Home Política “A burocracia tem travado as nossas ações”, diz Rincón

Presidente da Agetop afirma que falta pouco para retomada dos trabalhos nos canteiros de obras de Anápolis, garantindo a conclusão de importantes projetos ainda nesse ano

LUCIVAN MACHADO

Segundo o presidente da Agetop, Jayme Rincón, a paralisação das obras do presídio e do centro de convenções de Anápolis deve-se a questões burocráticas. Ele afirma que não há falta de recursos financeiros. O que houve foi problemas ocasionados a partir da reforma administrativa, que mudou nomes de secretarias estaduais e obrigou a recomposição da papelada que garante a liberação das verbas para as empresas que trabalham para o Estado. Quanto ao aeroporto de cargas, Rincón disse que a licitação para uma nova etapa do projeto está em fase final. O presidente da Agetop garantiu que o Estado manterá parcerias com o prefeito João Gomes (PT) e falou sobre o aumento do fluxo na GO-222 a partir da cobrança de pedágio na BR-060. A rodovia estadual provavelmente também será alvo de concessão à iniciativa privada. Jayme Rincón conversou com o JE e Canal Anápolis (Canal 5 da Net) na sexta-feira (26).

Por que as obras do presídio de Anápolis estão paradas?

Elas estão paralisadas única e exclusivamente por questões burocráticas. Tudo o que está a cargo da Agetop tem sido a tempo e à hora, mas infelizmente a burocracia tem travado muitas de nossas ações. A conclusão do presídio é uma delas.

E qual é essa parte burocrática?

Cada obra que nós fazemos aqui é de responsabilidade de uma determinada secretaria. Nós tivemos alguns problemas específicos na secretaria responsável pela construção [do presídio], que teve sua denominação alterada duas vezes. Todas as vezes que você faz essa mudança, o processo volta para a estaca zero, tem que refazer tudo. Com a reforma administrativa houve mais uma alteração. Mas isso aconteceu no início do ano, não tem mais razão nenhuma para que os trabalhos não andem no ritmo que a gente gostaria. Portanto, essa dificuldade hoje em relação ao presídio é exclusivamente burocrática, papel. Mais nada.

Existem recursos para a conclusão da obra?

Existem. Tanto é que até o dia em que ela foi paralisada, ela foi executada em um ritmo rápido. A população de Anápolis é testemunha da rapidez com que nós construímos aquele presídio. Uma pena porque está faltando hoje apenas 5% para ser concluído e entregue.

De quem é a responsabilidade então para resolver essa questão burocrática?

A responsabilidade é do conjunto. Porque às vezes um problema localizado na Secretaria de Segurança Pública foi ocasionado em outro órgão do governo, mas hoje nós estamos dependendo da descentralização orçamentária, que é atribuição da Secretaria de Segurança Pública. Feito isso, nós já teremos condições de empenhar o valor dos recursos que faltam para a conclusão da obra e imediatamente a empresa se dispõe a voltar aos trabalhos.

Falta interesse para resolver esse problema?

De forma alguma. O secretário de Segurança Pública, Joaquim Mesquita, está empenhado. Ele é ágil, rápido, mas o problema é que a burocracia é muito grande e o que nos preocupa é que a cada dia que passa essa burocracia tem aumentado ao invés de diminuir.

Isso atrapalha?

Atrapalha muito e muitas vezes até desmotiva porque você vem em um ritmo acelerado e depois as coisas não acontecem da forma que você imagina ou queira. Aí realmente é uma desmotivação de quem está comprometido em executar a obra de boa qualidade, pelo menor preço e no tempo mais curto.

Diante de tudo isso, é possível marcar uma data para reinício das obras e conclusão do presídio?

Eu tenho evitado falar em datas porque se essas ações dependessem exclusivamente da Agetop eu não teria a menor dúvida em marcar dia e hora para a conclusão de todas as obras. Como essas ações dependem de outros órgãos do governo, eu tenho evitado em falar em datas. O que posso dizer e garantir é que o que concerne à Agetop, o nosso empenho é grande para que a gente possa entregar em um menor tempo possível.

