O Fundo de Investimento do
Fundo de Garantia do Tempo de Serviço (FI FGTS ) vai direcionar seus
recursos para a compra de debêntures privadas no segundo semestre e
diminuir a aquisição de participação em empresas. Segundo o
vice-presidente de gestão de recursos de terceiros da Caixa Econômica
Federal, Bolívar Tarragó, o setor de energia que domina hoje a carteira
também deixará de ser o foco e os setores de saneamento e logística vão
ter preferência.
Em menos de dois anos, o
fundo já se tornou sócio de uma dezena de empresas ao comprar R$ 3
bilhões em ações, destinados na maior parte para empresas de energia.
Algumas, inclusive, passavam por série dificuldade financeira quando
buscaram o fundo, como aconteceu mais recentemente com o Rede Energia.
A fila de projetos hoje em
análise no fundo soma R$ 20 bilhões, segundo Tarragó, de todos os
setores. Chegou a R$ 30 bilhões no auge da crise.
Mas o foco em emissão de
dívida não significa que o fundo deixará de participar de importantes
aquisições no setor de energia. A ideia é usar as empresas onde o fundo
tem participação. Só em empresas de geração de energia, o FI FGTS já é
sócio de mais de sete mil meagawatts de usinas em construção. Entre
elas estão a Nova Cibe Participações, dos grupos Bertin e Equipav, e da
J. Malucelli. Tanto Bertin como J. Malucelli fazem parte do consórcio
vencedor da usina hidrelétrica de Belo Monte.
Tarragó não fala sobre a
possibilidade de o fundo entrar em Belo Monte, mas como o Valor já
informou, o FI FGTS vai participar do projeto justamente pela empresa
J. Malucelli.
A carteira do FI FGTS já
está em sua maior parte alocada em debêntures. Até março desse ano,
chegava a R$ 11 bilhões, mas a maior parte referentes a emissões feitas
entre o final de 2008 e início de 2009. Logo em sua estreia, em meados
de 2008, foram cerca de R$ 7 bilhões usados para a compra de
debêntures de emissão do BNDES, com rendimento de Taxa Referencial mais
6% ao ano. O objetivo era dar liquidez ao mercado que sofria com a
crise financeira. Mas as empresas privadas também receberam fortes
aportes diretos. Foi o caso de Usiminas, CCR, ALL, Ferronorte .
O vice-presidente de
gestão de terceiros da Caixa Econômico Federal, que administra o fundo,
Bolívar Tarragó, diz que o fundo já está muito concentrado em energia e
por isso precisa buscar diversificação. O setor de saneamento é muito
visado pelo fundo em função do projeto Minha Casa, Minha Vida que vai
exigir grandes investimentos em saneamento. O fundo já é sócio de uma
empresa de saneamento, a Foz do Brasil que pertence ao grupo Odebrecht
e recebeu um aporte de R$ 641 milhões. A Odebrecht tem sido um sócio
recorrente do FI FGTS. O fundo também é sócio de Santo Antônio, onde a
Odebrecht é uma das principais acionistas e também da Embraport, de
terminais portuários, que recebeu R$ 475 milhões do fundo.
Os setores de transporte e
logística também devem ter maior atenção do fundo. Mas o maior desafio
do fundo é a abertura para novas captações de quem desejar aplicar seu
FGTS no fundo. O processo está ainda sendo estudado junto com a
Comissão de Valores Mobiliários (CVM). O problema principal é a falta
de liquidez já que os recursos estão aplicados em ativos de pouca
liquidez. Muitos deles sem ter uma marcação a mercado eficaz.
Isso porque boa parte das
empresas ainda são pré-operacionais e também porque as debêntures na
carteira do fundo tem longo prazo de vencimento e nenhum mercado
secundário. Esse seria um dos motivos para o FI FGTS render hoje menos
que a poupança. De acordo com relatório enviado à CVM, em 2009 o fundo
rendeu apenas 6,6%. Levando em conta a Taxa Referencial do primeiro dia
de cada mês, a poupança rendeu no mesmo período 6,75%.
No ano passado, a
Controladoria Geral da União fez diversas ressalvas na auditoria das
demonstrações financeiras do exercício de 2008. Entre as inconsistências
apontadas pela controladoria estavam a contabilização dos ativos, a
inexistência de gerenciamento de risco para ativos não cotados em bolsa,
pagamento de taxa de administração considerada acima da média do
mercado à CEF, gestora da carteira, e investimento em ativos de baixa
rentabilidade.
(Fonte: Valor Econômico)