Home Cidades Autoridades voltam a debater saturação da bacia do Piancó

Uma reunião no Ministério Público, e outra no gabinete do prefeito João Gomes (PT), ambas com a presença de representantes da Saneago, discutiram o problema

MARCOS VIEIRA

A falta de água crônica em Anápolis nas últimas semanas, quando a estiagem atingiu níveis alarmantes, voltou a movimentar as autoridades, em busca de alguma solução para o desabastecimento. Uma reunião no Ministério Público, e outra no gabinete do prefeito João Gomes (PT), ambas com a presença de representantes da Saneago, apontaram para um rumo: a saturação da bacia do Ribeirão Piancó, responsável pelo fornecimento de 80% da água consumida na cidade.

No MP, os promotores de Justiça Sandra Mara Garbelini e Marcelo Henrique dos Santos cobraram da Saneago o cumprimento de um termo de ajuste de conduta (TAC) que estabelece fiscalização no Piancó. Esse trabalho passará a ser feito pela Secretaria Estadual do Meio Ambiente e Recursos Hídricos e não mais pela Saneago. O foco são os produtores rurais da região, que utilizam irrigantes para tirar água do ribeirão.

O MP tem cobrado também a recuperação de nascentes da região e um trabalho de conscientização da população local. Em encontro anterior, a Emater se comprometeu a orientar produtores para o uso racional da água. Nova reunião marcada para o dia 28 de outubro contará com técnicos do órgão e também representantes de universidades.

Já no gabinete do prefeito, a reunião teve a presença de alguns diretores da Saneago, como Afrêni Gonçalves (Expansão), Mauro Henrique (Produção) e Fausto Batista (Supervisão do Interior). Foi apresentado o balanço de obras realizadas em Anápolis, mas o uso desenfreado da água do Piancó foi o principal assunto.

Os agricultores do Ribeirão Piancó produzem legumes, hortaliças e frutas. Calcula-se que pelo menos 100 motores estejam em funcionamento ao longo do leito do ribeirão, retirando água para irrigar essas plantações. Anápolis não tem qualquer tipo de reservatório de grande porte. A Saneago retira água para tratamento também diretamente do Piancó.

Na estiagem, quando o calor fica mais intenso, a população consome mais água, obrigando a Saneago a produzir mais. Os irrigantes, também funcionando na sua capacidade máxima no Piancó, não permitem que mais bombas de captação sejam ligadas. Sem entrada de água, os reservatórios nos bairros são esvaziados rapidamente. Esse é só um dos exemplos da incompatibilidade de se utilizar uma única bacia hidrográfica para duas atividades de peso.

A ideia é dar suporte aos agricultores para que eles produzam mais com menos água. A Emater tentará transformar as propriedades em empresas, com gestões da produção, mercadológica, social, de pessoas e ambiental. Para isso, todos os produtores serão visitados e será levantado o potencial de cada área.

 

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