O senhor já se reuniu com o secretário de Segurança Pública para tentar resolver esse problema? Teve um contato com ele?

Já. A gente tem conversado praticamente todos os dias. O secretário de Segurança Pública está empenhado em resolver o problema também, mas não depende só dele. Às vezes você está com o processo andando e de repente precisa de mais um parecer, tem que ouvir mais algo, e essas coisas vão atrasando. O que nos preocupa, a mim especificamente, é que a burocracia não tem cara, não tem uma pessoa específica que você possa culpar, é toda uma estrutura. Ela não é comprometida com agilidade ou rapidez. Ninguém questiona controle e esses acompanhamentos, mas eles devem ser feitos no ritmo que a população espera. Não podemos ficar a mercê de A, B ou C que está dentro dessa estrutura de governo para dar um parecer ou fazer um questionamento no dia e a hora que ele quiser, porque fica difícil para quem quer fazer as coisas e muito fácil para quem quer atrapalhar.

E em relação ao centro de convenções?

O vice-governador e secretário de Desenvolvimento, José Eliton, está finalizando o processo de leilão de recursos do programa Fomentar. Feito isso a empresa já se comprometeu a voltar imediatamente para as obras e concluí-las. O volume que está sendo destinado ao centro de convenções é exatamente o que a gente precisa para concluir. Então a boa notícia é que a empresa voltando para o trabalho a gente não corre mais nenhum risco de paralisação novamente. Aí sim nós voltaremos a executá-la no ritmo que estávamos.

É possível concluir essa obra ainda em 2015?

É possível. Com os recursos garantidos as coisas ficam mais fáceis porque não corremos o risco de nenhum tipo de interrupção. A empresa trabalha em um ritmo mais acelerado porque ela tem a garantia que vai receber em dia.

Em relação ao aeroporto de cargas. As obras chegaram a ser paralisadas totalmente?

As obras foram paralisadas porque teve a última etapa da licitação. Nós já publicamos edital, que corresponde à pista de taxiamento dos aviões e a transferência dos hangares para o lado oposto da pista nova. Na realidade agora estamos cumprindo os trâmites legais para a contratação da empresa que vai concluir o aeroporto.

O prefeito João Gomes anunciou recentemente a construção de viadutos na Avenida Brasil, em Anápolis, e espera a parceria do governo estadual. Isso será possível?

Será. O governador Marconi Perillo manteve uma relação muito boa com o antecessor do João Gomes e temos uma relação ótima com o atual prefeito. Em Goiânia, o governador fez um volume grande de obra, construímos quatro viadutos. Para Anápolis, o governador já determinou que dentro da parceria firmada com o João Gomes sejam construídos os viadutos da Avenida Brasil. Ele tem um carinho muito grande por Anápolis em função das votações expressivas que ele sempre teve na cidade, mas mais do que isso pela importância que o município tem no cenário econômico do Estado. As recomendações do governador são sempre no sentido que seus auxiliares deem grande atenção para a cidade.

Com a praça de pedágio em Goianápolis, a GO-222, que liga Anápolis a Goiânia via Nerópolis, terá seu fluxo ampliado. Este trecho tem condições de comportar um tráfego mais intenso de veículos?

Não tem. Ela não foi projetada e construída para esse volume que a gente imagina que ela comece a receber a partir da cobrança de pedágio na BR-060. Nós estamos com o nosso processo de instalação de balança já em andamento e o processo de concessão de rodovias também. Agora eu não tenho dúvida de que durante um determinado período ela será sacrificada. Uma pena porque é uma rodovia que sofreu por muito tempo, nós a reconstruímos e agora existe a possibilidade concreta de haver uma sobrecarga no pavimento dessa via e voltarmos a ter problema. Mas as ações que nós podemos fazer, estamos fazendo que é a colocação de balança, concessão dessa rodovia e consequentemente a cobrança de pedágio.

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