Home Opinião Editorial Edição 666 | Intolerância de sempre

É só dar uma navegada na internet, sobretudo nas notícias de política, e dar uma olhada na sessão de comentários para perceber o momento vivido pelo Brasil atualmente, de intolerância e completa falta de respeito com a opinião alheia. Essa conduta, por mais que espante, não é novidade. A partir do golpe de 1964, com a instauração do Regime Militar, muitas famílias ficaram divididas em relação ao apoio ou não dos generais-presidentes. Naquela época, pais denunciaram os próprios filhos “subversivos”, os entregando a um governo que tocava uma máquina de eliminar pessoas nos porões de delegacias usadas pela repressão.

O espanto atual seria apenas no sentido de que realmente não aprendemos nada com o passado. A divisão da opinião popular em outros tempos só beneficiou os poderosos – o Regime Militar só deixou de existir quando os seus mentores resolveram ir para a casa. Hoje, tem muita gente brigando para defender o atual presidente e defenestrar a ex, sendo que ambos até outro dia comungavam das mesmas ideias e, por conveniência, podem ser unir novamente em um futuro qualquer.

É incrível também perceber o emburrecimento progressivo em relação a termos antigos, completamente sem sentido na política brasileira atual. Os jovens da UNE não são “comunistas”. O PT não é comunista e talvez nem o PCdoB seja 100% adepto do sistema que ainda carrega no próprio nome. A divisão do mundo entre comunistas e capitalistas soa tão datada quanto um filme antigo da Sessão da Tarde. Reviver esses termos nos moldes atuais é até engraçado e só denuncia a completa ignorância de quem os usa.

Mata-se por diversas coisas no Brasil, inclusive por um simples par de tênis ou por uma dívida de R$ 10 (no caso de usuário e traficante). Tem gente morrendo de fome ou de frio. Mulheres são vítimas de estupros bárbaros. Crianças sofrem assédio que lhes marcam para a vida toda. Então, diante desse cenário lamentável, que também não comecemos a destruir um ao outro por política.

Que os adultos orientem a juventude sobre a melhor forma de lutar por uma causa e, em hipótese alguma, faça coro com aqueles que reprimem o direito ao protesto. A prática de se levantar para criticar o que considera errado deve ser sagrada na democracia. Pode não existir razão completa para o ato, mas reprimi-lo com violência é um contrasenso – pelo menos quando se fala em humanidade.

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