Home Opinião O parlamento que surge das urnas

MARCOS VIEIRA

Elegemos neste domingo, dia 5 de outubro, 41 deputados estaduais e 17 federais. Saem vitoriosos das urnas homens e mulheres que representam os mais diferentes segmentos da sociedade e de diversas regiões de Goiás, que agora terão a missão de defender a população na Capital, Goiânia, e em Brasília, no Congresso Nacional.
Por diversas vezes durante a campanha usei esse espaço para falar de candidatos ao parlamento. Lembrei de alguns que prometeram o impossível, outros que fizeram da própria postulação uma piada e daqueles que acreditavam que só o simples fato de morar em Anápolis já o credenciava como merecedor do voto.
Nesse mesmo espaço sugeri ao eleitor que antes de apertar as teclas da urna eletrônica, deveria analisar projetos, viabilidade eleitoral e histórico de vida do postulante ao cargo de deputado estadual e federal. Não se tratam de critérios definitivos, mas talvez sejam balizadores para o perfil de um bom futuro parlamentar, embora só o tempo possa confirmar isso.
Porque tanta preocupação com os parlamentares? Primeiro pelo custo que cada um gera aos cofres públicos. Cada deputado federal tem, por exemplo, verba de gabinete, verba indenizatória, salário (além do 13º, dois extras), auxílio moradia, cota postal e telefônica, dinheiro para impressões e assinatura de jornais e revistas, etc.
Por um custo tão alto, e pela elevada quantidade, são 513 eleitos na Câmara Federal, o deputado talvez seja o principal espelho de uma política que não pode ser levada a sério, pois vive envolta em casos de corrupção. A eleição de pessoas sérias para esse cargo, especificamente esse cargo, representaria sim uma mudança gradual no cenário.
Os eleitos de hoje, que serão empossados no início de 2015, ganham então a oportunidade ímpar de avançar além dos interesses pessoais e demonstrar que o Congresso Nacional merece todo o brilho que a bela arquitetura do seu prédio emana para todo país. Trata-se, lógico, de uma visão um tanto ingênua, mas que tem sua lógica.
Ainda falando sobre deputado federal. Centenas de milhares de brasileiros vão passar a vida toda sem ao menos pisar em Brasília. Ou seja, nunca estarão próximos do centro do poder, local onde são tomadas as decisões que norteiam o nosso dia a dia. Mas até mesmo esse morador distante tem a chance de votar em um dos seus para mandar a Brasília, representá-lo na política. Deveria ou não ser uma tarefa nobre?
Até mesmo os reeleitos, principalmente aquele que pouco fez nesses quatro anos, ainda tem salvação. Um bom mandato implica em uma campanha menos complicada, menos dependente de dinheiro, esvaziada em promessas-para-boi-dormir. Pense bem, caro político, sobretudo você que passou sufoco na campanha: não seria mais fácil?
Aos reeleitos, um pedido: o ano não acabou aqui. Temos ainda um trimestre pela frente. São praticamente 90 dias, que serão usados pelo cidadão para trabalhar e com isso pagar impostos que financiarão os salários de deputados e demais detentores de cargos públicos. Descanse apenas quando todos estiveram descansando. Siga o ritmo.
Quanto aos deputados estaduais, a lista pode ser infinitivamente maior pelo simples fato de que às vezes o cargo parece existir apenas para dar sustentação ao Poder Executivo ou para se contrapor ao ocupante do Palácio das Esmeraldas. É absurdo que o parlamentar aliado ao governante diga só amém, como também soa de forma ignorante o oposicionista existir apenas para criar caso.
Deputado de oposição, seja produtivo. Não fique somente no microfone gritando que é contra governo e tudo-que-está-aí, propondo comissões de investigação ou dando entrevistas raivosas. Sinceramente, você acredita que foi eleito apenas para isso? Quem sabe tentar uma lei que não seja título de cidadania, quem sabe conseguir uma verba para construção de uma sala de aula nova, que seja, na escola do seu bairro? Se isso lhe for negado, assim use o microfone. Não reclame que não é atendido antes mesmo de pedir. Vai que o eleitor desconfia…
Aos governistas, que não sejam apêndices do Executivo e que se utilizem a porta aberta para cobrar melhorias à população. Ajude o seu aliado, faça críticas pertinentes e elogios contidos. Ninguém merece ser execrado, mas são poucos aqueles que são dignos de somente bajulações.
E ao eleitor, o desejo de um pacto. Vigie aquele que você deu o voto. Se o seu escolhido não foi eleito, fique de olho nos outros. Ao menos uma vez por semana, procure saber o que acontece na política. “Todo poder emana do povo”. Que precisa fazer jus a isso.

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