Este ano, os dividendos a serem pagos pelas estatais serão suficientes para financiar todas as despesas do Bolsa Família.
A receita anual do
Tesouro com os dividendos pagos pelas empresas estatais cresceu 32
vezes entre 1997 e 2009, em termos nominais, e no ano passado foi
superior ao que o governo arrecadou com o Imposto de Importação (II) e
com a contribuição que incide sobre os combustíveis
(Cide-combustíveis), juntos. Este ano, os dividendos a serem pagos
pelas estatais serão suficientes para financiar todas as despesas do
Bolsa Família, programa que é o carro-chefe do governo Lula.
Em 2009, a receita do
Tesouro com esses dividendos atingiu R$ 26,7 bilhões, enquanto a soma
da arrecadação do II e da Cide-combustíveis foi de R$ 20,9 bilhões. Mas
a receita de 2009 é um ponto fora da curva, pois foi ajudada por
fatores atípicos que não irão se repetir. O Tesouro vendeu ao BNDES os
direitos a rendimentos decorrentes da sua participação societária na
Eletrobrás e, em troca, recebeu R$ 3,5 bilhões. O aumento dos
dividendos pagos pelo BNDES foi decorrência da decisão do banco em
distribuir o saldo remanescente da conta de Lucros Acumulados na forma
de dividendos.
O secretário do Tesouro,
Arno Augustin, espera que, este ano, a receita com dividendos das
estatais fique em R$ 16,1 bilhões. Mesmo assim, será 19 vezes maior que
a obtida em 1997 (R$ 822,3 milhões). Para explicar essa queda, Augustin
lembrou que os dividendos a serem pagos este ano vão refletir o baixo
crescimento da economia brasileira em 2009, além do fato de que não
haverá o pagamento de dividendos atrasados. Mesmo assim, a receita de
R$ 16,1 bilhões será maior que todo o gasto do governo com o Bolsa
Família, estimado em R$ 13,1 bilhões.
Embora o governo federal
acompanhe atualmente 118 estatais, apenas seis empresas (Petrobras,
BNDES, Banco do Brasil, Caixa Econômica Federal, Eletrobrás e Correios)
foram responsáveis por 97% do total dos dividendos recebidos pelo
Tesouro em 2009. Curiosamente, mais de 66% dos dividendos foram pagos
por empresas públicas, ou seja, por aquelas em que o único acionista é
a União, como é o caso do BNDES e da CEF. As empresas de economia mista
responderam por 32% do total. O restante ficou por conta do Fundo
Nacional de Desenvolvimento e de participações minoritárias em outras
empresas.
Augustin relaciona o
forte aumento da receita com dividendos ao crescimento da economia a
partir de 2004, quando as taxas de expansão do Produto Interno Bruto
(PIB) foram mais fortes. Ou seja, resultaram do aumento da
lucratividade dessas empresas, o que contrasta com a situação de crise
fiscal que essas companhias viveram durante as décadas de 80 e 90.
Atualmente, apenas 16 entre 118 são dependentes de recursos do Tesouro
para pagar suas despesas.
(Fonte: Valor Econômico)