Agência determina que empresa pare de vender serviços de comunicação
para pessoas físicas "de forma indiscriminada"
A Nextel foi proibida de vender linhas telefônicas para pessoas
físicas indiscriminadamente. A decisão é da Agência Nacional de
Telecomunicações (Anatel), que determinou que a empresa se abstenha de
comercializar acessos do Serviço Móvel Especializado (SME) - que agrega
telefonia móvel e comunicação via rádio - sem a devida comprovação de
que a finalidade é para uso corporativo.
A regra consta no artigo 7.º da Resolução n.º 404 da Anatel, de 5 de
maio de 2005. Em caso de descumprimento, a companhia será multada em
R$ 10 milhões.
Outra obrigação imposta à Nextel é a publicação de nota
retificadora, na qual a empresa deve ressaltar que o público alvo da
companhia são "pessoas jurídicas e pessoas naturais que realizem
atividade específica". O que motivou o despacho da Superintendência de
Serviços Privados, segundo à Anatel, foram denúncias encaminhadas à
agência. O despacho foi assinado em 24 de maio, mas a autarquia não
informou a data em que a decisão foi enviada à Nextel.
Procurada pela Agência Estado, a Nextel informou que "o despacho da
Anatel representa uma decisão liminar - ainda sujeita a revisão - que
foi motivada por processo movido pela concorrência". A empresa afirmou
que sempre observa as leis e normas de operação no mercado brasileiro e
que o controle da venda de aparelhos Nextel para fins profissionais é
um processo que vem sendo constantemente aprimorado para garantir a
obediência à regulamentação vigente.
Fontes do mercado dizem que o crescimento expressivo da Nextel nos
últimos meses passou a incomodar a concorrência e que teria sido esse o
motivo da denúncia à Anatel, já que boa parte da expansão do negócio
da companhia estaria sendo fundamentado no segmento de pessoas físicas,
mercado no qual a operadora não pode atuar.
"A Nextel tem crescido porque não paga imposto. O grande jogo é
porque ela não paga tarifa de interconexão, pois a tecnologia que usam é
velha", afirmou um alto executivo de uma operadora. "A concorrência é
sempre bem-vinda, desde que as regras sejam cumpridas. O que não pode é
ela não aderir às regras, não pagar imposto, e com possibilidade de
participar sozinha do leilão da banda H (última frequência do 3G
disponível)", criticou.
Atitude. Para José Luis de Souza, diretor da Teleco, consultoria
especializada no setor, uma vez formalizada a denúncia, a Anatel agiu
de maneira correta. "A Nextel não pode vender diretamente para pessoa
física. Não é perseguição. A Anatel está cumprindo apenas o que está
expresso na autorização para prestação do serviço", ressaltou.
O especialista, porém, não acredita que essa prática seja uma
orientação do comando da empresa. "Pode ser um problema pontual de
algum canal de venda ou distribuição. Não acredito que a Nextel tenha
uma orientação desse tipo vinda da direção da organização, pois isso é
uma coisa muito séria. Pode ter sido algum deslize no canal de vendas",
observou Souza.
Sob o comando de Sergio Chaia desde o fim de 2006, a Nextel possui
2,7 milhões de usuários em sua área de cobertura, que compreende 362
cidades nos Estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Paraná,
Santa Catarina, Rio Grande do Sul, Goiás, Bahia, Ceará, Pernambuco,
Espírito Santo e Brasília.
(Fonte: O Estado S. Paulo)