Segundo Hilton Fernandes, cientista político da Escola de Sociologia Política de São Paulo, a regionalização do PMDB é o jogo de poder do próprio partido que assim consegue trabalhar com lideranças diversas no País e se sustentar. "O mesmo acontece com os cargos de segundo escalão. É mais fácil trabalhar com forças regionais do que, por exemplo com o Ministério da Educação, que tem que trabalhar com o Brasil inteiro", disse, referindo-se aos ministérios que estão sob o comando do PMDB. Atualmente, a sigla é a que tem mais pastas, depois do PT. São seis: Integração, Minas e Energia, Agricultura, Defesa, Saúde e Comunicação.
Para Fonseca, a troca de apoio por cargos no Ministério que o PMDB negocia não é diferente do que fazem outros partidos. "Não tem um ministério, mas tem uma estatal. Na base do governo Lula, são 11 partidos. Essa luta por recursos e ministérios tem a ver com representação política que se dá no voto, tanto no voto popular quanto no Congresso", disse.
E explicou: "O PMDB diz o seguinte. Temos tantos votos no Parlamento que representa, em termos de fidelidade, a tantas propostas do governo. E portanto lhe dá o direito de exigir tantos ministérios", concluiu Fonseca. O PMDB é o partido com a maior bancada parlamentar.