonso Celso não sabe nada de cidadania e decência no trato da coisa pública. Senão, vejamos:

Foi ele quem empregou o próprio filho no Instituto de Seguridade Social de Anápolis e depois o colocou à disposição do gabinete municipal. Tudo isso com um detalhe, talvez para ele quase imperceptível e lúgubre: o filho morava o tempo todo de sua nomeação e "trabalho" nos Estados Unidos. Mas recebia como se trabalhasse. Grande exemplo. Sírio Miguel, vereador, sustenta esta denúncia aos quatro ventos e até colegas secretários de Celso confirmam a procedência desta imoralidade, desta ilegalidade.

Só isso. Está bom ou precisa de mais? Certamente o Concema – se tomou conhecimento da defesa do jurista Celso – de estar envergonhado de ter arrumado – à mercê da sorte – um defensor com este brilho.

Mas continuando no arremedo de artigo de Afonso Celso.

Ele diz em tom superior e ameaçador que iniciou "um instigante estudo sobre o que vem a ser uma TV comunitária". Para isso, Celso fez algo que deveria ter feito antes de emitir opiniões tendenciosas e fantasiosas sobre a Justiça goiana: consultar as leis brasileiras. Afonso Celso Teixeira Rabelo não quer outra coisa senão ensaiar uma pressão frente a um veículo de comunicação que pratica o que ele considera um "jornalismo de oposição", ou seja, um jornalismo que mostra o que acontece indiscriminadamente no município: problemas com infra-estrutura, com ações sociais, com logística de operação nas ações em Saúde, com dificuldades de manter a transparência das contas públicas, com condenações e demais imbróglios com a Justiça.

Também mostras as coisas boas e realizações positivas nas pastas do município. Como citei: indiscriminadamente.

Afonso Celso faz parte e é responsável pela gestão política (?) de uma administração cassada. Em duas instâncias. Somente ele não se deu conta disto. Portanto, este meu artigo serve para alertá-lo e poupá-lo de mais constrangimentos futuros. Aqui, a ele, repito:

Afonso Celso, a administração do seu chefe foi cassada. Cometeu crimes, é lesiva à população. (Duvido que ele entenda do que é ser lesivo ao povo, já que ele quis colocar o povo para sustentar seu filho em outro país, mas aqui faço a minha parte).

Portanto, a mando de seu chefe, ele iniciou o instigante estudo não sobre como arrecadar mais impostos, como não deixar que medicamentos faltem aos doentes de Aids como acontece hoje em dia, não sobre como é possível minimizar as crateras que engolem carros e casas ao longo do município, como na Rua Oriente. Afonso Celso não está nem aí para a cidade e seu povo. Ele quer usar o difuso brilho de sua mente para fazer o trabalho sujo do prefeito. Além de carregar a sua pasta e arrumar sua mesa de trabalho, ele ainda se presta a tentar oprimir um canal de TV e seus jornalistas.

Isto porque este canal de TV mostra o que acontece com a cidade com a administração – cassada – que ele participa. Ele considera isso "jornalismo de oposição", como mostra seu texto.

Assim, insiro por conta própria neste rol de "jornalismo de oposição" veículos e nomes, como este Jornal do Estado, Rádio São Francisco e Rádio Manchester, para citar alguns que costumam mostrar – tal qual acontece – os desdobramentos sociais, políticos e administrativos da cidade. No mesmo espaço onde ele escreveu o seu artigo opressor e em defesa dos colegas conselheiros, há um artigo de Jairo Mendes, radialista do Bate-Rebate, programa matinal da Rádio São Francisco. O título é "Administração de botequim". Certamente Jairo Mendes deve ser um dos ícones deste "jornalismo de oposição". Jairo é isto mesmo. É desta gente que insiste em mostrar a cidade como ela é. Sem rodeios, maquiagens e, sobretudo, sem mentiras. Insiste em ser claro e transparente e é capaz de elogiar e criticar na mesma intensidade. Isto, em certas cabeças, deve ser crime.

Cabe aqui um rápido parêntese. É esta emissora de TV que Afonso Celso contesta e afirma ser "de oposição" ou tendenciosa que foi agraciada com uma mensagem do legislativo anapolino em congratulações pelo "excelente trabalho desenvolvido no município, dando ênfase à divulgação de importantes matérias, sobretudo voltadas ao interesse da sociedade anapolina". Este é o texto da mensagem. Data do dia 14 de março deste ano, foi proposta pela vereadora Dinamélia Ribeiro e foi aprovada por unanimidade. Atenção: unanimidade. Até os vereadores governistas aprovam o que faz e mostra a TV Comunitária de Anápolis.

Como sempre questiono a capacidade de entendimento deste cidadão Celso, vou repetir o teor para que fique claro. Por favor, demais leitores, podem pular o parágrafo abaixo:

Congratulações pelo "excelente trabalho desenvolvido no município, dando ênfase à divulgação de importantes matérias, sobretudo voltadas ao interesse da sociedade anapolina".

