O julgamento da Scotland Yard pela morte de Jean Charles, assassinado a tiros em uma estação do metrô na capital londrina em 22 de julho de 2005, um dia depois de atentados terroristas fracassos em Londres, será retomado na segunda-feira e deve durar mais duas semanas.
O júri ouviu os depoimentos de vários policiais, médicos legistas e advogados, e assistiu aos vídeos das últimas cenas da operação que matou o brasileiro, com sete tiros na cabeça, duas semanas depois de quatro camicases terem matado 52 pessoas na rede de transporte da capital britânica.
Nestas três semanas, o júri ouviu testemunhos que evidenciam alguns "erros catastróficos" cometidos pela Scotland Yard na operação.
Entre eles, vários policiais admitiram que poderiam ter detido Jean Charles várias vezes, mas foram impedidos, até que a unidade de elite interveio e o matou com sete tiros na cabeça.
A corte ouviu também vários policiais que defenderam a atuação da Scotland Yard, que está sendo processada por infrações à saúde e à segurança na operação que acabou com a vida do eletricista brasileiro de 27 anos.
"Fizemos esta operação para proteger o público", afirmou um policial identificando-se como Ralph. Ele falou, assim como todos os policiais que deram depoimento, atrás de uma cortina preta e usando um falso nome.
Mas ninguém até agora assume ter dado a ordem de matar o brasileiro. Os policiais que o mataram não vão prestar depoimento ao júri.
Quinta-feira, a responsável da operação, Cressida Dick, negou ter dado ordem de matá-lo e disse que só havia dado ordem de prisão.
Segundo um especialista em arma de fogo, os policiais dispararam oito vezes contra Jean Charles, quando ele já estava jogado no chão do vagão do metrô. Eles usaram balas destinadas a provocar morte imediata.
Dick afirmou ainda que Jean Charles se parecia muito com um dos terroristas procurados pela polícia, Hussain Osman.
Os advogados da polícia apresentaram a o júri, e ao público, uma fotomontagem comparando os dois semblantes, para justificar a confusão que fizeram.
Mas quarta-feira, a advogada da acusação Clara Montgomery afirmou que a foto de Jean Charles de Menezes havia sido manipulada para sugerir a tal semelhança com Osman.
Dick reiterou ao júri a alegação da Scotland Yard: de que a morte de Jean Charles foi uma "tragédia", mas não um crime.