Após aprovar sucessivos aumentos para o Executivo, o Senado decidiu
ontem beneficiar seus próprios servidores.
Numa sessão esvaziada — com menos de 20 senadores, mas com quase cem
funcionários no fundo do plenário —, foi aprovado ontem, em votação
simbólica, o plano de cargo e salários que garantirá um aumento médio
de 25% a cerca seis mil servidores efetivos e comissionados da Casa.
O plano entra em vigor em julho — mas ainda precisa ser aprovado pela
Câmara. Conforme antecipou O GLOBO, em 2010, o impacto financeiro do
projeto será de R$ 217 milhões na folha de pagamento, que passará de R$
2 bilhões por ano. Em 2011, os gastos do Senado com pessoal subirão em
R$ 464 milhões.
— É o menor impacto em se tratando de reajuste. Menor do que (o plano
de cargos e salários) dos tribunais de conta e do da Câmara — afirmou o
1osecretário, senador Heráclito Fortes (DEM-PI), relator do projeto.
Além do aumento salarial médio de 25%, o novo plano de cargos e
salários cria pelo menos duas novas gratificações: a de Atividade
Legislativa e a de Desempenho. A primeira incorpora ao salário dos
servidores de carreira da Casa — como consultores legislativos, de
orçamentos, advogados, analistas, técnicos e auxiliares legislativos —
as funções gratificadas. Essa gratificação será aplicada também para os
proventos de aposentadorias e pensões.
Já a Gratificação de Desempenho poderá até dobrar o salário de alguns
servidores. Pelo texto do plano de cargos e salários, essa nova
gratificação deverá corresponder de 40% a 100% do valor do vencimento
básico do cargo ocupado pelo servidor. Se esse dispositivo não for
regulamentado dentro de 180 dias, o percentual mínimo dessa
gratificação, a partir de 1ode janeiro de 2011, passará a ser de 60%.
O benefício será mantido até para os servidores efetivos cedidos a
outros órgãos.
Maior salário não poderá ultrapassar R$ 26 mil De acordo com o
diretorgeral do Senado, Haroldo Tajra, como novo plano, o maior salário
de servidor pago pelo Senado passará a ser de R$ 26 mil, o equivalente
ao teto fixado para o funcionalismo público federal, pago hoje aos
ministros do Supremo Tribunal Federal (STF). Se algum servidor, em
função de suas gratificações e vantagens pessoais, ultrapassar o teto, o
Senado promoverá o corte do salário.
— Se (isso) acontecer, vai ser descontado — disse Tajra.
Os vencimentos dos servidores efetivos e comissionados foi desvinculado
do valor do subsídio recebido pelos parlamentares. Essa vinculação
poderia dificultar futuros reajustes, uma vez que parlamentares tem
aumentos menos frequentes em sua remuneração.
A direção do Senado ressaltou ainda que o novo plano projetou uma
redução de 90% dos gastos com o pagamento de horas extras e extingue
outras gratificações, como as de comissões especiais.
(Fonte: O Globo)