Home Opinião 2+2, sempre 4: uma análise pré-eleitoral | por Orisvaldo Pires

Sai eleição, entra eleição, e o debate às vésperas do pleito eleitoral repete a mesma cantilena em Anápolis: por que o município tem tanta dificuldade para eleger representantes para a Assembleia Legislativa e a Câmara Federal?

Este é o tema da hora nas redações de jornais, nos programas noticiosos do rádio e nas redes sociais. E, em todas as situações, o esforço é para explicar este fenômeno. Em algum momento da discussão alguém sempre questiona se Anápolis realmente tem a força que muitos pensam que tem.

De forma simplista, a explicação mais utilizada para a falta de representatividade é que seguidamente nas eleições Anápolis lança candidatos em excesso. Para o ano de 2018 a expectativa é de aproximadamente trinta pretendentes às 41 cadeiras do Legislativo estadual.

No entanto, a média dos estudos apresentados pelos analistas, com base em análises de pleitos anteriores e a realidade da conjuntura política atual, três fatores podem ser destacados: o distanciamento entre o que pensam o político e o eleitor, a qualidade política questionável de grande parte dos postulantes a cargos públicos, e a realidade de Anápolis como cidade cosmopolita.

Já se foi o tempo em que Anápolis decidia eleições em Goiás. Esta condição está mais o imaginário dos saudosistas e no marketing das campanhas, que na realidade do dia-a-dia do município. No passado, as forças políticas e classistas da cidade eram contestadoras na essência. Batiam de frente com os governos, em nome da independência e do progresso da cidade.

A degradação da prática política experimentada ao longo das últimas décadas no Brasil culminou com o nivelamento por baixo da qualidade dos nossos políticos. Este nível caiu tanto que, quando alguém desponta entre os demais, mesmo que careça de conteúdo e cultura de política pública, é endeusado.

A julgar pelos caminhos que trilha a política no âmbito regional, com reflexos diretos na nossa prática paroquiana, a realidade continuará a mesma. Práticas iguais, com métodos iguais e políticos iguais, sempre geram os mesmos resultados. Anápolis é a cidade de todos os partidos, de todos os políticos, de todas as gentes e culturas. Nesta realidade, nosso bolo eleitoral sempre será dividido com muitos que batem em nossa porta a cada quatro anos.

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