Não haverá obras de readequação de curto prazo nem está prevista nova sinalização nas pistas. De acordo com a Infraero, a Agência Nacional de Aviação Civil (Anac) comunicou oficialmente as companhias aéreas e os pilotos estão avisados sobre a redução das pistas - a principal, que tinha 1.940 metros, passa a ter 1.640 metros de extensão; a secundária ficará com 1.195 metros.
O ministro da Defesa, Nelson Jobim, anunciou as mudanças na última quinta-feira. Na briga por mercado, a Gol deve ser a mais afetada pelas restrições operacionais, uma vez que os modelos Boeing 737-800 usados pela companhia necessitam de pelo menos 1.640 metros para conseguir frear. Para as demais empresas que operam em Congonhas - TAM, OceanAir e Varig, além dos táxis executivos -, a redução do tamanho das pistas terá poucos reflexos.
Jobim ainda não definiu o que será feito nas áreas de escape criadas com a redução das pistas. O mais provável é que a Infraero seja orientada por seus técnicos a instalar o sistema conhecido como concreto poroso. "É um tipo de asfalto que faz o avião atolar", explicou na sexta-feira o ministro, em visita a Guarajuba, litoral norte da Bahia.
Para o engenheiro Alexandre Duarte Santos, professor da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ) e especialista em sistemas de contenção de aeronaves, essa é a alternativa mais indicada. Segundo ele, um estudo elaborado pela agência de aviação civil dos Estados Unidos (FAA, na sigla em inglês) mostrou que 86% dos acidentes provocados por erros operacionais poderiam ter sido evitados com o uso do concreto poroso.
O custo da instalação, ainda de acordo com o engenheiro, seria de US$ 5 milhões. "Não é nada se comparado aos benefícios", disse Santos. O engenheiro também sugere construir uma espécie de viaduto na cabeceira vizinha à Avenida Washington Luís, a fim de aumentar a área de escape sem alterar o comprimento original das pistas.