Há mais trabalhadores em busca de vagas; o índice do IBGE fica quase
estável, mas é o menor para os meses de maio desde 2002
A procura por uma vaga no mercado de trabalho aumentou em maio e elevou
a taxa de desemprego apurada pelo Instituto Brasileiro de Geografia e
Estatística (IBGE) nas seis principais regiões metropolitanas do País
para 7,5%. Apesar da pequena alta em relação aos 7,3%, a situação do
emprego foi considerada "estável" pelo instituto. A taxa é a menor para
meses de maio desde o início da série histórica da pesquisa, em 2002.
O desempenho do emprego foi diferenciado entre as regiões e a renda
real caiu pela primeira vez desde dezembro do ano passado. O gerente da
pesquisa, Cimar Azeredo, disse que o resultado de maio reflete o
aumento da procura por trabalho, já que o número de desocupados (sem
emprego e à procura de uma vaga) subiu 3,2% ante abril, totalizando
1,76 milhão de pessoas.
"O aumento da ocupação não foi suficiente para atender todas as
pessoas que buscavam trabalho. Nesse período do ano é comum aumentar a
busca por uma vaga, especialmente diante das notícias de cenário
econômico mais favorável, que estimulam a população a procurar
trabalho", explica Azeredo. Para ele, "não houve piora" no mercado de
trabalho no mês.
O analista da Tendências Consultoria Bernardo Wjuniski concorda e
acredita que "as perspectivas favoráveis em relação ao desempenho da
economia devem contribuir para a ampliação da oferta de vagas, além de
elevar a procura por emprego".
O economista da Nobel Asset Management, Paulo Val, também avalia
que, apesar do desemprego, "o mercado de trabalho continua aquecido".
Regiões. Um dos principais destaques do desempenho do mercado de
trabalho em maio, na avaliação de Azeredo, foi a discrepância nos
resultados entre as regiões. Enquanto as cidades do Nordeste apresentam
taxas de desemprego acima da média, no Sudeste e no Sul as taxas são
inferiores à média das seis regiões.
Em maio, a menor taxa de desemprego regional foi apurada em Porto
Alegre, com 5%, "uma taxa de padrão americano de antes da crise",
segundo sublinhou Azeredo. Em abril, a taxa era de 5,4%. Já em
Salvador, a taxa em maio foi de 12% e em Recife, de 9,7%, ante taxas de
11,2% e 9,1%, respectivamente, em abril.
Segundo Azeredo, essas diferenças regionais "refletem as diferenças
na estrutura econômica, etária e demográfica entre as seis regiões
metropolitanas". Em São Paulo, a taxa foi de 7,8%, pouco acima dos 7,7%
de abril. O gerente explica que o mercado de trabalho paulista tem a
peculiaridade de atrair mão de obra migratória de outras regiões
brasileiras, sobretudo do Nordeste.
Renda. O rendimento médio real dos trabalhadores registrou, em maio,
a primeira queda ante mês anterior apurada pelo IBGE em 2010. O último
recuo anterior, nessa base de comparação, havia ocorrido em dezembro
de 2009, de 0,9%, a mesma queda apurada em maio deste ano ante abril.
Azeredo disse que o recuo reflete a alta da inflação, mas também uma
perda do poder de compra dos trabalhadores.
(Fonte: O Estado de S. Paulo)