ALTAMIRA (PA). O presidente Luiz Inácio Lula da Silva fez ontem um
rápido discurso em defesa da hidrelétrica de Belo Monte, no Rio Xingu,
na cidade paraense de Altamira, mas cobrou dos que são contra a
construção sugestões para preservação ambiental e proteção das
populações ribeirinhas. Foi irônico com os manifestantes presentes ao
ato pró-Belo Monte, dizendo que eles ficaram “encantados com o
americano” — numa referência ao cineasta James Cameron, que é canadense —
e deveriam ir para o Golfo do México retirar o petróleo que vazou e
poluiu o oceano.
Mais tarde, no ato de terraplanagem da siderúrgica Aços Laminados do
Pará (Alpa), em Marabá, voltou à carga e disse que gringo não deve
meter o nariz nas questões ambientais do país.
— Passem metade do dia gritando contra, e passem metade colocando a
energia positiva de vocês para pensar alguma coisa importante.
Certamente, eles ficaram encantados com o americano que veio aqui. Eles
deveriam ir lá tirar o petróleo do Golfo do México, que está poluindo o
oceano — afirmou.
O ato, organizado pelo Consórcio Belo Monte, que reúne 11 municípios da
região do Xingu, segundo a Presidência mobilizou entre 8 mil e 10 mil
pessoas, no estádio Bandeirão. Do lado de fora, cerca de 100
manifestantes protestaram contra a hidrelétrica e queimaram um boneco
de pano que simbolizava o presidente.
— Queremos chamar a atenção para que a população não se deixe enganar
pela propaganda de desenvolvimento sem justiça social. O governo Lula,
com arrogância, passa por cima das leis, para implantar esse projeto.
Não respeita os direitos dos indígenas e dos povos ribeirinhos — disse
Antônia Melo, do Movimento Xingu Vivo para Sempre.
Alguns deles conseguiram entrar no estádio e ouviram as críticas de
Lula. O presidente lembrou que participou de atos contra a construção
de Itaipu, na década de 70. Na época, disse, havia a crença de que
Itaipu provocaria terremoto na região, mudaria o eixo da Terra ou seria
usada para inundar a Argentina.
— É por essas fantasias construídas que a gente não tem que ter medo de
debater. o estado do Pará e a região do Xingu não podem prescindir de
Belo Monte, não tem como prescindir — disse, sob aplausos.
(Fonte: Agencia o Globo)