Goiânia é a 3ª cidade que mais cresce em emprego no país, mas inglês ainda separa quem chega aos melhores salários

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Capital lidera ranking nacional e tem 11,5% das vagas em formato remoto. Com a disputa de empresas estrangeiras por brasileiros em alta, especialista explica o teto invisível criado pelo idioma

Goiânia vive um momento raro no mercado de trabalho. A capital é a terceira cidade com maior ascensão em emprego no Brasil, segundo o ranking Cidades em Alta 2026 do LinkedIn, que considerou o crescimento das contratações, o aumento da demanda por vagas e a chegada de novos profissionais. À frente dela, apenas Natal e Recife.
O levantamento aponta ainda que 11,5% das vagas na cidade são remotas e 9% híbridas. Goiânia encerrou o ano passado com mais de 59 mil novas empresas registradas, o equivalente a 30% do total do estado.

O dado do trabalho remoto abre uma janela que vai além das fronteiras da cidade. Enquanto o profissional goiano já compete por vagas em qualquer lugar do Brasil, cresce também a procura de empresas estrangeiras por brasileiros: alta de 53% no último ano, segundo o Relatório de Contratações Internacionais da Deel, plataforma global de folha de pagamentos que analisou mais de 1 milhão de contratos ativos em mais de 150 países.

Estados Unidos e Reino Unido lideram a procura, com altas de 26% e 31%, respectivamente. O perfil das contratações também mudou: se antes os brasileiros eram buscados para funções operacionais, agora cresce a presença em posições estratégicas, com destaque para desenvolvedores de software, especialistas em desenvolvimento de negócios e traders financeiros.
Os números impressionam no topo. Cargos sêniores na área de inteligência artificial podem pagar até US$ 32 mil mensais, cerca de R$ 165 mil. Mas apenas 3% dos profissionais brasileiros conseguem ocupar essas posições. E o próprio relatório aponta o motivo: falta gente que domine o idioma e conheça o mercado.

Para Lorrayne Martins, especialista em ensino de inglês para adultos e CEO do Inglês Sem Fronteiras, escola sediada em Goiânia, é exatamente aí que o profissional local perde a corrida.
“O inglês é a água deles beberem lá fora. Sem ele, a pessoa fica limitada nas propostas que recebe. Eu, por ser imigrante e falar inglês, ganhava cinco libras a hora. Você vai ter brasileiro ganhando dez dólares a hora e outro ganhando vinte pela mesma função, porque fala inglês”, afirma.

A limitação atinge também quem não pretende deixar o país. Com a cidade entre as que mais crescem em vagas remotas, o goiano disputa hoje posições com profissionais de todo o Brasil, e cada vez mais com empresas de fora.

O bloqueio persiste ainda entre quem emigra. A especialista chama atenção para um fenômeno recorrente: a acomodação dentro das comunidades de imigrantes. Com padarias, comércios e redes de contato formadas por conterrâneos, é possível se estabelecer no exterior sem falar o idioma local, trabalhando principalmente em construção civil, no caso dos homens, e em serviços de limpeza, no caso das mulheres. Funciona no começo, mas o problema aparece adiante.

“Tem um teto. Se ele não falar inglês, não vai sair daquele trabalho, não vai sair daquele setor. Não vai conseguir comprar uma casa, não vai conseguir tirar o visto. O trabalho qualificado vai exigir o idioma”, explica a especialista.

O mesmo limite atinge o empresariado goiano. Goiás fechou o primeiro semestre de 2026 com superávit de US$ 4,21 bilhões e ocupou a oitava posição no ranking nacional de exportações, respondendo por 3,82% das vendas externas do país. Segundo Lorrayne, entre os alunos do Inglês Sem Fronteiras que procuram o idioma para atuar fora, a maioria é formada por empresários que precisam negociar no exterior, participar de feiras e acompanhar operações internacionais.

A trava não é de método

Se a demanda existe e o retorno financeiro é claro, por que tantos adultos não avançam? Para Lorrayne, a resposta raramente está na técnica de ensino.

Ela fala por experiência própria. Morou na Inglaterra dos 7 aos 11 anos e foi alfabetizada em inglês. Ao voltar ao Brasil e estudar em escola pública, sofreu bullying por falar português com sotaque e por dominar o idioma estrangeiro. Passou cinco anos, dos 11 aos 16, recusando-se a falar inglês.

“O método é importante, mas antes disso é preciso olhar para quem está aprendendo. Essa pessoa acredita que ela pode aprender inglês? Porque a motivação está alinhada à visão que a gente tem sobre alguma coisa. Se eu tenho a visão de que não consigo, a minha motivação vai para o chão”, diz.

Formada em Letras e certificada pela Universidade de Cambridge, ela sustenta que os formatos tradicionais foram desenhados para crianças e não consideram o funcionamento do cérebro adulto, nem a realidade de quem já tem carreira e rotina definidas. Foi a partir dessa leitura que estruturou o método autoral do Inglês Sem Fronteiras, hoje com 453 alunos e 20 professores, sendo 70% da base em aulas online, incluindo brasileiros que já vivem no exterior.

“Nenhum adulto formado, com a vida resolvida, mas que precisa do inglês, vai fazer mais cinco anos de curso. Ele não precisa disso”, pondera.

A recomendação da especialista para quem precisa do idioma em prazo curto passa por três pontos. O primeiro é produzir frases desde o começo, em vez de acumular vocabulário solto, porque aprender palavras isoladas sem saber encaixá-las em uma estrutura gera o profissional que reconhece termos, mas não constrói uma frase. O segundo é conectar cada conteúdo novo ao anterior, para que o aprendizado se apoie no que já foi construído. O terceiro é aceitar o desconforto de falar cedo, ainda com erros, em vez de esperar um nível ideal que nunca chega.

“O inglês não se acumula como experiência de trabalho. Ele é uma ferramenta, é como o teclado do computador: quanto mais eu uso, melhor eu fico. O iniciante consegue falar inglês, sim. Ele não precisa chegar no intermediário para começar”, conclui.

Sobre o Inglês Sem Fronteiras

Fundado por Lorrayne Martins, formada em Letras e certificada pela Universidade de Cambridge, o Inglês Sem Fronteiras completa cinco anos em 2026. Com sede em Goiânia, a escola atende presencialmente e online, reúne 453 alunos e 20 professores e trabalha com método autoral voltado ao público adulto, com foco em conversação e no destravamento emocional para o aprendizado do idioma.

INFORMAÇÕES PARA A IMPRENSA

Lorrayne Martins está disponível para entrevistas em TV, rádio, podcasts e veículos digitais e impressos.
Assessoria de Imprensa: Headline Marketing & Press | (12) 98160-9848 – Vitor Hugo Fróes
Fontes: LinkedIn, ranking Cidades em Alta 2026; Relatório de Contratações Internacionais da Deel; Secretaria de Estado de Indústria, Comércio e Serviços de Goiás, primeiro semestre de 2026.