Os aparelhos desfibriladores salvam, em média, uma pessoa por dia, em casos em que ataques cardíacos ocorrem fora dos hospitais. A informação é de um estudo que envolveu 11 áreas rurais e urbanas nos Estados Unidos e no Canadá, que participam de uma rede de comunidades envolvidas no estudo e desenvolvimento do atendimento a emergências extra-hospitalares.
Segundo os registros, o uso dos desfibriladores externos automáticos acompanhados de manobras de ressuscitação cardiopulmonar (RCP), realizadas por pessoas que prestam os primeiros socorros até a chegada da ambulância, salvaram 412 pessoas entre novembro de 2005 e dezembro de 2006.
Os pesquisadores compilaram os dados de dez mil paradas cardíacas atendidas no período. As manobras de ressuscitação feitas por leigos foram realizadas em 30 % dos casos e o desfibrilador com as manobras em 2,5 % dos atendimentos. A sobrevivência até a alta hospitalar das vítimas que receberam as manobras de RCP, porém sem o uso do desfibrilador externo automático (AED), foi de 8%. Quando o aparelho foi usado em conjunto com a ressuscitação, o índice de sobrevivência foi de 33% , quatro vezes maior.
Os desfibriladores externos automáticos são aparelhos capazes de identificar, através de pás adesivas colocadas no tórax, alterações do ritmo do coração -- que quase na totalidade das vezes (acima de 95%) são responsáveis pelas paradas cardíacas em adultos --, e de liberar uma corrente elétrica capaz de reverter esse ritmo fatal.
A melhora nos índices de sobrevivência é o resultado de um programa, desencadeado anos atrás, que patrocinou o treinamento de pessoas leigas no atendimento a paradas cardíacas e estimulou a colocação dos desfibriladores em locais de grande movimento de público como estádios, estações de trens e aeroportos, por exemplo.
O trabalho apresentado no Congresso da Associação Americana do Coração, em Orlando, reforça a importância da rede de sobrevivência, que envolve o treinamento do público em geral, o acesso aos desfibriladores e a existência de sistemas de atendimento de emergência para garantir a continuidade do tratamento.
No Brasil existem iniciativas isoladas com leis municipais que determinam a colocação dos desfibriladores em locais de grande movimento. Existe um projeto de lei federal sobre o assunto, que partiu do Senado federal e está parado na Câmara dos Deputados.
O treinamento para atendimento a paradas cardíacas e uso dos desfibriladores está padronizado no mundo todo e disponível no Brasil através de centros de treinamentos.