O índice reverteu sua tendência nos últimos cinco anos, quando vinha caindo; o IPCA tinha sido de 12,53% em 2002, de 9,30% em 2003, de 7,60% em 2004, de 5,69% em 2005 e de 3,14% em 2006.
O IPCA é o índice de inflação que serve de referência para as metas de inflação do Banco Central. O centro da meta é 4,50%, com tolerância de dois pontos para cima e para baixo.
"Veio em linha com o que imaginava, com muito peso de alimentação, que foi o grande destaque do ano", afirmou à Reuters Silvio Campos Neto, economista-chefe do Banco Schahin.
Segundo o IBGE, os alimentos e bebidas foram responsáveis por mais da metade da alta do IPCA no ano passado. Esse grupo subiu 10,79% em 2007. Já os preços administrados e monitorados, como os de energia, tiveram desaceleração em 2007, segundo o órgão.
O item que mais contribuiu para a alta da inflação foi a carne, que subiu 22,15% no ano passado e acrescentou 0,39 ponto percentual ao índice. Em seguida veio o item leite e derivados, que subiram 19,79% e acrescentaram 0,36 ponto ao índice.
Já o feijão subiu 109,20% no ano passado e contribuiu 0,31 ponto percentual para o índice.
O IBGE apontou como fatores para a alta dos alimentos "condições climáticas desfavoráveis, com chuvas intensas no primeiro semestre e longa estiagem no segundo; preços elevados dos produtos cotados no mercado internacional; aumento das exportações, favorecido por problemas climáticos em países produtores; redução de safra por baixa remuneração em períodos anteriores; e aumento da demanda por alimentos, tanto interna quanto externa".
Quedas
Os itens que mais contribuíram para segurar a inflação no ano passado foram a gasolina (-0,69%), os móveis (-1,14%) e os eletrodomésticos (1,84%). Vários itens não-alimentícios registraram forte queda, segundo o IBGE, como a energia elétrica, que caiu 6,16% em 2007.
"A variação se deveu aos seguintes fatores: câmbio em queda, o que favoreceu o custo dos importados, estimulou a concorrência e levou à redução das tarifas de energia elétrica; aplicação de índices de correção específico em substituição aos gerais; alteração de metodologia de cobrança das contas de telefone fixo de pulso para minutos" e à inexistência de reajustes da gasolina e dos ônibus urbanos em algumas regiões, disse o IBGE.
Neste ano, as tendências dos preços de alimentos e de preços administrados devem se inverter. "Em 2008, vamos ver uma diferença de composição, com os administrados mais pressionados e alimentação ainda alta, mas menos do que ocorreu em 2007. Esperamos um IPCA ligeiramente abaixo do de 2007, de 4,30%", afirmou Campos Neto.
Dezembro
A inflação pelo IPCA teve em dezembro a maior alta do ano de 2007, de 0,74%. O avanço de 2,06% registrado pelos alimentos e bebidas dentro do IPCA em dezembro de 2007 foi o maior desde janeiro de 2003, quando a taxa para o grupo atingiu 2,15%.
O patamar coroou um ano em que os alimentos foram os grandes vilões da inflação. Pior para quem não dispensa carne, leite e feijão na alimentação. As carnes subiram 8,20% em dezembro.
Segundo Eulina Nunes, coordenadora de índices de preços do IBGE, a pressão sobre o IPCA aconteceu em dois momentos distintos no ano passado, sempre acompanhando pressões vindas dos alimentos.
No primeiro trimestre o índice acumulou alta de 1,26%, conseqüência das fortes chuvas, para se estabilizar nos dois semestres seguintes em altas de 0,81% e 0,89%. Em dezembro, a pressão da estiagem e o aumento das commodities voltaram a pressionar o índice, que acumulou 1,43% nos três últimos meses do ano.
Para janeiro a inflação deve vir pressionada, pois não há perspectivas de retorno dos preços dos alimentos, pondera Eulina.
Com informações da Reuters e do Valor Online