As fortes chuvas que atingem o Nordeste deixaram 43 mil
desabrigados e 38 vítimas fatais em apenas dois Estados - Pernambuco e
Alagoas. O governo de Pernambuco calculou em cerca de R$ 100 milhões o
valor necessário para a reconstrução das cidades atingidas pelas
fortes chuvas que caíram na semana passada. Até ontem, estavam
confirmadas 12 vítimas fatais, sendo nove na região metropolitana do
Recife e três no interior.
Dos 49 municípios
atingidos, 13 seguem em estado de emergência, com grande probabilidade
de evoluir para calamidade pública. De acordo com o governo, mais de 17
mil pessoas estão desabrigadas em todo o Estado. O número de
desalojados passou dos 24 mil.
O secretário de Recursos
Hídricos, João Bosco, informou que os R$ 100 milhões serão destinados à
recuperação dos bens públicos que foram danificados e às cerca de 4
mil casas que terão que ser construídas para os desabrigados. Segundo
ele, o valor contempla a recuperação de estradas, redes de energia,
pontes, hospitais, escolas, presídios, e até prefeituras que foram
destruídas pela água.
Depois do socorro às
vítimas, o governo pernambucano pretende iniciar o processo de limpeza
das cidades, o que deve levar cerca de uma semana. Após a limpeza, um
levantamento que está sendo feito por oficiais da Polícia Militar
servirá de base para o início da obras de reconstrução.
Bosco informou que o
prejuízo econômico ocasionado pelas chuvas ainda está sendo calculado,
mas que deverá revelar números "estarrecedores". Nos municípios de
Barreiros e Palmares praticamente toda a atividade econômica foi
dizimada. "Vai ser um grande abalo na economia de uma região já
bastante sofrida", afirmou.
O comerciante Roberto
Tenório, dono de uma rede de supermercados, perdeu a loja que tinha em
Barreiros. O prejuízo, segundo ele, beira os R$ 3 milhões. Ele conta
ainda que o comércio da cidade desapareceu por completo. "Só existe
destruição", disse, com a voz embargada. "Diga em seu jornal, por
favor, que o povo de Barreiros pede socorro", completou.
O governo federal já
garantiu que vai liberar pelo menos R$ 50 milhões para as obras de
recuperação em Pernambuco. Na noite de ontem, o governador Eduardo
Campos iria se encontrar, em Brasília, com o presidente Luiz Inácio
Lula da Silva para tratar do tema.
A reunião também contaria
com a presença de Teotônio Vilela Filho, governador de Alagoas, outro
Estado afetado pelas chuvas. De acordo com a Defesa Civil, até o
fechamento dessa edição havia 26 mortes confirmadas em 15 municípios do
Estado. Os desabrigados eram mais de 25,8 mil. Foi decretada calamidade
pública em 15 cidades.
"Tínhamos ontem mais de
mil desaparecidos no Estado. Estamos rezando para que eles estejam com
vida. Mas estamos preocupados porque os corpos já começam a aparecer
nas praias e nos rios", disse o governador Teotônio Vilela.
Ele afirmou ainda que a
chuva destruiu cerca de 40 mil casas, além de pontes, estradas e
ferrovias em 22 municípios. "Os rios de Pernambuco vão todos para
Alagoas. Com enxurrada, eles devastaram as cidades", disse o governador
alagoano.
No fim da tarde de ontem,
o presidente Lula anunciou a liberação de recursos do Fundo de
Garantia do Tempo de Serviço (FGTS) para os municípios afetados, tanto
em Alagoas quanto em Pernambuco. "Vamos fazer com a mesma rapidez que
fizemos para Santa Catarina e para o Rio de Janeiro, inclusive liberar o
Fundo de Garantia daqueles que tiverem o direito e tenham sido
atingidos pelas enchentes", disse o presidente.
A presidente da Caixa
Econômica Federal, Maria Fernanda Ramos Coelho, afirmou que os recursos
do FGTS para as vítimas das enchentes devem ser liberados em cinco
dias úteis. Segundo ela, esse é o tempo necessário para que a Caixa
viabilize o atendimento à população. O limite de saque será de R$
4.650, respeitando o saldo de cada contribuinte. (Com Agência
Brasil)