Pela decisão,
Eurides Brito, acusada de receber mensalão do DEM do Distrito Federal,
fica inelegível por oito anos
O plenário da Câmara Legislativa do Distrito Federal aprovou ontem,
por 16 votos a 3, a cassação do mandato da deputada Eurides Brito
(PMDB) por quebra de decoro parlamentar. A agora exdeputada é acusada
de receber mensalão do DEM de Brasília, distribuição de propina
supostamente chefiada pelo governador cassado José Roberto Arruda (sem
partido).
Eurides foi filmada enchendo uma bolsa com maços de dinheiro recebido
do delator do mensalão, Durval Barbosa. Pela decisão, a parlamentar
fica inelegível pelos próximos oito anos. Até o fim do ano passado,
Eurides era a líder do governo Arruda na Câmara.
— O que ocorreu no Distrito Federal foi um esquemão de desvio de
dinheiro público. Seria revoltante se a Câmara adotasse outra medida —
disse o deputado José Reguffe (PDT), um dos que votaram favoravelmente à
cassação.
Advogado de Eurides diz que cabe recurso Eurides Brito é a primeira
deputada cassada a partir do escândalo que devastou a administração do
ex-governador Arruda. Os ex-deputados Júnior Brunelli (PPS) e Leonardo
Prudente (DEM) também foram flagrados recebendo dinheiro de Durval. Mas
os dois renunciaram para escapar da cassação. Outros cinco, dos 24
deputados da Câmara Legislativa, também são acusados de receber
mensalão. Mas os processos contra eles estão suspensos até o fim das
investigações do inquérito principal da Operação Caixa de Pandora.
O plenário da Câmara cassou o mandato de Eurides ao votar relatório da
deputada Érika Kokai (PT). A relatora acusou Eurides de participar de
um esquema que envolvia formação de quadrilha, improbidade
administrativa e lesão ao erário público.
Eurides foi filmada recebendo dinheiro de Durval em 2006, antes de
assumir o mandato. Pela lei, um parlamentar só pode ser punido na
esfera política por crimes cometidos no exercício do mandato. Mas, para
Érika Kokai, Eurides continuou dentro do esquema do mensalão até o fim
do ano passado.
— O advogado dela diz que o crime aconteceu antes de 2007 (antes de ela
ser tornar deputada). Ele se esquece que estamos falando de formação
de quadrilha, e esse crime é de natureza continuada — explicou Érica
Kokai.
A sessão que cassou o mandato de Eurides durou duas horas.
O advogado Jackson Domenico, o primeiro a falar, defendeu a tese de que
Eurides não poderia ser cassada justamente porque o crime imputado
aconteceu antes de sua posse na Câmara Legislativa. O deputado Paulo
Tadeu (PT), que votou pela cassação, argumentou que o dinheiro recebido
de Durval teve impacto na campanha e ao longo de todo do mandato.
— O dinheiro usado na campanha cria desigualdade com quem não recebeu —
disse Paulo Tadeu.
A sessão foi aberta, mas por ordem da Justiça, a votação teve que ser
secreta. Eurides não compareceu. A deputada já estava afastada do
exercício do mandato desde 14 de maio por ordem judicial. Jackson
Domenico protestou contra o resultado da votação e disse que iria
conversar com sua cliente para saber se a ex-deputada tem interesse em
recorrer à Justiça comum contra a cassação.
— O resultado que esperávamos era, obviamente, diferente.
Tenho certeza que cabe recurso — disse.
O escândalo do mensalão do DEM surgiu a partir da Operação Caixa de
Pandora, lançada pela Polícia Federal e o Ministério Público Federal em
novembro do ano passado. As acusações, boa parte delas amparada em
mais de 40 vídeos gravados por Durval Barbosa, já resultaram na prisão e
cassação do exgovernador Arruda, na renúncia do ex-vice-governador
Paulo Octávio e até num pedido de intervenção federal no Distrito
Federal.
O inquérito principal do caso está em fase final. O pedido de
intervenção depende ainda de decisão do Supremo Tribunal Federal (STF).
(Fonte: Agencia O Globo)