O novo plano do governo para a agricultura familiar,
que será anunciado hoje pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva,
reduz juros, cria uma nova modalidade de seguro rural, amplia os
limites individuais de crédito e eleva a renda bruta anual dos
produtores de R$ 160 mil para R$ 220 mil, aumentando o universo de
beneficiários.
O governo destinará um
volume de R$ 16 bilhões em crédito para financiar assentados da reforma
agrária e produtores familiares durante a safra 2010/11, que começa em
1º de julho. O último pacote de benefícios da gestão Lula para sua
principal base política no campo reduzirá os juros máximos dos novos
contratos. Nas operações de custeio, o juro cairá de 5,5% para 4,5% ao
ano. Nos financiamentos de investimento, a taxa será reduzida de 5%
para 4%.
Assentados e familiares
terão, ainda, redução dos juros de acordo com o valor de cada operação.
Até R$ 10 mil, o juro será de apenas 1,5% no custeio e 1% no
investimento. Até R$ 20 mil, será de 3% e 2%, respectivamente. "Vamos
conter a inflação e garantir o alimento básico da nossa população. É uma
orientação do próprio presidente Lula que será cumprida com esse
plano", disse o ministro do Desenvolvimento Agrário, Guilherme Cassel,
ao Valor. "Mesmo no momento em que os juros básicos
sobem, teremos uma redução significativa para a agricultura familiar". A
taxa para os produtores empresariais, anunciada na semana passada, foi
mantida em 6,75% ao ano.
O agrado de Lula aos
pequenos produtores também incluirá a criação de um seguro de clima
para garantir operações de investimento, o que era restrito apenas a
empréstimos de custeio. Para contratar o seguro, haverá uma adicional
de 2% sobre o valor das parcelas. "O seguro vai ser atrelado à cultura
predominante na propriedade do produtor", explicou Cassel. O atual
programa de garantia de preços (PGPAF), que garante descontos nas
prestações do Pronaf em caso de oscilações nas cotações de mercado,
será ampliado para as cultura de uva, banana, maçã, abacaxi e
cana-de-açúcar.
O novo plano também
contará com a exclusividade de 20% do orçamento anual destinado à
Política de Garantia de Preços Mínimos (PGPM) para a comercialização
das safras de produtores familiares. A medida deve render R$ 1 bilhão
em recursos ao segmento. Como comparação para mensurar a elevação dos
recursos, basta lembrar que o governo gastou R$ 2,7 bilhões em
aquisição direta da produção familiar (PAA) entre 2003 e 2009.
"Isso vai dar muito mais
conforto para incentivar a produção no campo, já que teremos mais
recursos para garantir as compras", disse o ministro. Além disso,
lembra, uma lei obriga que 30% dos recursos usados na compra da merenda
escolar em todo o país sejam gastos em produtos da agricultura
familiar.
Os limites individuais de
crédito também foram ampliados. No programa "Mais Alimentos", que agora
será oficialmente institucionalizado, o limite sobe de R$ 100 mil para
R$ 130 mil. No caso de crédito coletivo, o limite passa a até R$ 500
mil.
O governo também ampliará
o volume de recursos para a assistência técnica e extensão rural
(Ater) para R$ 626 milhões - em 2003, esse orçamento era de R$ 46
milhões. Uma nova lei, aprovada em 2009 e combatida pela oposição ao
governo no Congresso, dará mais agilidade ao processo de contratação de
consultores para a realização desses serviços. O crédito para aquisição
de terras terá duplicado seu teto de financiamento individual para R$
80 mil, com melhoria na condição de pagamento e elevação dos prazos de
quitação.
(Fonte: Valor Economico)