Home Economia ESPECIAL 110 ANOS | Estação Ferroviária, o marco zero do progresso anapolino

A partir da chegada da estrada de ferro, em 1935, a cidade começou a se desenvolver até se transformar na potência de hoje

JAIRO ALVES LEITE

No dia 28 de agosto de 1933, a pedra fundamental da Estação Ferroviária de Anápolis é colocada, ocasião em que o Dr. Luiz Caiado de Godoy fez um discurso mostrando que “esse marco é de uma indescritível significação, podendo-se afirmar que é a mais tocante solenidade que já se registrou nos fatos da história desta ubertosa terra, desde a sua fundação por Gomes de Souza Ramos em 1870”.

A partir da estrada de ferro, por assim dizer, Anápolis se transforma na “Ribeirão Preto” e “Manchester goiana”, condição sine qua non para o desenvolvimento do município, porque se hoje temos o Porto Seco, a sede da Universidade Estadual de Goiás (UEG), a Base Aérea, dentre muitas outras instituições, isso é devido, em grande parte, àquele episódio.

No Jornal Annápolis (assim mesmo, com dois enes), em sua edição de número 24 do ano de 1935, é descrito na sua primeira página: “As festas inagurais da Estrada de Ferro Goyaz”, dizendo ainda que “Annápolis viveu no dia 7 do corrente o maior dia de toda a sua história com a inauguração da estrada de ferro, aspiração máxima do seu povo. (…) Desde dez dias antes da comemorável data, já a cidade se apresentava com um aspecto festivo, os hotéis cheios e um movimento desusado em nossas ruas que recrudescia, à proporção que se aproxima o feliz advento”.

Nesse mesmo jornal, é descrito os acontecimentos que embalaram os festejos da inauguração, como a ornamentação, a alvorada, a caravana anapolina que embarcou em Leopoldo de Bulhões a caminho de Anápolis, a chegada em Anápolis, a passeata cívica, o descerramento da placa dando nome à Rua Engenheiro Portella (Wenefredo Bacellar Portella, o engenheiro responsável pela construção da estrada de ferro entre Anápolis e Leopoldo de Bulhões), o banquete no antigo Clube Lítero Recreativo Anapolino (onde hoje se encontra o Hotel Itamaraty) que no mesmo salão aconteceu o grande baile, cujo prolongamento se estendeu até altas horas da madrugada, sendo as músicas interpretadas pelos conjuntos musicais “Jazz José Perfeito” e “Jazz Club”.

Outro relato que encontramos, agora do Dr. José Xavier de Almeida Júnior, de 15 de dezembro de 1937, na passagem dos festejos comemorativos da criação da Vila de Sant’Ana das Antas que diz: “Anápolis completa o seu meio século tendo crescimento mais nos dois anos de estrada de ferro que nos 48 que a precederam”.

A Estação Ferroviária, portanto, é um marco para a história da cidade, pois mediante a sua inauguração Anápolis entra no progresso que estamos atualmente acostumados a verificar. Desse modo, por conta das felizes ironias da história, o dia 7 de setembro é a data que comemoramos, também, a independência de Anápolis do marasmo econômico, do atraso na questão dos transportes ou do provincianismo que emperra o progresso salutar.

Esperamos com a viabilização da conclusão da restauração da antiga Estação Ferroviária de Anápolis e revitalização da Praça Americano do Brasil, a implantação de um espaço de memória cultural preservando a história da antiga Estrada de Ferro Goyaz (EFG), dos ex-ferroviários e tantas outras histórias de pessoas que chegaram e partiram, de encontros e desencontros na velha Estação.

(Jairo Alves Leite é coordenador do Museu Histórico e da Estação Ferroviária, presidente do Conselho Municipal do Patrimônio Histórico e Cultural de Anápolis e fundador e presidente do Instituto de Patrimônio Histórico e Cultural Professor Jan Magalinski)

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