Pronto.

Este secretário particular não sabe o que acontece na cidade e com seu povo porque certamente não vive nela. Não sai à rua. Em seu texto ele tenta reverter o cartão vermelho numa tentativa frustrada de promover a figura de linguagem denominada "ironia". É triste ver um assessor pago pelo povo tentar usar ironia enquanto a cidade se dissolve nas mãos dele e do seu chefe. Ele quer ter a grande sacada quando na verdade deveria ter vergonha de não arregaçar as mangas e sair ao trabalho, como fazem Marisa Espíndola ou mesmo Fábio Maurício. Este último, aliás, que dá a cara para bater e se expõe a situações incrivelmente negativas e constrangedoras, mas que sabe da necessidade de fazer isso: afinal, ele quer o bem da cidade. Mire-se, Celso. Aprenda com Fábio Maurício.

O cartão vermelho que ele quer dar aos participantes do "Câmera Aberta" já foi dado. E foi a ele e à sua intrépida trupe de trapalhões municipais. Gente que deixa remédio faltar porque "esqueceu" de ir buscar em Goiânia o material. Não é ironia minha ou hipótese, não. Aconteceu esta semana, confira o noticiário. Isto aconteceu com doentes de Aids, que ficaram sem remédio. Mas o diretor administrativo "prometeu" que isso não vai acontecer. Só falta prometer castigo e joelho no milho. Quanto profissionalismo e atenção.

Quem deu este cartão vermelho não foi somente o povo que confere ao Governo Sahium a marca superior a 65% de desaprovação, de acordo com pesquisas realizadas em setembro do ano passado e devidamente registradas. O cartão também foi dado pela Justiça – novamente – em duas oportunidades: aqui em Anápolis e no Tribunal de Justiça. O cartão foi mostrado por cada cidadão que se sente desmotivado a pagar impostos porque não tem seus direitos civis atendidos e ainda é obrigado a assistir de camarote a desvios de Fundef, irregularidades na construção muitíssimo mal explicada de boxes do Mercado do Produtor, e demais assuntos abordados numa CEI.

Afonso Celso não sabe de nada do que acontece nesta cidade. Apenas sabe abaixar a cabeça para sobrenomes diferentes e de grande geração de PIB. É um arrumador da sala do prefeito. Como analista jurídico e social é esta lástima que emprega o filho ausente.

E saiba que os veículos de comunicação ele não vai calar. Estes que insistem em ser da "oposição", ele não vai calar. A mim, numa perspectiva bem pessoal, ele só cala por "susto, bala ou vício", como cantou o poeta. Que se sinta à vontade como melhor lhe convier. Do contrário, nada feito. Nasci vacinado do temor da covardia cujo expediente Afonso Celso acha que sabe usar ao imaginar que pode constranger ou calar ao citar um punhado de leis que – confesso – as sei de cor, talvez melhor do que ele que vive, em tese, delas.

Ao questionamento que ele fez, não cabe qualquer rastro de explicação ou esclarecimento. É o manifesto de um covarde. E a Providência deu-me ainda não sei se por sorte ou azar o desprovimento da covardia. Nasci sem este medo da opressão, como já citava sobre si próprio Juscelino Kubitschek. Consulte a História.

Nesta trajetória que estamos todos inseridos, há vários tipos distintos de cicatrizes. Há os que, como eu, ostentam o peito marcado pela luta frontal e injusta contra estas mazelas e desmandos políticos que fazem o povo ser mais triste, mais sofrido e muitas vezes sucumbir. Há os que, no jornalismo mesmo, trazem marcas nas costas, das recorrentes vezes em que correm para se esconder debaixo da cama e lanham-se. Fazem isso para se esconder do compromisso social e moral de denunciar, gritar e mostrar o que há de errado. Alimentam-se das rações vindas dos bolsos e cofres públicos.

E há aqueles que guardam dentro da própria boca as suas feridas e cicatrizes. Eles trazem estas marcas na língua, oriundo do gesto recorrente e quase automático de raspar sua língua nos coturnos, lamber botas e sapatos caros de seus ídolos, fazendo deles a coisa mais importante de toda a existência e se esquecendo que é preciso respeito antes de tudo. Aliás, antes de tudo mesmo, é preciso respeito-próprio. Nesta terceira categoria encontra-se Afonso Celso Teixeira Rabelo que se desdobra e reinventa para agradar o dono da pasta que ele carrega. (Ainda segundo disse o vereador Sírio Miguel em sessão plenária, Afonso Celso serve para "pegar fila em lotérica e lavar o carro do chefe. Essa é a função do secretário particular").

Cartão vermelho não a ele, Celso. Mas à sua completa falta de importância no cenário político e administrativo de Anápolis. A cidade sem ele vai mal. Com ele nos palpites e pitacos a cidade se destrói. Afonso Celso é isso: não passa de um farsante que finge ter qualquer importância no dia-a-dia político de uma cidade importante como Anápolis.

E pensar que tem gente que acredita nisto.


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